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O dia em que um Boeing 747 virou planador sobre o Índico e evitou uma grande tragédia

Resolução de caso em 1982 levou indústria a rever protocolos e a adotar cuidados especiais ante o risco das cinzas vulcânicas na aviação

Boeing da British Airways que entrou em situação de emergência sobre o Oceano Índico em 1982: novo protocolo na aviação mundial | Foto: Wikimedia Commons
Boeing da British Airways que entrou em situação de emergência sobre o Oceano Índico em 1982: novo protocolo na aviação mundial | Foto: Wikimedia Commons

Na noite de 24 de junho de 1982, o voo 009 da British Airways se tornou protagonista de um dos episódios mais impressionantes da história da aviação comercial. Durante o trajeto entre Kuala Lumpur e Perth, o Boeing 747-200 perdeu, de forma simultânea, os quatro motores enquanto sobrevoava o oceano Índico, próximo à Indonésia.

O comandante Eric Moody, então com 41 anos, fez um anúncio que entraria para a história: “Estamos com um pequeno problema. Todos os quatro motores pararam de funcionar”. Com 263 pessoas a bordo, o avião transformou-se em um planador a mais de 11 km de altitude.

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Boeing, uma fumaça estranha e brilhos nas asas

O incidente começou quando tripulantes notaram uma fumaça com odor sulfuroso na cabine. Em seguida, os quatro motores pararam um a um, enquanto a aeronave exibia brilhos nas asas e na fuselagem. Primeiramente, os pilotos imaginaram ser o chamado “Fogo de Santelmo”, um fenômeno atmosférico raro.

Sem propulsão e com falhas em instrumentos críticos, o avião começou a perder altitude rapidamente. A tripulação considerou um pouso de emergência no mar, enquanto tentava ligar novamente os motores. A 3.800 metros de altitude, os motores começaram a funcionar novamente, um depois do outro. Assim, o avião conseguiu sobrevoar uma cordilheira que separava a aeronave do aeroporto de Jacarta, que seria o destino alternativo.

Cinzas invisíveis e mudanças na aviação

Apesar de um novo susto, principalmente em razão do retorno do brilho nas asas e a falha de um dos motores, o 747 pousou com segurança na pista 26 do aeroporto Halim, na capital da Indonésia. Nenhum dos ocupantes se feriu. A causa do incidente só se esclareceu depois de a Rolls-Royce inspecionar os seus motores. Constatou-se que cinzas vulcânicas do Monte Galunggung haviam penetrado nas turbinas, formando bloqueios que interromperam o fluxo de ar. Com a descida e o resfriamento, esses bloqueios se desfizeram.

O episódio levou à revisão dos protocolos de segurança na aviação. Hoje, serviços de meteorologia monitoram continuamente as cinzas vulcânicas e orientam o desvio de rotas quando há risco. O caso do voo 009 se tornou referência mundial em profissionalismo e preparo técnico em situações extremas.

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1 comentário
  1. Antonio Carlos Cavalieri DOro
    Antonio Carlos Cavalieri DOro

    Preparo técnico e frieza do comandante!

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