Exames conduzidos por laboratórios europeus identificaram, no corpo de Alexei Navalny, uma toxina rara extraída de rãs sul-americanas. Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Holanda afirmam que a substância explica a morte do opositor russo em 2024.
Segundo comunicado conjunto divulgado neste sábado, 14, análises toxicológicas detectaram epibatidina, substância conhecida pela alta toxicidade. Os governos alegam que, diante dos sintomas relatados à época e da presença da toxina nas amostras biológicas, a hipótese de envenenamento é a mais consistente com os dados laboratoriais.
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Navalny morreu enquanto cumpria pena em uma colônia penal na região ártica da Rússia. As autoridades russas declararam, à época, que a morte decorreu de causas naturais. A nova avaliação europeia contesta essa versão e afirma que a administração da substância teria ocorrido sob custódia do Estado.
No comunicado, os cinco países afirmam que o caso levanta preocupações adicionais sobre o cumprimento das obrigações internacionais assumidas por Moscou, incluindo compromissos ligados à proibição de armas químicas. Representantes desses governos informaram que comunicaram suas conclusões à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e solicitaram esclarecimentos formais.
Kremlin rechaça análise europeia
A epibatidina é uma molécula isolada originalmente em espécies de rãs-flecha. Em ambiente científico, é estudada por seus efeitos sobre o sistema nervoso, mas seu uso fora de laboratório é considerado perigoso. Pequenas quantidades podem provocar colapso respiratório.
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O Kremlin voltou a negar envolvimento e manteve a versão oficial de que Navalny morreu por problemas de saúde. Até o momento, autoridades russas não reconheceram a validade das análises apresentadas pelos governos europeus.
Quem foi o opositor de Putin
Alexei Navalny foi o principal nome da oposição ao presidente Vladimir Putin na última década. Advogado de formação, ganhou projeção ao investigar esquemas de corrupção envolvendo estatais russas e integrantes do alto escalão do governo. Seus vídeos e relatórios, divulgados na internet, alcançaram milhões de visualizações e mobilizaram manifestações em diversas cidades do país.
Navalny chegou a disputar a Prefeitura de Moscou em 2013 e terminou em segundo lugar, resultado que consolidou seu peso político mesmo sob forte pressão institucional. Ao longo dos anos seguintes, acumulou processos judiciais e condenações que seus aliados classificavam como politicamente motivadas. Em 2020, sobreviveu a um envenenamento atribuído por governos ocidentais ao uso do agente nervoso novichok — acusação que o Kremlin negou.
Depois de retornar à Rússia em 2021, foi preso no Aeroporto de Moscou e condenado a penas que somavam mais de 30 anos de prisão. Cumpria sentença em uma colônia penal na região ártica quando morreu, em fevereiro de 2024.




































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