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Polícia faz buscas em escritórios do X em Paris

Apuração envolve o uso do Grok, sob suspeitas de difusão de conteúdo ilegal

logotipo da Grok é exibido em um smartphone com Elon Musk ao fundo | Foto: Shutterstock
logotipo da Grok é exibido em um smartphone com Elon Musk ao fundo | Foto: Shutterstock

A polícia da França cumpriu, na manhã desta terça-feira, 3, mandados de busca em escritórios do X, rede social do bilionário Elon Musk, em Paris. A apuração abrange o funcionamento do Grok, serviço de inteligência artificial da plataforma.

As ações estão relacionadas a uma investigação iniciada há mais de um ano sobre o suposto uso abusivo de algoritmos no X e foram conduzidas pela unidade de crimes cibernéticos da Procuradoria de Paris. A investigação envolve a polícia francesa, o Ministério Público da França e a Europol, agência de inteligência da União Europeia.

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De acordo com o Ministério Público de Paris, os investigadores buscam esclarecer se o sistema contribui para a ampliação da disseminação de imagens de pornografia infantil na rede social e se teria participação na divulgação de deepfakes de cunho sexual. Até o momento, nem a rede social nem Musk se manifestaram oficialmente.

elon musk
Elon Musk, o homem mais rico do mundo | Foto: Artur Piva/Grok

Polícia de Paris quer ouvir Elon Musk

No âmbito da investigação, a polícia francesa pretende ouvir Elon Musk e a ex-CEO do X Linda Yaccarino em abril. Ambos foram convocados para prestar depoimento em uma audiência que integra o inquérito sobre suspeitas de uso indevido de algoritmos e de extração fraudulenta de dados de usuários por funcionários da empresa.

Segundo reportagem do jornal norte-americano The Washington Post, funcionários do X teriam atuado sob pressão para flexibilizar as diretrizes de moderação de conteúdo sexual, em uma mudança de estratégia voltada a ampliar a popularidade da inteligência artificial.

A empresa teria enviado um comunicado interno em que alerta que os trabalhadores lidariam com “conteúdo sensível, violento e sexual”, direcionado à equipe responsável por treinar as respostas do chatbot.

Ainda segundo o jornal, o treinamento do Grok teria incluído a análise de conteúdos explícitos, como áudios e interações sexuais, incluindo conversas realizadas por usuários em veículos da Tesla.

A alteração na postura do chatbot teria contado com envolvimento direto de Musk. Depois de sair de um cargo no governo dos Estados Unidos, o bilionário teria se dedicado intensamente à transição do sistema, com a defesa de métricas voltadas à maximização do engajamento.

Elon Musk negou as acusações e afirmou não ter conhecimento de que o Grok tenha gerado imagens de menores de idade nus. “Quando solicitado a criar imagens, o Grok se recusará a produzir qualquer coisa ilegal, pois seu princípio de funcionamento é obedecer às leis de cada país”, declarou o empresário ao Washington Post.

Leia também: “Liberdade de expressão em perigo“, reportagem de Loriane Comeli publicada na Edição 303 da Revista Oeste

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