publicidade
Mundo

Reconhecimento do Estado palestino é visto com desconfiança

Nesta semana, países como França e Reino Unido vão reconhecer, na ONU, a Palestina como Estado

Bandeira da Palestina é hasteada ao lado da bandeira da ONU | Foto: Reprodução/Redes sociais
Bandeira da Palestina é hasteada ao lado da bandeira da ONU | Foto: Reprodução/Redes sociais

A expectativa de reconhecimento do Estado palestino por países como França, Reino Unido, Austrália e Canadá representa uma tentativa de reanimar a via diplomática para a solução de dois Estados, proposta historicamente para o conflito entre israelenses e palestinos.

+ WSJ expõe farsa de Abbas para conseguir o reconhecimento do Estado da Palestina

Receba nossas atualizações

Apesar dos esforços recentes, o cenário para a criação de dois Estados nunca esteve tão distante, afirma o The Wall Street Journal. Analistas disseram ao jornal que o agravamento da ofensiva militar de Israel em Gaza elevou a desconfiança entre as populações e tornou o diálogo sobre divisão territorial cada vez mais improvável. Para Israel e EUA, o reconhecimento da Palestina como Estado vai premiar o Hamas, grupo terrorista que governa Gaza.

Levantamentos nas décadas de 1990 e 2000 mostravam apoio majoritário à proposta, mas atualmente apenas uma parcela reduzida de israelenses e palestinos acredita em sua viabilidade. Defensores da partilha perderam força política, e a maioria não aposta em mudanças substanciais impulsionadas por pronunciamentos internacionais.

Ceticismo sobre o reconhecimento do Estado palestino

Ao WSJ, Diana Buttu, ex-negociadora palestina, afirmou que a solução de dois Estados “morreu há muito tempo”, ressaltando a ausência de vontade política para implementá-la.

Palestinos reconhecem o valor simbólico do reconhecimento, mas temem represálias. Mustafa Barghouti, político palestino pró-dois Estados, avaliou que os anúncios ocidentais chegam “muito pouco e muito tarde”.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Tasame Ramadan, ativista da região de Nablus, relatou que, depois do reconhecimento da Palestina por Espanha, Noruega e Irlanda, em maio de 2024, houve aumento de postos de controle, restrições de circulação e prisões na Cisjordânia. Ela afirmou ao WSJ que repressão semelhante ocorre agora, mas segue favorável ao reconhecimento internacional.

Ex-oficial de inteligência militar israelense e especialista da Universidade de Tel-Aviv, Michael Milshtein disse que as decisões diplomáticas recentes refletem o isolamento crescente do país diante das críticas globais pelo alto número de mortes em Gaza. “Um tsunami internacional está se aproximando de Israel”, declarou. Para ele, o impacto será sentido no cotidiano, do preço de produtos à mobilidade dos cidadãos.

Países vão reconhecer Estado palestino na ONU

Nesta semana, durante a Assembleia-Geral da ONU, esses países ocidentais devem anunciar oficialmente o reconhecimento do Estado palestino. A iniciativa integra um esforço internacional para buscar o fim da guerra em Gaza, que começou depois do ataque terrorista do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023.

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, e Emmanuel Macron, presidente da França | Foto: Reprodução/Redes sociais
Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, e Emmanuel Macron, presidente da França | Foto: Reprodução/Redes sociais

França e Arábia Saudita lideraram articulações nesse sentido desde o ano passado, organizando um encontro na ONU para debater a solução de dois Estados. O movimento resultou, em 12 de setembro, em uma declaração endossada por 142 países que defende cessar-fogo em Gaza, libertação de reféns, desarmamento do Hamas e normalização das relações entre Israel e o mundo árabe.

+ Israel critica Macron por reconhecimento do Estado Palestino

Israel e Estados Unidos votaram contra a declaração e criticaram a iniciativa de reconhecimento. “Tenho uma discordância com o primeiro-ministro nesse aspecto, uma das nossas poucas discordâncias, na verdade”, disse o presidente Trump, referindo-se ao líder esquerdista Keir Starmer.

Posição de Israel

O governo israelense argumenta que reconhecer a Palestina significaria premiar o Hamas, responsável pelo ataque a Israel em 7 de outubro. Já França e outros países buscam isolar o grupo, que rejeita o modelo de dois Estados. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, prometeu retaliação, sem detalhar quais medidas tomaria.

Benjamin Netanyahu Israel boicote Catar
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel | Foto: Ma’ayan Toaf/GPO

Membros da coalizão governista de Israel sugeriram, em resposta, a anexação da Cisjordânia ocupada. “Qualquer ação unilateral pode ser respondida com ação unilateral”, declarou Netanyahu na última segunda-feira, 15. “Não haverá Estado palestino”, completou.

Mais de 140 países, sobretudo do mundo em desenvolvimento, já reconhecem a Palestina. Governos ocidentais, até pouco tempo atrás, condicionavam esse passo a um acordo direto entre israelenses e palestinos sobre a criação de dois Estados.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade