Ao analisar o tabuleiro global de 2026, torna-se evidente que a criação do Board of Peace (BoP), por Donald Trump, não foi um ato impulsivo, mas uma leitura realista sobre a obsolescência das instituições do século XX. Enquanto a burocracia europeia se apega a dogmas, Trump identificou a falência terminal da ONU — hoje um fórum de paralisia deliberativa e parasitismo burocrático. Percebendo que a ordem de 1945 ruiu sob o peso da ineficiência, ele propôs uma nova gramática: o pragmatismo transacional elevado ao nível de governança global.
Este vácuo institucional já havia impulsionado a expansão dos Brics. Historicamente, o bloco consolidou-se mais como um sintoma de descontentamento com a hegemonia do G7 do que como uma aliança integrada. Contudo, a estratégia da política externa americana agora demonstra inteligência ao explorar as fissuras dessa arquitetura idealizada pela China. O Brics+, um “casamento de conveniência”, abriga tensões profundas entre exportadores de energia e importadores asiáticos. É precisamente nessa brecha que o BoP se insere.
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O movimento americano enfraquece o Brics ao oferecer o que Pequim nunca pôde: acesso imediato e direto ao epicentro do poder econômico e militar, sem as amarras diplomáticas. Ao instituir uma taxa de US$ 1 bilhão por um assento permanente, Trump não está apenas “vendendo influência”, mas realizando uma filtragem de relevância. Ele transforma a geopolítica em um ambiente de private equity, onde o aporte financeiro garante um stakeholder com voz ativa. Para nações como Índia, Arábia Saudita ou Brasil, a oferta é tentadora: deixar de ser “sócio minoritário” da China para ser sócio direto na gestão da economia global sob a égide do dólar.
Este jogo altera a ordem internacional de forma irreversível. Ao contornar a ONU, retira-se da Rússia e da China sua ferramenta mais potente: o poder de veto. No BoP, o poder emana da capacidade de execução e recursos. Se os grandes fluxos de capital e garantias de segurança passarem pelo “balcão” do BoP, as cúpulas do Brics e as assembleias da ONU esvaziam-se. O pragmatismo de Trump força o Sul Global a uma escolha binária: a retórica de um bloco emergente ou a eficácia transacional de quem controla a moeda global.
A engenharia política dos EUA aplica um xeque-mate sem confronto direto. Em vez de destruir o Brics com sanções, Washington o torna irrelevante. Ao atrair os membros mais influentes do bloco através do lucro e da segurança, ocorre uma fragmentação interna. Sem a Índia ou os gigantes do petróleo, o Brics reduz-se a um eixo sino-russo isolado, perdendo sua legitimidade como voz do mundo em desenvolvimento. Trump entendeu que, no caos institucional contemporâneo, a influência é conquistada por resultados rápidos. O BoP é a materialização de uma ordem onde a diplomacia é substituída pela negociação executiva. Se a iniciativa vingar, a história registrará que o fim da ameaça sistêmica dos blocos rivais não veio de uma guerra, mas de uma reconfiguração do tabuleiro. É o triunfo da realpolitik sobre o idealismo: um xeque-mate silencioso que substitui o direito internacional pela governança corporativa.
Leia também: “O Brasil na rota do terrorismo”, artigo publicado na Edição 310 da Revista Oeste






































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