Saiba o que é o Obamagate

O ex-presidente supostamente usou o FBI como arma política para a construção da narrativa segundo a qual houve um conluio entre Donald Trump e a Rússia
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O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Husseim Obama | Foto: DIVULGAÇÃO/CASA BRANCA
O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Husseim Obama | Foto: DIVULGAÇÃO/CASA BRANCA | Malik - Barack - Obama - Quênia

O ex-presidente supostamente usou o FBI como arma política para a construção da narrativa segundo a qual houve um conluio entre Donald Trump e a Rússia

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Hussein Obama
Foto: DIVULGAÇÃO/CASA BRANCA
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Na semana passada, um tribunal norte-americano retirou as acusações criminais contra o ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA Michael Flynn. Ele, que trabalhou para o presidente Donald Trump durante a campanha, havia declarado à Justiça em dezembro de 2017 que mentiu ao FBI sobre conversas de um ano antes com o diplomata russo Sergey Kislyak. Posteriormente, voltou atrás. O conteúdo dos diálogos por telefone estaria relacionado à suposta interferência russa nas eleições de 2016.

O caso foi combustível para a narrativa segundo a qual Trump conspirou com um governo estrangeiro para chegar à Casa Branca.

Contudo, na quinta-feira 7, relatórios do FBI entregues ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos viraram o jogo. Os documentos informam que o telefonema de 2016 nada tinha a ver com interferências eleitorais. O então presidente Obama, ademais, já estava ciente da conversa entre o conselheiro e o embaixador da Rússia (agentes russos são rotineiramente monitorados pelo FBI e pela CIA) uma semana antes de Flynn ser visitado pelos agentes da polícia federal.

Durante uma reunião realizada no apagar das luzes de seu governo, Obama teria dito a aliados que possuía informações importantes. À vice-procuradora da época, Sally Yates, ele afirmou ter um briefing acerca das conversas de Flynn. Logo, queria saber como proceder em face daquelas revelações. O então diretor do FBI, James Comey, também compareceu ao encontro, de acordo com os documentos em posse da Justiça norte-americana, que investiga o caso desde o início.

“Obama estava numa conspiração para enquadrar meu cliente”, garantiu ontem numa entrevista à Fox News a advogada de Flynn, Sidney Powell, que teve acesso à papelada. Segundo ela, seu cliente foi vítima de um complô envolvendo a gestão de Barack Obama. “A coisa toda foi orquestrada e montada dentro do FBI”, acusou Powell, ao mencionar que, à época, agentes de segurança visitaram Flynn de forma casual. Portanto, seu cliente não foi informado de que o encontro se tratava de uma investigação formal.

Trump comentou no Twitter que as mais recentes revelações comprometem seus adversários democratas e são um “Obamagate”.

Análise Oeste

Foto: DIVULGAÇÃO/FLICKR

Ontem, na rede social, a hashtag com o tema chegou aos trending topics do Twitter nos EUA por volta das 16 horas. No total, somou mais de 1,6 milhão de engajamentos. Trump foi a figura que impulsionou o assunto — seu tuíte a respeito angariou 170 mil curtidas, 17 mil comentários e 11,7 mil compartilhamentos. No Instagram, a menção ao ex-presidente democrata obteve 88,4 mil perfis escrevendo a respeito.

“Obama” e donald trump” aguçaram a curiosidade de todos os Estados dos EUA no Google. Ao pesquisá-los, o interesse por “obamagate” e “donald trump twitter” apresentou aumento de 1.800% nas buscas da plataforma. Enquanto isso, o veículo de comunicação com a melhor performance sobre o caso foi a Fox News. Ela conseguiu projeções futuras positivas, ou seja, seu conteúdo tem a maioria das palavras-chave que o leitor está propenso a usar.

Logo, as matérias publicadas pela Fox terão mais chance de ser acessadas do que as da concorrência.

Páginas correlatas e de apoio a Trump apresentaram bons resultados. No entanto, sobressaiu a grande mídia. Em síntese, as novas revelações fortaleceram a versão do presidente Trump de que é vítima de perseguições do establishment. Pois a narrativa engoliu os desdobramentos de veículos de imprensa de oposição ao republicano. Estes trataram o caso como banal e procuraram questionar a veracidade das denúncias.

Como tudo começou

O ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA Michael Flynn
Foto: GAGE SKIDMORE/FLICKR

Ainda na equipe de transição de Donald Trump em dezembro de 2016, o futuro conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Michael Flynn, conversou por telefone com o embaixador russo Sergey Kislyak. O diálogo foi interceptado pelo governo norte-americano. Entre os tópicos discutidos por Flynn e Kislyak estava a imposição de sanções econômicas contra a Rússia, que o ainda presidente Obama acabara de anunciar.

Essa ligação telefônica, que vazou por uma fonte do FBI ainda não identificada, foi o primeiro ingrediente para a história caudalosa de que Trump tinha relações espúrias com a Rússia. O empresário teria vencido as eleições dos EUA supostamente auxiliado pelo presidente Vladimir Putin. Com isso, montou-se um conselho especial para investigar a acusação imediatamente encampada pelo Partido Democrata.

O ex-diretor do FBI Roberto Muller foi designado para essa tarefa.

Num artigo publicado pela colunista de Oeste Ana Paula Henkel em que discorre acerca do caso, mais de 2 mil intimações foram feitas, 500 testemunhas ouvidas, 19 advogados contratados, 40 agentes de segurança do FBI ouvidos e US$ 35 milhões gastos. Não só, a imprensa lucrou com a história. O jornal Washington Post publicou 1.184 reportagens; e o New York Times, 1.156 matérias.

Tudo para a conclusão de que não houve conluio nenhum.

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