publicidade
Mundo

Como foi possível um ataque com pagers-bombas no Líbano? Entenda todas as hipóteses técnicas

Existem várias hipóteses de como foram detonados milhares de eletrônicos do Hezbollah que provocaram quase três mil feridos e onze mortos

Uma pessoa é carregada em uma maca do lado de fora do Centro Médico da Universidade Americana de Beirute (AUBMC) enquanto pessoas, incluindo combatentes e médicos do Hezbollah, foram feridas e mortas quando os pagers que eles usam para se comunicar explodiram em todo o Líbano , de acordo com uma fonte de segurança, em Beirute, Líbano, em 17 de setembro de 2024. REUTERS/Mohamed Azakir TPX IMAGENS DO DIA
Uma pessoa é carregada em uma maca do lado de fora do Centro Médico da Universidade Americana de Beirute (AUBMC) enquanto pessoas, incluindo combatentes e médicos do Hezbollah, foram feridas e mortas quando os pagers que eles usam para se comunicar explodiram em todo o Líbano , de acordo com uma fonte de segurança, em Beirute, Líbano, em 17 de setembro de 2024. REUTERS/Mohamed Azakir TPX IMAGENS DO DIA

O ataque realizado nesta terça-feira, 17, no Líbano contra milhares de membros do grupo terrorista xiita Hezbollah, através de pagers explosivos, é considerado sem precedentes pelos analistas.

Uma pessoa é carregada em uma maca do lado de fora do Centro Médico da Universidade Americana de Beirute (AUBMC) enquanto pessoas, incluindo combatentes e médicos do Hezbollah, foram feridas e mortas quando os pagers que eles usam para se comunicar explodiram em todo o Líbano , de acordo com uma fonte de segurança, em Beirute, Líbano, em 17 de setembro de 2024. REUTERS/Mohamed Azakir TPX IMAGENS DO DIA
Uma pessoa é carregada em uma maca do lado de fora do Centro Médico da Universidade Americana de Beirute (AUBMC) enquanto pessoas, incluindo combatentes e médicos do Hezbollah, foram feridas e mortas quando os pagers que eles usam para se comunicar explodiram em todo o Líbano , de acordo com uma fonte de segurança, em Beirute, Líbano, em 17 de setembro de 2024. REUTERS/Mohamed Azakir TPX IMAGENS DO DIA

A pergunta que todos estão se ponto é: como foi possível explodir milhares de pequenos aparelhos eletrônicos ao mesmo tempo?

Receba nossas atualizações

O ataque foi ousado, mas não parece ser tão sofisticado do ponto de vista tecnológico.

Saiba mais: ‘Operação misteriosa’ deixa feridos centenas de integrantes do Hezbollah

Até o momento cerca de 2,7 mil pessoas ficaram feridas e 11 morreram em todo o território libanês.

O principal suspeito do ataque é o serviço de inteligência de Israel, o Mossad, que no passado já realizou operações parecidas. Mas até o momento não há comentários vindo do governo israelense.

Um oficial do Hezbollah levantou a hipótese de que um malware, um programa informático malicioso, possa ter causado a explosão.

Saiba mais: Presidente do Irã critica Ocidente por apoio a Israel

Ele relatou que algumas pessoas sentiram os pagers esquentando e se livraram deles antes que explodissem.

Por que usar ainda pagers?

Os militantes do Hezbollah continuam a usar pagers, considerados como ferramentas de comunicação superadas, porque são mais difíceis de serem interceptadas pelos serviços secretos.

Permanece o mistério sobre como foi possível inserir o malware nesses pagers, considerando também a natureza quase simultânea das explosões.

Saiba mais: Rebeldes houthis do Iêmen atacam Israel com míssil hipersônico

Israel poderia ter conseguido colocar as mãos em todos os pagers, interceptando o fornecimento dos aparelhos para o Hezbollah, aberto os eletrônicos e manipulado os circuitos para que pudessem controlar remotamente a explosão com um comando unificado.

O explosivo provavelmente foi colocado perto da bateria, para fazê-la explodir numa reação em cadeia.

Em outra hipótese, os agentes do Mossad instalaram um trojan, outro vírus informático, nestes dispositivos.

O trojan abre uma porta oculta em um sistema, que pode ser usada por técnicos que o instalaram.

O mecanismo é semelhante ao do malware ransomware comum, usado por criminosos cibernéticos para criptografar o conteúdo dos discos rígidos e depois exigir um resgate das empresas afetadas para desbloquear os dados.

Comando de radiofrequência

Uma outra hipótese envolve o uso de frequências de rádio especiais.

Os agentes do Mossad poderiam ter manipulado os circuitos e antenas dos pagers para fazê-los reagir a frequências rádio específicas. Em seguida, teriam disparado os sinais em um amplo alcance para atingir todos os pagers envolvidos.

Nesta hipótese os pagers foram instruídos a ativar o explosivo.

Superaquecimento da bateria

A última hipótese não inclui o uso de explosivos. Nesse caso, o Mossad poderia ter superaquecido os pagers, com controles remotos, fazendo a bateria explodir.

O comando pode chegar explorando vulnerabilidades de computador ligados a esses pagers ou, novamente, trojans instalados para esse fim específico.

Esta terceira hipótese é menos convincente, pois segundos analistas o resultado não é garantido, como acontece com o uso de explosivo.

Dificuldades técnicas de instalar vírus em pagers

Instalar um vírus ou um trojan em um pager também não é o mesmo que fazê-lo em um computador ou smartphone.

E-mails contendo o vírus não podem ser usadas, pois não são abertas pelos aparelhos.

Mesmo nesta hipótese, em suma, é provável que agentes do Mossad tenham colocado pessoalmente as mãos nos pagers para instalar o Trojan ou manipular os circuitos e antenas.

Todavia, se conseguissem interceptar uma carga sem serem descobertos poderiam muito bem adicionar o explosivo e ter certeza de conseguir detonar os aparelhos, vitimando seus usuários.

Os precedentes de Israel

Israel é conhecido há anos pelas suas capacidades de segurança cibernética, também em virtude da sua colaboração com agentes dos serviços de inteligência dos EUA.

O país já utilizou dispositivos de comunicação no passado para realizar assassinatos seletivos de terroristas ou líderes de grupos como Hamas e Hezbollah.

Depois de ser atingido por uma série de atentados suicidas na década de 1990, Israel matou o especialista em bombas do Hamas, Yahya Ayyash, colocando um explosivo em um telefone que foi detonado perto de seu ouvido.

Outro caso famoso foi o do vírus Stuxnet, resultado de uma comprovada colaboração entre Israel e os Estados Unidos.

Usado em 2010 para atingir instalações nucleares iranianas, o Stuxnet teve como alvo controladores lógicos programáveis ​​(PLCs) usados ​​para automatizar processos de enriquecimento do urânio.

Saiba mais: Netanyahu amplia objetivos militares para conter Hezbollah

O vírus era tão sofisticado que desde então sofreu “mutações” e se espalhou para outras instalações industriais e de produção de energia do Irã.

O Stuxnet supostamente destruiu numerosas centrífugas na usina de enriquecimento de urânio localizadas na cidade de Natanz, atrasando dessa forma o programa de armas nucleares iraniano.

Ao longo do tempo, outros especialistas informáticos de Israel modificaram o vírus para atingir instalações como estações de tratamento de água, centrais eléctricas e linhas de gás do Irã.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.