Opositores acusam o regime da Venezuela de manipular a distribuição de donativos internacionais destinados às vítimas dos recentes terremotos. Segundo as denúncias, a presidente interina Delcy Rodríguez usa o controle sobre a entrega de mantimentos como manobra para garantir sobrevivência política. As informações constam em uma reportagem do jornal americano The New York Times.
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Segundo a matéria, o regime venezuelano proibiu a entrada de civis sem autorização em La Guaira, a área costeira mais afetada pelos tremores. Voluntários da oposição planejavam entregar mantimentos na região durante o fim de semana, mas enfrentaram o bloqueio das autoridades.
A ditadura argumentou que o fluxo de pessoas comuns obstruía o tráfego de maquinário pesado. Delcy Rodríguez fez um apelo público e cobrou cooperação da sociedade.
Ativistas políticos também denunciaram que o regime proibiu centros de coleta da oposição de exibirem placas com os dizeres “Centro de Doação”. A ditadura alegou que o termo é de uso exclusivo dos locais autorizados.
“Disseram-nos que não podíamos usar as palavras ‘centro de doação’, como se tivessem registrado a marca desses termos”, afirmou María Oropeza, dirigente do partido Vente. “É inevitável que tentem usar essa tragédia a seu favor para se manterem no poder.”
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Dirigentes partidários informaram que a polícia recuou da censura depois que multidões começaram a se aglomerar e a filmar as abordagens. Com isso, os voluntários retiraram as placas de alerta e mantiveram a operação de coleta.
O cálculo político da líder da Venezuela
“Aqueles que não têm funções de resgate ou segurança no estado de La Guaira devem, por favor, abster-se de viajar para lá, pois estão obstruindo a movimentação de pessoal necessário para que nossas forças militares, policiais, a Defesa Civil, bombeiros e equipes de resgate cheguem à zona do desastre”, disse Delcy. “São horas críticas.”
A líder interina pediu unidade e aceitou equipes de resgate de países com governos de direita, como El Salvador e Argentina. O consultor político Pablo Quintero explicou ao jornal a estratégia de sobrevivência do regime em meio à destruição.
“Diante de catástrofes, os governos agem com base em interesses políticos”, afirmou Quintero. “Neste caso, o governo chavista age para ganhar maior destaque, demonstrar sua capacidade de gestão à comunidade internacional e, de certa forma, transmitir à população a mensagem de que conseguiu unificar o país.”
O consultor ponderou que a oposição também se movimenta politicamente na Venezuela. Segundo ele, as equipes de comunicação da líder opositora María Corina Machado conduzem uma campanha focada em expor a incompetência do governo.
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Em vídeo divulgado nesta segunda-feira, 29, María Corina afirmou que está “disposta a fazer o que for necessário” para entrar no país e ajudar nos esforços de recuperação. Atualmente no Panamá, ela acusa a ditadura de impedir seu retorno e não deu detalhes sobre como pretende regressar.
Especialistas em política internacional ouvidos pelo New York Times temem que a calamidade paralise as discussões por democracia. O desastre humanitário pode servir como pretexto para congelar acordos institucionais.
“É difícil imaginar que Delcy não vá usar os terremotos para adiar as discussões sobre uma transição democrática; parte disso é certamente legítimo diante de uma emergência humanitária de tamanha magnitude”, declarou Cynthia Arnson, professora adjunta da Universidade Johns Hopkins.
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