O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, comemorou nesta segunda-feira, 8, a provável vitória da esquerda no segundo turno das eleições presidenciais do Peru, mesmo sem a conclusão oficial da apuração. Com pouco mais de 95% das urnas contabilizadas, o candidato Roberto Sánchez aparece à frente da adversária conservadora, Keiko Fujimori.
A definição do resultado, contudo, ainda pode levar vários dias em razão do processo de contagem dos votos remanescentes. A diferença de número de votos entre os dois candidatos é acirrada.
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“O progressismo acaba de vencer a Presidência do Peru e derrotou a força de extrema direita mais radical do país, representada pela família Fujimori”, escreveu Petro no X. O socialista anunciou também a intenção de restabelecer integralmente os laços diplomáticos com o governo peruano.
A disputa presidencial peruana colocou frente a frente Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000, e Roberto Sánchez, considerado herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo. Castillo está preso desde 2022, quando tentou dissolver o Congresso e governar por decreto, medida classificada pelas autoridades como uma tentativa de autogolpe.
Petro aproveitou a ocasião para renovar críticas à candidata conservadora. Segundo ele, Keiko teria interferido na política colombiana por meio de uma “rede internacional fascista”. Em outra publicação, o ex-guerrilheiro afirmou: “Se você perder as eleições no Peru é por causa do seu pai, que foi um criminoso contra a humanidade”.
A mensagem foi acompanhada de um vídeo no qual Keiko, durante a campanha eleitoral de 2023, pede que Petro não “enfiasse o nariz vermelho” nos assuntos internos do Peru.

As declarações ocorrem em um momento de forte polarização política na Colômbia. O país se prepara para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 21 de junho, quando a candidata alinhada ao atual governo disputará a Presidência contra um concorrente identificado pela esquerda como representante da “extrema direita”.
Sem possibilidade de disputar a reeleição, Petro enfrenta pressão política desde o primeiro turno colombiano. O candidato apoiado pelo governo terminou a votação em segundo lugar em uma eleição marcada pela pior escalada de violência registrada no país na última década.
Relações entre Peru e Colômbia estão tensas desde 2023
As relações entre Colômbia e Peru permanecem tensionadas desde março de 2023. Na ocasião, o governo peruano retirou seu embaixador em Bogotá em resposta a declarações de Petro sobre a destituição de Pedro Castillo e a posse da então vice-presidente Dina Boluarte. As autoridades peruanas classificaram os comentários do colombiano como uma interferência em assuntos internos do país.
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