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Esquerdista mantém liderança apertada no Peru com 96,4% das urnas apuradas

Roberto Sánchez tem diferença mínima sobre Keiko Fujimori; votos do exterior podem influenciar resultado final

A candidata conservadora Keiko Fujimori, em pronunciamento sobre o combate ao terrorismo | Foto: Reprodução/X
A candidata conservadora Keiko Fujimori, em pronunciamento sobre o combate ao terrorismo | Foto: Reprodução/X

A eleição presidencial do Peru continua indefinida. Por volta das 20h40 (horário de Lima), 96,4% dos votos haviam sido apurados pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (Onpe). Restando pouco mais de 3% das urnas, o candidato de esquerda Roberto Sánchez mantém uma vantagem estreita sobre a conservadora Keiko Fujimori.

Os números mais recentes mostram uma disputa praticamente empatada. Sánchez aparece pouco acima dos 50% dos votos válidos, enquanto Keiko permanece ligeiramente abaixo dessa marca. A distância entre os dois candidatos gira em torno de 40 mil votos, número pequeno diante do universo de mais de 17 milhões de sufrágios em análise.

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Peru e a alternância do perfil eleitoral

A dinâmica da apuração ajuda a explicar o cenário. Keiko liderou nas primeiras horas da contagem, impulsionada pelos votos de Lima e de grandes centros urbanos. Posteriormente, Sánchez assumiu a dianteira com a incorporação dos votos de regiões rurais e andinas, onde possui maior apoio. A partir da noite desta segunda-feira, 8, a diferença voltou a diminuir à medida que entram na contagem os votos de peruanos residentes no exterior, segmento em que Keiko costuma apresentar desempenho superior.

Embora a apuração principal esteja próxima do fim, o resultado oficial definitivo ainda pode demorar. Autoridades eleitorais peruanas já revelaram que a conclusão formal do processo, incluindo a análise de atas contestadas, recursos e votos pendentes, pode se estender por várias semanas, possivelmente até julho. Em disputas tão apertadas, cada ata revisada pode ter impacto relevante no resultado final.

Leia também: “O crime e o voto”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 325 da Revista Oeste

O contexto político aumenta a tensão em torno da contagem. O Peru atravessa um longo período de instabilidade institucional, marcado por sucessivas trocas de presidentes e confrontos entre Executivo e Congresso. A vitória de Sánchez representaria a volta de esquerda raiz ao poder, enquanto um triunfo de Keiko Fujimori marcaria sua primeira eleição à Presidência depois de três derrotas em disputas anteriores.

Com menos de 4% dos votos ainda pendentes e uma diferença mínima entre os candidatos, a eleição permanece em aberto. A tendência dos próximos lotes de votos — especialmente os provenientes do exterior e de atas em revisão — deverá definir quem comandará o país pelos próximos cinco anos.

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