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Nepal: presidente dissolve Parlamento e nomeia primeira-ministra interina

Depois de semana de confrontos que deixaram 51 mortos, Ramchandra Paudel tomou medidas, enquanto país espera novas eleições

Ramchandra Paudel é apenas o 3º presidente da história do Nepal
Ramchandra Paudel é apenas o 3º presidente da história do Nepal | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons/Houses of the Oireachtas

Depois de uma semana marcada por protestos violentos com 51 mortos, o presidente do Nepal, Ramchandra Paudel, dissolveu o Parlamento, na sexta-feira 12. O país realizará novas eleições em 5 de março de 2026, conforme o anúncio oficial.

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Paralelamente, Paudel escolheu Sushila Karki, ex-presidente da Suprema Corte, de 73 anos, para assumir interinamente o cargo de primeira-ministra. A decisão ocorre em meio à crise política que se intensificou, depois do bloqueio de redes sociais como Facebook, Instagram, YouTube e X na capital, Catmandu.

Protestos e crise política se agravam no Nepal

Mulher de ex-premiê do Nepal morre queimada durante protestos
Singha Durbar, um dos principais prédios do governo do Nepal | Foto: Reprodução/X

As manifestações começaram contra a restrição às plataformas digitais, mas rapidamente se ampliaram para protestos sobre denúncias de corrupção no governo. O então primeiro-ministro, K.P. Sharma Oli, do Partido Comunista, pediu renúncia depois do início dos confrontos nas ruas.

O governo argumentou que o bloqueio das redes teve motivação na falta de cooperação das empresas com a Justiça, e tinha o objetivo de combater fraudes, discursos de ódio e notícias falsas disseminados por usuários com identidades fictícias. Mesmo depois da renúncia do premiê e o fim das restrições, as manifestações continuaram.

Leia também: “Colômbia sem paz”, reportagem de Eugenio Goussinsly publicada na Edição 287 da da Revista Oeste

O Nepal, situado entre China e Índia, atravessa um cenário de instabilidade política desde 2008. Neste ano, houve a extinção da monarquia no país. Desde então, o Nepal consolidou-se como república federal, mas a transição foi marcada por disputas partidárias e sucessivas trocas de governo.

A Assembleia Constituinte promulgou uma nova Constituição em 2015, depois de anos de impasse, com divisões administrativas e concessão de direitos civis. No entanto, tensões étnicas, protestos e dificuldades econômicas persistiram, agravadas por desastres naturais, como o terremoto de 2015.

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