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O 'golpe de mestre' de Netanyahu para defender Israel

Com o ataque ao Irã, o primeiro-ministro israelense pode ter evitado que a União Europeia sancione o país pelo que está ocorrendo em Gaza

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursa durante uma sessão plenária do Knesset, o Parlamento de Israel - 11/6/2025 | Foto: Ronen Zvulun/Reuters
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursa durante uma sessão plenária do Knesset, o Parlamento de Israel - 11/6/2025 | Foto: Ronen Zvulun/Reuters

A União Europeia é um bloco dividido. Em relação a Israel, a divisão é profunda, como vem sendo demonstrado desde o início das ações militares em Gaza, em resposta ao massacre perpetrado pelos terroristas do Hamas, em 7 de outubro de 2023.

Os países mais fechados com Israel são Alemanha, Áustria, Itália, República Tcheca e Hungria; os mais propensos a apoiar os palestinos são Bélgica, Eslovênia, Espanha e Irlanda.

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A França, por sua vez, mostra-se errática, em virtude também da força crescente do eleitorado muçulmano no país.

Pouco antes de Israel bombardear o Irã, o presidente Emmanuel Macron passou a defender, por exemplo, que Paris reconhecesse a Palestina como Estado, o que seria uma reviravolta histórica. Dos grandes países da União Europeia, apenas a Espanha reconhece.

Até a semana passada, contudo, as nações europeias mais alinhadas a Israel começavam a mostrar rachaduras no seu apoio, incomodadas com o fato de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu continuar a bombardear alvos civis em Gaza e a instalar ilegalmente colonos judeus na Cisjordânia palestina.

O chanceler alemão Friedrich Merz criticou “o nível de sofrimento infligido à população civil” em Gaza, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, igualmente alemã, fez coro ao compatriota ao dizer que “a expansão das operações militares israelenses” tinha consequências “abomináveis”, em especial para as crianças.

A coisa se encaminhava para que, nesta segunda-feira, na reunião dos ministros de Relações Exteriores dos países da União Europeia que ocorrerá em Bruxelas, o acordo de associação entre o bloco e Israel fosse reexaminado e os israelenses fossem punidos no aspecto comercial — o que representaria outro choque para a economia do país, que se encontra praticamente parada desde a primeira chuva de foguetes iranianos.

Israel vai reinar na Europa

O ataque de Israel ao Irã pode ter revertido essa tendência. O mesmo Friedrich Merz que criticou os israelenses pelo que estão fazendo em Gaza agora afirma que o Ocidente deveria ser grato a Israel, porque, ao atacar as instalações nucleares iranianas, os israelenses estavam “fazendo o trabalho sujo por todos nós”.

“Só posso dizer que temos grande respeito pelo fato de o Exército e o governo israelense terem a coragem de fazer isso”, disse o primeiro-ministro alemão. “Caso contrário, poderíamos continuar a ver o terror deste regime por meses e anos e, possivelmente, com uma arma nuclear em mãos.”

O mais provável, portanto, é que a divisão clássica volte a se manifestar na reunião em Bruxelas para alívio dos israelenses, já que, para serem punidos, é necessária uma maioria qualificada de 15 países que representem ao menos 65% da população do bloco. Sem Alemanha, Itália e talvez a errática França, a punição será impossível e o acordo de associação seguirá valendo na íntegra. Se isso ocorrer, será forte a pressão dos adversários de Israel para que o assunto volte a ser discutido em outra reunião, a dos chefes de Estado e de governo da UE, prevista para ocorrer em 26 de junho. Mas é duvidoso que eles revertam uma decisão tomada dias antes.

Um observador da cena europeia resumiu para o jornal Le Parisien: “A análise em Bruxelas é que Netanyahu executou um golpe de mestre diplomático”. Ou seja, o primeiro-ministro apostou na divisão para reinar na Europa.

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