As tensões no Estreito de Ormuz e a alta dos preços do petróleo levaram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a considerar o adiamento de sua viagem à China, prevista para o fim do mês. O republicano busca pressionar Pequim a cooperar com uma coalizão internacional que teria como objetivo reabrir o fluxo de petroleiros na região, depois de restrições impostas pelo Irã.
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Durante uma entrevista ao Financial Times no domingo 15, Trump destacou que a dependência da China do petróleo oriundo do Oriente Médio seria um motivo para que o país asiático se envolvesse nessa iniciativa. O presidente norte-americano afirmou que pretende obter uma resposta de Pequim antes de decidir sobre o embarque.
Diplomacia e negociações comerciais em curso
Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, declarou que as comunicações sobre a visita de Trump seguem em andamento. “A diplomacia entre chefes de Estado desempenha um papel estratégico insubstituível nas relações China–EUA”, afirmou o diplomata chinês, durante o encontro diário com a imprensa.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, participou de uma reunião em Paris com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, nesta segunda-feira, 16. As conversas fazem parte dos esforços para destravar negociações comerciais, consideradas fundamentais para a viagem de Trump. Uma trégua tarifária entre os dois países está em vigor, mas o ambiente permanece incerto.
Com a escalada do conflito que envolve o Irã, o governo dos EUA cogitou medidas adicionais para garantir a segurança no Estreito de Ormuz. Trump chegou a sugerir que outras nações enviassem seus navios de guerra à região, mas nenhum país havia aceitado formalmente o convite até agora. Ele disse a jornalistas que “cerca de sete” países foram consultados sobre a proposta, sem detalhar nomes, e afirmou que a China seria um dos potenciais parceiros.
“A China é um caso de estudo interessante”, afirmou Trump, ressaltando a importância do petróleo do Golfo para o país asiático. “Então eu disse: ‘Gostariam de participar?’ E vamos descobrir. Talvez participem, talvez não.”
Impactos econômicos e a posição chinesa
O impacto do conflito com o Irã fez o preço do petróleo aumentar globalmente, influenciando o custo para os consumidores norte-americanos em um momento de início da campanha eleitoral de meio de mandato. A China, por sua vez, enfrenta desafios econômicos próprios e revisou sua meta de crescimento para 2026, projetando avanço entre 4,5% e 5%, o menor ritmo desde 1991. Interrupções prolongadas no estreito podem agravar o cenário para Pequim.
Lin Jian, ao ser indagado sobre o pedido de Trump, evitou responder diretamente e limitou-se a apontar os riscos ao comércio de energia e bens. Ele reforçou o apelo do governo chinês pela interrupção dos confrontos. “A China apela mais uma vez a todas as partes para que cessem imediatamente as ações militares”, afirmou o diplomata. “Evitem uma maior escalada das tensões e impeçam que a instabilidade na região tenha um impacto ainda maior no desenvolvimento econômico global.”






































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