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Revolta da geração Z no Nepal: 'Rede social não é só entretenimento'

Thigu Soares, chefe de empresa de tecnologia, diz a Oeste que os acontecimentos no país asiático são reflexos da relação dos jovens com as mídias digitais

Geração z Nepal revolta
Jovens comandaram revoltas no Nepal neste mês de setembro | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O governo de Khadga Prasad Sharma Oli, do Partido Comunista do Nepal, resolveu implantar novas regras para as redes sociais no país em 4 de setembro. Quatro dias depois, revelou a intenção opressora da iniciativa e bloqueou 26 plataformas, entre as quais estavam Facebook, Instagram, YouTube, WhatsApp e X.

O medo de represália e as ameaças do partido eram o trunfo que Oli acreditava ter em mãos. Essa crença se baseava em experiências anteriores de controle de mídia e de imposição de regulamentações internas.

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Oli só não esperava que, para a geração Z (nascidos de 1995 a 2012), retirar as redes sociais é o mesmo que, na prática, retirar um direito sagrado, como a educação ou a saúde. Ele subestimou a resistência massiva da população jovem.

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Assim que soube da decisão, a juventude local iniciou uma reação violenta, que provocou a renúncia de Oli e a invasão do Parlamento, da Suprema Corte, de sedes de partidos e de residências de políticos, entre outras. A repressão foi forte e morreram pelo menos 19 pessoas.

Confusões de uma ex-monarquia

A revolta social trágica foi um reflexo dos tempos atuais, apesar das peculiaridades do pais asiático, segundo afirmou a Oeste o chefe na empresa de tecnologia Ipnet, Thigu Soares. “Esse acontecimento no Nepal é um exemplo contundente e extremo da profunda conexão entre a geração Z e as redes sociais.”

Nos últimos 30 anos, o Nepal enfrentou uma série de golpes, conflitos internos e crises políticas que afetaram sua estabilidade institucional. O início da instabilidade ocorreu em 1996, quando o Partido Comunista do Nepal (de cunho maoista) mudou o regime monárquico para uma república socialista.

“A reação violenta ao bloqueio demonstra que, para essa geração, as redes sociais não são apenas uma forma de entretenimento”, afirmou Soares. “Mas uma ferramenta vital para sua vida, com a qual se comunicam e se mobilizam.”

Geração Z de Nova York ao Nepal

As redes sociais, segundo Soares, atualmente já não separam mais o Oriente do Ocidente, em termos de hábitos, conexões e ferramentas de comunicação. Um adolescente no Nepal e um em Nova York, nos Estados Unidos, não apenas têm a rede social como uma referência como também podem se comunicar mutuamente o dia inteiro. Não importa a distância nem a cultura.

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“Para uma geração que cresceu com as redes sociais, essas plataformas são um meio fundamental de expressão da identidade e de conexão com o mundo”, prosseguiu Soares.

“Ao bloquear o acesso, o governo nepalês, de certa forma, ‘silenciou´’ a voz da juventude”, criticou o especialista em tecnologia. “Essa censura é percebida como um ataque direto à liberdade de expressão e à capacidade de se conectar uns com os outros, o que eles consideram um direito.”

Além disso, as próprias redes sociais alimentam esse tipo de manifestação, tornando-as muito mais fortes e representativas. Um anúncio é capaz de mobilizar milhões de pessoas. O próprio alvo do governo, neste caso, se tornou o algoz.

“Esse caso também ilustra o poder das redes sociais como ferramentas de mobilização social”, acrescenta o executivo da Ipnet. “A geração Z utiliza as plataformas para organizar protestos, compartilhar informações em tempo real e formar movimentos.”

“O bloqueio, nesse contexto, é uma tentativa de impedir essa organização e de controlar a narrativa”, prosseguiu o especialista. “Uma tática que as gerações anteriores não teriam enfrentado da mesma forma, pois dependiam de mídias tradicionais, como jornais e televisão.”

Para Soares, as próprias redes sociais são o antídoto contra o autoritarismo de governos que, como o regime comunista nepalês, tentam reprimir a liberdade de expressão. “O caso do Nepal pode ser visto como um reflexo de como a tecnologia está moldando o comportamento humano, criando uma dependência que, quando confrontada, pode levar a reações extremas.”

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