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Pela 1ª vez, ciência reverte envelhecimento de óvulos

Durante os estudos, foi possível modificar esse processo com um antiviral inicialmente criado para o tratamento da aids

Óvulo e espermatozoides tentando penetrar
Ainda de acordo com o estudo, a taxa de fertilidade total global caiu para mais da metade nos últimos 70 anos | Foto: Reprodução/Flickr

Pesquisadores conseguiram descobrir um mecanismo responsável pelo envelhecimento de óvulos, um empecilho para mulheres que desejam ter filhos em idades mais avançadas. Durante os estudos, foi possível reverter esse processo com um antiviral inicialmente criado para o tratamento da aids. Com a descoberta, agora, reverter essa situação pode ter chegado um passo mais perto de se tornar realidade.

No estudo, recém-publicado na revista científica Aging Cell, os pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, identificaram que o envelhecimento do óvulo provoca a perda de processos do gameta — células responsáveis pela reprodução — que impedem que essas partes prejudiciais do material genético se tornem ativas. Com isso, ao passo que envelhecem, os óvulos passam a ser afetados por esses danos e perdem a capacidade reprodutiva.

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Ainda na juventude, os óvulos começam a acumular danos ao seu material genético, e esse processo gradual leva os gametas a eventualmente não conseguirem mais amadurecer e ser fertilizados.

Isso acontece porque uma parte considerável do genoma humano é feita de sequências semelhantes a vírus ou fragmentos de vírus, que são os responsáveis por, com o tempo, danificar o óvulo.

Os pesquisadores descobriram como esse mecanismo que envelhece os óvulos funciona e conseguiram revertê-lo com um antiviral inicialmente criado para o tratamento da aids, a zidovudina, ou AZT.

Os cientistas decidiram testar, então, se um antiviral chamado inibidor da transcriptase reversa, usado para prevenir danos ao DNA em infecções virais, poderia impedir a atuação dessas partes danosas do material genético do óvulo que se assemelham a fragmentos de vírus.

Para isso, eles adicionaram doses baixas do antiviral AZT (zidovudina), que é indicado para o tratamento da aids, em óvulos mais velhos de camundongos.

O processo conseguiu resgatar parcialmente os gametas envelhecidos, com os índices baixos de maturação sendo elevados em até 28%. O resultado, positivo, é o primeiro do tipo a conseguir reverter o processo de envelhecimento dos óvulos.

Ainda assim, os gametas que passaram pelo processo de reversão dos danos que impedem sua maturação não foram fecundados como parte do estudo, então ainda há dúvidas sobre a capacidade final do procedimento de restaurar a fertilidade dos óvulos.

Mas os resultados são uma boa notícia numa época em que a decisão de ser mãe é tomada cada vez mais tarde.

“Dentro de uma década, esperamos ser capazes de aumentar a fertilidade entre mulheres mais velhas utilizando medicamentos antivirais”, disse o autor principal do estudo, Michael Klutstein.

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