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Réus do 11 de setembro fazem acordo para evitar pena de morte

Antes condenados à execução, Khalid Sheikh Mohammed e outros dois acusados vão cumprir prisão perpétua em Cuba

Imagem de arquivo do FBI mostra Khalid Shaikh Mohammed, o mentor do ataque de 11 de setembro de 2001 | Foto: FBI/AFP
Imagem de arquivo do FBI mostra Khalid Shaikh Mohammed, o mentor do ataque de 11 de setembro de 2001 | Foto: FBI/AFP

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou que Khalid Sheikh Mohammed, mentor dos ataques de 11 de setembro, e dois outros réus fizeram um acordo de confissão. Com a medida, eles trocam a pena de morte pelo cumprimento de prisão perpétua em Guantánamo, Cuba.

Susan Escallier, Autoridade de Convocação para Comissões Militares do Pentágono, aprovou o acordo para Khalid Shaikh Mohammed, Walid bin Attash e Mustafa al-Hawsawi. Acusados e indiciados em 2008 e 2012, eles enfrentam acusações relacionadas aos ataques terroristas.

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Os réus estão sob custódia dos EUA desde 2003. O caso foi atrasado por mais de uma década devido a procedimentos antes do julgamento que perguntavam se os casos de “tortura em prisões secretas da CIA” haviam contaminado as provas contra eles.

O Pentágono informou que os termos específicos dos acordos não estavam disponíveis de imediato. Os acordos devem ser anunciados oficialmente em 1º de agosto de 2024, e as sentenças ocorrerão na Baía de Guantánamo.

Comunicação às famílias das vítimas do 11 de setembro

Memorial do 11 de Setembro no World Trade Center, Nova York | Foto: Divulgação/9/11 Memorial & Museum/Jin S. Lee
Memorial do 11 de Setembro no World Trade Center, Nova York | Foto: Divulgação/9/11 Memorial & Museum/Jin S. Lee

A notícia do acordo foi comunicada em uma carta dos promotores do tribunal de guerra aos familiares das vítimas dos ataques de 2001. “Em troca da remoção da pena de morte como uma possível punição, esses três acusados concordaram em se declarar culpados de todos os crimes imputados, incluindo o assassinato das 2.976 pessoas listadas na folha de acusação”, dizia a carta, assinada pelo contra-almirante Aaron Rugh e três advogados de sua equipe.

A confissão evitou um julgamento previsto para durar 12 a 18 meses ou a possibilidade de o juiz militar anular confissões fundamentais para o caso do governo. O coronel Matthew McCall, o juiz, estava ouvindo depoimentos nesta semana e tinha mais audiências programadas para o final do ano.

Histórico dos réus

Mohammed, engenheiro educado nos EUA e jihadista declarado, foi acusado de idealizar o sequestro de aviões e de usá-los como armas. Promotores afirmam que ele apresentou o plano a Osama bin Laden em 1996 e ajudou a treinar e dirigir sequestradores.

Ele e Hawsawi foram capturados no Paquistão em março de 2003 e mantidos em prisões secretas da CIA até serem transferidos para Guantánamo em setembro de 2006.

Os três homens ainda enfrentarão um julgamento, mas não antes do próximo ano. Nas comissões militares, um juiz aceita a confissão. Um júri militar deve ouvir as provas e emitir uma sentença, incluindo depoimentos das vítimas dos ataques.

Os acordos de confissão estavam em discussão desde março de 2022, mas enfrentaram obstáculos em setembro, quando a Casa Branca se recusou a aprovar condições exigidas pelos réus, como garantias contra confinamento solitário e maior contato com familiares e advogados.

Dois dos cinco réus originais não faziam parte do acordo. Ramzi Binalshibh foi declarado mentalmente incompetente para julgamento, e Ammar al-Baluchi, sobrinho de Mohammed, pode enfrentar julgamento sozinho por ajudar sequestradores com finanças e arranjos de viagem.

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