publicidade
Mundo

Nova Iorque anuncia internação involuntária de pessoas com doenças mentais

Prefeito Eric Adams disse que a cidade precisa enfrentar a 'crise de saúde mental'

Nova Iorque
Cidade de Nova Iorque | Foto: Reprodução/Pixabay

O prefeito de Nova Iorque, o democrata Eric Adams, anunciou na terça-feira 29 uma medida polêmica e potencialmente ilegal, segundo os críticos: internar para tratamento, mesmo sem consentimento, pessoas com doença mental.

Em entrevista coletiva, ele disse que o objetivo é enfrentar a “crise” de saúde mental na cidade, e que policiais e socorristas já foram instruídos a recolher pessoas com sintomas graves de doença mental dos metrôs e ruas e levá-las, mesmo involuntariamente, para hospitais da região.

Receba nossas atualizações

Segundo ele, a medida é uma resposta à “crise contínua de indivíduos com doenças mentais graves deixados sem tratamento e sem abrigo nas ruas e metrôs da cidade de Nova Iorque”. “Esses nova-iorquinos e centenas de outros como eles precisam urgentemente de tratamento, mas muitas vezes o recusam quando oferecido”, disse Adams, na entrevista coletiva.

O prefeito disse que os policiais, socorristas e outros agentes “receberão treinamento aprimorado sobre como ajudar e cuidar com compaixão daqueles em crise de saúde mental”. “A própria natureza de suas doenças os impede de perceberem que precisam de intervenção e apoio. Sem essa intervenção, eles permanecem perdidos e isolados da sociedade, atormentados por delírios e pensamentos desordenados. Eles entram e saem de hospitais e prisões.”

Adams também declarou que existe um “mito” de que a “assistência involuntária” se aplica apenas em casos de dano iminente, e disse que a cidade não “abandonará esforços” para internações, mesmo que seja contra a vontade da pessoa. Ele invocou todo o poder da Lei de Kendra, legislação que permite tratamento ambulatorial assistido por ordem judicial. A lei leva o nome de Kendra Webdale, que morreu depois de ser empurrada para os trilhos do metrô por um homem com histórico de doença mental.

Críticas pela supressão de liberdades e falta de eficácia

A medida foi criticada por alguns profissionais de saúde mental, que disseram que a cidade deveria se concentrar em soluções de longo prazo e evitar o tratamento de pessoas que se recusam.

O diretor-executivo da Associação de Serviços de Reabilitação Psiquiátrica de Nova Iorque, Harvey Rosenthal, disse que o plano “depende muito da coerção e do uso involuntário de hospitais” e que “adicionar coerção a um sistema falido” não é adequado e pode não trazer os efeitos desejados.

A diretora-executiva da União das Liberdades Civis de Nova Iorque, Donna Lieberman, também condenou o plano. “O prefeito está brincando com os direitos legais dos nova-iorquinos”, resumiu. “As Constituições federal e estadual impõem limites estritos à capacidade do governo de deter pessoas com doenças mentais — limites que a expansão proposta pelo prefeito provavelmente violará”, acrescentou, em nota. Para ela, forçar as pessoas a se tratarem é uma “estratégia fracassada”.

Relacionadas

Leia mais sobre:

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade