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Partido governista de Honduras exige anulação das eleições

O Libre, da candidata de esquerda Rixi Moncada, denunciou suposta interferência dos EUA e falhas na apuração dos votos

Tito Asfura e Salvador Nasralla, candidatos à Presidência de Honduras | Fotos: Reprodução
Nasry Tito Asfura e Salvador Nasralla lideram a corrida pela Presidência de Honduras | Foto: Reprodução

O partido governista de Honduras, o esquerdista Libre, exigiu, neste domingo, 7, a anulação completa das eleições presidenciais, com o argumento de “interferência” dos Estados Unidos. A legenda também anunciou a intenção de pedir uma investigação sobre supostos episódios de “terrorismo eleitoral”, que teriam ocorrido devido a falhas no sistema de transmissão dos resultados.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não divulga novas atualizações desde a última sexta-feira, 5, o que aumenta a tensão sobre o desfecho da votação. O Libre convocou greves, protestos e mobilizações, além de orientar servidores a não colaborarem com a transição de governo. A sigla também marcou uma Assembleia Extraordinária da Dignidade Nacional para 13 de dezembro.

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Conforme o último boletim, Nasry Asfura, do Partido Nacional de Honduras, liderava, com 40,19% dos votos, cerca de 20 mil à frente de Salvador Nasralla, do Partido Liberal de Honduras, que registrava 39,49%. A socialista Rixi Moncada, do Libre, figurava em terceiro lugar, com 19,30%. Até o momento, 88% das cédulas haviam sido apuradas.

Segundo a Reuters, o CNE informou que aproximadamente 14% das cédulas enfrentaram inconsistências e requerem revisão, sem previsão para finalização da apuração ou divulgação de novos resultados. Depois de Rixi convocar manifestações em Tegucigalpa e outras cidades, a crise política ganhou força, mas a presidente Xiomara Castro permanece em silêncio quanto aos posicionamentos do partido.

Repercussão internacional das eleições em Honduras

A Organização dos Estados Americanos (OEA) recomendou, no sábado 6, maior agilidade na contagem dos votos. Já em 1º de dezembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, se pronunciou.

“Parece que Honduras está tentando mudar os resultados de sua eleição presidencial. Se fizerem isso, haverá um preço alto a pagar! O povo de Honduras votou em números impressionantes em 30 de novembro”, afirmou em publicação na rede social Truth Social. “O Conselho Nacional Eleitoral, o órgão oficial responsável pela contagem dos votos, interrompeu abruptamente a contagem à meia-noite de 30 de novembro.”

Lula na Celac
Lula faz discurso na Celac, em Honduras | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Leia a nota completa do Libre

“Condenamos a interferência e a coerção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições hondurenhas. Condenamos o indenização concedida pelo presidente Donald Trump ao traficante de drogas Juan Orlando Hernández no contexto do processo eleitoral hondurenho.

Ordenamos que a interferência estrangeira do presidente Donald Trump e o crime de traição contra a nação por suplantar e abusar da soberania popular sejam denunciados à ONU, à OEA, à Celac e a outras organizações. Solicita-se a anulação completa das eleições e exige-se uma investigação sobre os atos de terrorismo eleitoral realizados por meio do sistema de transmissão Trep, conforme denunciado nas 26 gravações de áudio.

A mais alta autoridade do Partido Libre é a sua Assembleia Nacional Extraordinária, convocada para o próximo sábado, 13 de dezembro.

Mobilizações, assembleias locais e departamentais, protestos, greves e ocupações são convocados. A Coordenação Nacional do Partido Libre, em defesa da democracia, ao povo hondurenho, aos nossos membros combativos e à comunidade nacional e internacional, declara:

1. O Libre não reconhece as eleições realizadas sob a interferência e coerção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da oligarquia aliada, que atacaram o povo hondurenho com um golpe eleitoral em curso, depois de enviar milhões de mensagens por diferentes plataformas ameaçando o povo: que se votarem em Rixi, não receberão remessas em dezembro; minando assim a soberania popular. Ontem, sábado, 6 de dezembro, foi demonstrado na Sessão Plenária dos Conselheiros que o sistema de transmissão Trep teve seu código-fonte manipulado. Sem utilizar as três chaves do sistema de segurança e pelas costas dos técnicos responsáveis, o software foi alterado e adulterado, violando a Lei Eleitoral e os protocolos de segurança, conforme confirmado nos módulos de contagem e divulgação de votos e nos módulos de processamento das atas de apuração; com 5 mil atas de apuração apresentando resultados zerados;

Inconsistências em 95,17% das atas de apuração transmitidas relacionadas ao sistema biométrico; 4.659 atas de apuração sem comprovação biométrica; e as constantes falhas do site de divulgação indicam intervenções contra o software original comprometido. Os sites de divulgação permanecem alterados e sem atualização há três dias consecutivos. Possíveis ligações diretas do Partido Nacional com o Trep-CNE (Sistema de Transmissão de Resultados Preliminares – Conselho Nacional Eleitoral) para a manipulação dos resultados estão sendo denunciadas.

2. Condenamos o indulto concedido ao narcotraficante Juan Orlando Hernández diretamente pelo Presidente Donald Trump no âmbito do processo eleitoral hondurenho; Exigimos que as acusações correspondentes sejam formalizadas e que seja expedido um mandado de prisão internacional pelos seus crimes contra o território (Zede) e por violar a Constituição através da reeleição ilegal.

3. Rejeitamos a narrativa imperialista do comunismo usada como ataque contra a nossa candidata, Rixi Moncada.

4. O Partido Libre repudia unanimemente qualquer funcionário público que ofereça os seus serviços e anuncie a sua disponibilidade para cooperar na transição governamental com os inimigos do povo, os perpetradores deste golpe eleitoral em curso.

5. O Partido Libre ordena unanimemente aos candidatos eleitos sob este sistema fraudulento que não se filiem a qualquer organização sem a autorização do Partido.

6. Uma “Assembleia Extraordinária da Dignidade Nacional” é convocada para sábado, 13 de dezembro, e um voto de confiança é concedido unanimemente à Coordenadora Geral e candidata Rixi Moncada.

Aqui, ninguém se rende! Não ao golpe eleitoral, não à interferência!

Dado em Tegucigalpa, M.D.C., no dia 7 de dezembro de 2025

Coordenação Nacional

Partido Liberdade e Refundação

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2 comentários
  1. FRANCISCO FERREIRA
    FRANCISCO FERREIRA

    Impressionante como a esquerda, em qualquer lugar do planeta, é cínica e se recusa a largar o osso. Haja vista o que fizeram no Bananil.

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