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Trump suspende envio de armas à Ucrânia, e Rússia comemora

Decisão afeta mísseis Patriot, caças F-16 e munição de precisão; Kremlin diz que corte acelerará o fim da guerra

Estados Unidos O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante a cerimônia de posse do enviado especial Steve Witkoff, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC - 6/5/2025 | Foto: Kent Nishimura/Reuters
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante a cerimônia de posse do enviado especial Steve Witkoff, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC - 6/5/2025 | Foto: Kent Nishimura/Reuters

O governo de Donald Trump tornou pública nesta terça-feira, 1º, a decisão de interromper o envio de armamentos fundamentais para a Ucrânia enfrentar a invasão russa. Mísseis antiaéreos do sistema Patriot, munição de precisão e projéteis usados pelos caças F-16 estão entre os itens suspensos. A Casa Branca justificou que os estoques norte-americanos desses equipamentos atingiram níveis críticos.

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A revelação, publicada inicialmente pelo site Politico, gerou reações imediatas. No Kremlin, a notícia foi motivo de comemoração. Dmitri Peskov, porta-voz do governo russo, declarou que a redução no fornecimento de armas encurtaria o tempo do conflito. O governo ucraniano respondeu com indignação.

“Quanto menos armas forem entregues, mais rapidamente o conflito vai acabar”, disse o porta-voz.

O Ministério das Relações Exteriores convocou o adido militar dos Estados Unidos em Kiev para prestar esclarecimentos e afirmou, em comunicado, que o material é indispensável para a defesa do país. Em paralelo, informou que ainda aguardava uma notificação formal sobre a suspensão, mantendo uma brecha para diálogo.

Deputados do Parlamento ucraniano classificaram o corte como particularmente alarmante. O temor se intensificou pelo contexto da escalada da guerra aérea. No domingo 29, tropas de Vladimir Putin lançaram o maior ataque com drones e mísseis desde o início da invasão.

O Pentágono decidiu não informar quantidades, valores nem a real situação dos arsenais estratégicos. Esses estoques já estavam sob pressão por causa da ajuda constante não só à Ucrânia, mas também a Israel, que sustenta operações militares no Oriente Médio.

Informações extraoficiais revelam que a Ucrânia possui seis baterias do sistema Patriot para proteger centros de poder em Kiev. O site Oryx, que monitora perdas militares, calcula que dois desses conjuntos foram destruídos em operações recentes.

Na cúpula da Otan, na semana anterior, Volodymyr Zelenskypediu ao governo norte-americano sete baterias adicionais. Trump declarou que avaliaria a solicitação. A resposta surgiu em forma de veto.

Cada bateria Patriot conta com pelo menos seis lançadores. Esses equipamentos podem disparar quatro mísseis em sequência. A suspensão atinge também os mísseis ar-ar usados pelos poucos caças F-16 de origem norte-americana que a Ucrânia opera. Um desses aviões caiu durante o bombardeio do domingo.

A restrição inclui munição de precisão, essencial para barrar a progressão russa e defender posições estratégicas. Tropas de Putin avançam em várias frentes. Na segunda-feira, o governo russo anunciou a conquista completa de Lugansk, uma das regiões anexadas ilegalmente em 2022. Além disso, forças russas pressionam o norte e o sul do território ucraniano e ocuparam áreas ricas em minerais estratégicos na província de Dnipropetrovsk.

A iniciativa de Trump reafirma sua política de pressionar ambos os lados na tentativa de acelerar o fim da guerra

A iniciativa de Trump reafirma sua política de pressionar ambos os lados na tentativa de acelerar o fim da guerra. Desde o início do ano, Washington apenas finalizou remessas autorizadas ainda na gestão de Joe Biden. Em março, Trump chegou a suspender todo o novo envio depois de um desentendimento com Zelensky na Casa Branca.

Embora os repasses tenham sido retomados, o volume caiu drasticamente. Biden liberou R$ 174 bilhões em auxílio militar entre outubro e dezembro de 2024. De janeiro a março, o montante despencou para R$ 3,2 bilhões e permaneceu congelado nos meses seguintes.

Levantamento do Instituto para Economia Mundial de Kiel mostra que, até o fim de abril, os países europeus passaram a liderar o suporte militar com R$ 171 bilhões. Apesar da retração, os Estados Unidos seguem como principal financiador da defesa de Kiev. O total destinado chegou a R$ 416 bilhões, à frente do Reino Unido e da Alemanha, que juntos somaram R$ 93,5 bilhões.

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