Revista Oeste - Eleições 2022

Rússia: o fracasso da ‘contenção’ tardia

Conflito poderia ter sido evitado caso houvesse um presidente forte na Casa Branca
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Para o Ocidente poder mostrar seu poder de fogo de volta, precisa passar pela via burocrática
Para o Ocidente poder mostrar seu poder de fogo de volta, precisa passar pela via burocrática | Foto: Divulgação/Casa Branca

O conflito entre a Ucrânia e a Rússia tem uma série de incógnitas a serem respondidas. Algumas perguntas, contudo, já têm a resposta. Uma delas é a forma como o Ocidente tem lidado com a bomba que veio do leste. A reportagem de capa da Revista Oeste mostra um diagnóstico da situação.

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“O ex-presidente Donald Trump adotou uma política aplicando conceitos mais próximos da administração do que da geopolítica. Apesar das críticas ao seu desconhecimento em geopolítica, ele cuidou de favorecer os amigos do Ocidente, no que ficou conhecido como a política da América em primeiro lugar (America First). Assumindo quando o Estado Islâmico parecia trazer o fim dos tempos, conseguiu manter-se por quatro anos sem nenhum incidente internacional digno de nota. Conseguiu inclusive trazer Kim Jong-un para a mesa de negociações e colocou fim à guerra civil síria, além de ter levado mais paz ao Oriente Médio com os Acordos de Abraão.

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Com a vitória de Biden, não demorou até outras potências e grupos opositores colocarem à prova a força do novo governo. Quando isso ocorreu com o Trump, ele respondeu rapidamente com um bombardeio contra bases sírias. Com Biden, o oposto tomou forma: sua política fracassou no Afeganistão e perdeu uma guerra custosa de 20 anos. O caminho estava aberto para que a China, a Rússia, o Irã e outros países voltassem a avançar contra a estabilidade mundial.

Biden também tem culpa por colocar a ideologia acima dos interesses nacionais norte-americanos. O presidente norte-americano é um dos grandes responsáveis por não ter Índia e Brasil alinhados de modo mais claro à posição norte-americana, já que escolheu esnobar Narendra Modi e Bolsonaro por serem conservadores. Ele também fez o mesmo com os países do Golfo, cancelando vendas de produtos de defesa para a Arábia Saudita e para os Emirados, ambos desafetos do Irã, principal aliado russo no Oriente Médio.

Com o atual expansionismo de Putin na Ucrânia, temos um dos mais fortes erros geopolíticos da história norte-americana (e foram muitos recentes). Putin faz suas mobilizações para provocar, e sempre ganha sem precisar disparar um tiro. A Rússia, que faz fronteira com a Turquia e o Japão, com a Finlândia e a Coreia do Norte, com a Polônia e a China, de certa forma com o Japão e os Estados Unidos, pode realizar constantes mobilizações militares e exercícios fronteiriços. Afinal, ainda está em seu próprio território. Assim o fez recentemente com a Bielorrússia e a Geórgia, com o Cazaquistão e a própria Ucrânia.

Para o Ocidente poder mostrar seu poder de fogo de volta, precisa passar pela via burocrática: pedidos da Otan, destacamento caríssimo de tropas, passagem por países —  não raro ditaduras —, culminando em exercícios diminuídos e que nunca poderiam assustar alguém como Putin. Até tal resposta aparecer, os russos já puderam fazer novos exercícios, em outros pontos da fronteira russa que envolvem países diferentes — e todo o processo recomeça do zero, a altíssimo custo, enquanto Putin apenas movimenta tropas alguns quilômetros acima ou abaixo. O que foi testemunhado nas últimas semanas foram constantes provocações militares, que teriam sido contidas caso houvesse um presidente forte na Casa Branca.”

Leia o artigo completo na Edição 101 da Revista Oeste

Outros conteúdos

A Edição 101 da Revista Oeste vai além da reportagem sobre a Rússia e a Ucrânia. A publicação digital conta com reportagens especiais e artigos de J.R. Guzzo, Augusto Nunes, Silvio Navarro, Guilherme Fiuza, Ana Paula Henkel, Caio Coppolla, Rodrigo Constantino, Bruno Meyer, Dagomir Marquezi, entre outros.

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7 comentários Ver comentários

  1. Quem escreveu esse texto, tem tanto conhecimento de geopolítica quanto o Trump
    . Para ser sincero é de tamanho absurdo que n m vale a pena contra argumentar, mas é triste o que virou o jornalismo brasileiro

  2. O “sleepy” Joe Biden está completando metade de seu desgoverno no final do ano. Até lá, o Putin já tomou o resto da Ucrânia (embora eu ache que ele se contentará com a metade, a parte leste até o rio Dnieper e aí teremos a Ucrânia Ocidental, pró UE e Ucrânia Oriental, pró-Moscou) e ficarão todos nos conformes. E na outra metade do desgoverno Biden, a China irá tomar Taiwan, e aí tudo voltará a uma “Pax Americanae”, sob Donald Trump. Estarão todos saciados.

  3. Acredito que se o presidente dos US fosse Donald Trump, tanto o “líder” da Ucrânia, como Putin, teriam sido mais abertos às negociações, mais flexíveis, mais cautelosos, logo, não haveria guerra.

  4. Nada melhor que aprender com os erros dos outros. Até o momento as regras são ditadas por Putin, ninguém se meta na guerra. A nova ordem mundial tomando sua cacetada

  5. É isto aí. Os americanos estão e vão pagar um preço altíssimo por esta administração desastrada dos Democratas. Vão perdendo aliados históricos, inclusive aqui na América do Sul. Enquanto isso a China avança.

  6. Se me permitem, aqui falo sobre uma estratégia e atividades que podemos fazer para melhor lidarmos com aspectos muito desagradáveis da realidade brasileira e mundial, particularmente que vem acontecendo nos EUA, Canadá, Europa e Austrália, embora não fale especificamente sobre essas nações. https://youtu.be/fPDNn6EsA2A

  7. Os americanos provavelmente deixam-se roubar nas ultimas eleiçoes. Cpmo não fizeram nada irão pagar um preço alto. No Brasil tentarão fazer a mesma coisa, so que, aqui o buraco será mais embaixo.

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