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Rússia avança nas negociações com a Ucrânia, mas rejeita referendo proposto por Zelensky

A ideia de consultar a população sobre a criação de uma zona tampão no leste ucraniano surgiu depois das pressões de Trump

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa de uma reunião com o governador em exercício da região de Rostov, Yury Slyusar, no Kremlin - 18/8/2025 | Foto: Sputnik/Vyacheslav Prokofyev/Reuters
O assessor de Vladimir Putin, Iuri Uchakov, declarou nesta sexta-feira, 11, que 'toda a região do Donbass é russa' | Foto: Sputnik/Vyacheslav Prokofyev/Reuters

Negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos avançam em meio à recusa do Kremlin a um referendo proposto pelo presidente Volodymyr Zelensky para decidir a criação de uma zona tampão no leste ucraniano.

O Kremlin, por sua vez, aceita a formação dessa zona, mas exige controle russo na área.

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O assessor de Vladimir Putin, Iuri Uchakov, declarou nesta sexta-feira, 11, que “toda a região do Donbass é russa”, reforçando a posição de Moscou sobre Lugansk e Donetsk.

Putin anexou essas províncias em 2022, juntamente com Zaporíjia e Kherson, consolidando a ligação territorial com a Crimeia, que ele já havia anexado em 2014.

Rússia quer manter militares em zona invadida

A proposta de referendo surgiu depois de pressões do presidente dos EUA, Donald Trump, que busca um cessar-fogo até o Natal e deseja que a Ucrânia aceite perdas territoriais e adote neutralidade militar.

Apesar das discussões, tanto Zelensky quanto Uchakov reconhecem que o cronograma das negociações deve se estender além do prazo desejado por Trump.

Uchakov, em entrevista ao jornal Kommersant, admitiu pela primeira vez a possibilidade de uma zona desmilitarizada em Donetsk, mas com presença das forças de segurança russas.

“É inteiramente possível que não haja tropas lá, russas ou ucranianas”, afirmou. “Mas haverá a Guarda Nacional russa, nossa polícia, tudo o que for preciso para manter a ordem e organizar a vida.”

Leia também: “O triunfo de Trump na diplomacia do Oriente Médio”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 292 da Revista Oeste

A Guarda Nacional da Rússia, criada em 2016 para servir ao presidente Putin, conta atualmente com cerca de 400 mil integrantes.

Depois do motim do Grupo Wagner em 2023, a tropa absorveu armamentos dos rebeldes, reforçando sua atuação na Ucrânia.

O Kremlin informou que ainda não recebeu oficialmente a proposta revisada por Zelensky e encaminhada a Trump nesta semana.

O texto, não divulgado publicamente, responderia à aproximação dos EUA aos termos apresentados pela Rússia, sobretudo depois de emissários norte-americanos se reunirem com Putin dias atrás.

Impasses e contrapropostas dificultam consenso

A rodada de negociações é a terceira iniciativa de Trump desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro.

A proposta inicial, elaborada por Steve Witkoff (EUA) e Kirill Dmitriev (Rússia), favorecia Moscou e não foi aprovada por Putin.

Zelenski, com apoio europeu, apresentou uma contraproposta mais alinhada aos interesses de Kiev, rejeitada pelo Kremlin.

Com diferentes versões circulando, apenas a primeira minuta russo-americana, contendo 28 pontos, foi divulgada.

O debate atual concentra-se em 20 itens, segundo Zelensky, que não detalhou o conteúdo.

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Os ucranianos destacam a necessidade de garantias de segurança para evitar futuros ataques russos, ponto em que Trump se mostra disposto a colaborar, sem explicitar mecanismos.

Países europeus manifestaram intenção de enviar forças de paz à Ucrânia, proposta rejeitada pela Rússia, que considera a presença da Otan um dos principais motivos para a invasão.

Paralelamente, a União Europeia deve decidir em breve sobre a utilização de R$ 1,3 trilhão em reservas russas congeladas.

O Kremlin classifica a medida como roubo, e há resistência política e técnica à proposta.

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