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Sob Petro, violência dita as eleições na Colômbia

Candidatos à Presidência votam amparados por escudos devido ao colapso do plano de paz do governo de esquerda

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pouco depois de assumir o comando do Executivo - 07/08/2022 | Foto: Divulgação/Gustavo Petro/Instagram

Os sequestros quase triplicaram na Colômbia sob a gestão de Gustavo Petro e transformaram a segurança pública no tema central das eleições presidenciais deste domingo, 31. O fracasso do plano governamental de “paz total” empurrou o país para o nível mais grave de crise humanitária da última década. Os dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha confirmam o retrocesso institucional dez anos depois do desarmamento oficial das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

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O medo de atentados obrigou os principais concorrentes a reforçar a proteção pessoal nas ruas. O líder das pesquisas, Iván Cepeda, faz comícios cercado por seguranças com escudos blindados, enquanto o rival de direita, Abelardo de la Espriella, discursa protegido por vidros balísticos. A senadora Paloma Valencia também acionou escoltas reforçadas logo que todos receberam ameaças de morte reais de grupos guerrilheiros.

Eleitores priorizam o combate ao crime nas urnas

Uma sondagem do instituto Invamer revelou que 40% dos colombianos elegem a criminalidade como o pior problema do país, deixando a economia em quarto lugar com apenas 11% das menções. A escalada da violência urbana e rural impulsionou os discursos da oposição conservadora. O candidato De la Espriella promete suspender os diálogos com criminosos, erguer dez megaprisões inspiradas no modelo de El Salvador e autorizar a eliminação dos bandidos pelas Forças Armadas.

Iván Cepeda representa a continuidade das bandeiras da esquerda e defende a retomada das negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN) e com os dissidentes que abandonaram o tratado de 2016. Os partidos de oposição apontam que essa estratégia faliu e serviu apenas para dar oxigênio aos bando armados. Os criminosos usam os períodos de trégua fictícia para ampliar o faturamento com o narcotráfico e com o garimpo ilegal.

Guerra entre facções deixa dezenas de mortos na Amazônia

Os massacres entre quadrilhas rivais assombram os moradores do departamento de Guaviare, na floresta amazônica. Um confronto violento entre duas facções dissidentes das Farc deixou 52 rebeldes mortos na quinta-feira 28. O Ministério da Defesa admitiu que os traficantes espalharam minas terrestres na mata para vigiar rotas de escoamento de cocaína e suspeita que menores de idade estejam entre os corpos encontrados.

Gustavo Petro tentou minimizar a crise nas últimas semanas ao apresentar dados de estabilidade na taxa de homicídios, mas os analistas alertam para a desordem territorial provocada por explosivos e drones. As conversas de paz foram congeladas em janeiro do ano passado depois de o ELN explodir quartéis e provocar a fuga forçada de 100 mil moradores em Catatumbo. Onze candidatos disputam o primeiro turno, e a decisão deve ir para o segundo turno, a ser realizado em 21 de junho.

Leia também: “Oposição exige novas eleições na Venezuela”

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