Somos chamados pelos chineses de ‘província rebelde’, diz representante de Taiwan

Tsung-Che Chang afirma que a China tenta atrapalhar a relação comercial com o governo brasileiro  
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Representante de Taiwan, Tsung-Che Chang | Foto: Divulgação

Eles estão em muitos lugares, desde um aparelho celular até uma peça de carro. Em Taiwan, a cultura da engenharia coloca o país cerca de dez anos à frente do mundo, quando se trata de tecnologia. A nação possui a maior fabricante de chips do mundo — a TSMC.

Em entrevista a Oeste, o representante de Taiwan no Brasil, Tsung-Che Chang, contou detalhes sobre a política econômica adotada na ilha ao sul da China. Chang atribui o sucesso de Taiwan ao sistema democrático instalado no território autônomo.

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Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC)

“Em Taiwan, existe um parque científico de tecnologia, universidades, fornecemos engenheiros todos os anos. No carro elétrico, por exemplo, muitas peças precisam de Taiwan, somos um campeão invisível de muitos produtos. O iPhone é um deles. No caso do microchip, temos cerca de 60% do mercado mundial, e se for o chip de maior alto nível temos 90% do mercado. A China tentou copiar esse modelo há cinco anos, quando começou a guerra comercial com os Estados Unidos. Os chineses já tentaram inclusive comprar a TSMC, chegaram a nos ameaçar, dizendo que se não vendêssemos seríamos derrotados, mas a empresa recusou e continuou a sua política de produção. É uma tecnologia que não é fácil alcançar, e nós conseguimos segurar essa posição de avanço da tecnologia. Estamos cerca de dez anos à frente e para copiar, mesmo com dinheiro, demora muito tempo. A montagem da fábrica é fácil, mas faltam por exemplo recursos humanos, engenheiros.”

Parceiros comerciais

“Taiwan está em 17º lugar na área do comércio do mundo. Exportamos de tudo para a China, até mesmo o microchip, e mesmo durante a pandemia nosso crescimento foi muito elevado. Seremos o primeiro lugar entre os tigres asiáticos [bloco econômico dos países mais desenvolvidos na Ásia]. Isso porque controlamos muito bem a pandemia. Hong Kong é o nosso maior parceiro comercial. Muitas de nossas empresas têm saído para o sul da Ásia, somos o terceiro investidor estrangeiro no Vietnã, na Índia e na Indonésia, que também estão se desenvolvendo. Quem cresce mais economicamente necessita mais do nosso produto.”

Relação entre Brasil e Taiwan

“Nos anos de 1970, Taiwan enfrentava dificuldades internacionalmente, e perdemos lugar no conselho na Organização da Nações Unidas (ONU). Perdemos muitas alianças incluindo o Brasil, em 1974, seguido do maior apoio que eram os americanos, em 1979. Demoramos alguns anos para estabelecer outra infraestrutura. No Brasil, criamos o Escritório Cultural Econômico do Taipei, um estrutura semioficial, isso porque não temos direito diplomático.

Precisamos de acordos de cooperação para facilitar a entrada de nossos produtos, e não temos diálogo com o governo federal. Nunca consegui falar com nenhum ministro do governo, isso não ajuda a relação. Não queremos criar problema político. Simplesmente queremos avançar com nossos negócios, buscar parceiros e beneficiar a população dos dois lados.

O investimento não é fácil quando não há intercâmbio comercial, e no Brasil tem muito custo. Quando chega um investidor taiwanês, ele não tem condições iguais às de outros países. Não temos privilégios de tributação. Nosso produto precisa ser muito bom para concorrer com outros países.”

Comunismo X democracia

“É possível que a China tente nos atrapalhar na aproximação com o Brasil, tudo o que fazemos a China é contra. Para os comunistas, somos uma ameaça. Porque mostramos a cultura asiática como uma possibilidade de democracia.

A política comunista chinesa tem uma fraqueza, sempre precisa da autoinjeção do partido. Lá todas as empresas são estatais, e as poucas empresas privadas que existem precisam de autorização do partido. É o partido comunista chinês que escolhe os gestores, e nem sempre essas pessoas conhecem o mercado; assim acabam tomando decisões erradas.

Mas todos têm de obedecer e às vezes as consequências são desastrosas. Veja, a China é um país rico, no entanto, estão enfrentando racionamento de energia, isto é gestão. Nosso sistema democrático proporciona liberdade de escolha, o gestor assume a responsabilidade quando toma uma decisão; se tem sucesso ganha dinheiro, caso contrário tem que sair.”

Ataques da China

“O problema é o sistema de ambição, a China não respeita a regra internacional. Há 70 anos lutamos com eles, mandam aviões caças quase todos os dias, nossa defesa aérea faz a identificação, e quando eles aparecem temos de mandar caças para expulsá-los ou apontar nossos mísseis em sua direção.

O comunismo conseguiu o continente, mas não conseguiu agarrar Taiwan. Somos chamados pelos chineses de ‘província rebelde’. Depois de 1949, tentaram nos invadir e anexar Taiwan, e isso acontece até hoje.

Esse tipo de ameaça chama atenção inclusive dos americanos. Com nossa experiência, sabemos que existe alguma coisa interna que a China não consegue resolver, e então tentam criar assombro. E não é só conosco, isso também acontece com a Índia, muitos inocentes já morreram na fronteira, no mar do leste da China com Japão, do sul com Vietnã, não é pacífico lá.”

 

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3 comentários Ver comentários

  1. Europa e Estados Unidos alimentaram a serpente (e continuam alimentando). Mas aos poucos estão caindo na real. Alternativas terão que aparecer, caso contrário os amarelos de m…. dominarão o mundo. Para a desgraça de todos.

  2. Nós das províncias rebeldes distantes nos solidarizamos com Taiwan.
    Como é mesmo a estória/história?
    Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
    Como não sou judeu, não me incomodei.
    No dia seguinte, vieram e levaram
    meu outro vizinho que era comunista.
    Como não sou comunista, não me incomodei.
    No terceiro dia vieram
    e levaram meu vizinho católico.
    Como não sou católico, não me incomodei.
    No quarto dia, vieram e me levaram;
    já não havia mais ninguém para reclamar…

  3. Não é e só Taiwan meu Sr, para eles somos todos “províncias rebeldes” e mesmo estando lá na Ásia vcs e o Japão são a primeira linha de defesa do ocidente, o mundo inteiro está sendo assediado por esses bárbaros e disconfio muito que essa pandemia foi uma arma biológica pra jogar o mundo de joelhos perante a China, também desconfio que as eleições nos EUA teve forte interferência deles dado o inusitado resultado da mesma e o que vinha sendo feito pelo Sr Trump para conte los tdo mto estranho, a nossa sorte é que os caras são muito arrogantes e antes que consigam seus objetivos o mundo está acordando.

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