O Parlamento da União Europeia (UE) aprovou, nesta quarta-feira, 17, a proposta de criar um fundo europeu que financie o acesso ao aborto para mulheres de países onde o procedimento é restrito. O plano My Voice, My Choice — “Minha Voz, Minha Escolha”, em português — prevê que moradoras de Estados como Malta e Polônia, onde o assassinato intrauterino é quase totalmente proibido, possam realizar o procedimento em outro país do bloco, custeado por dinheiro dos contribuintes.
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A sugestão inclui também cidadãs de locais onde o aborto é dificultado, como Itália e Croácia. “Hoje mostramos ao mundo, mas acima de tudo aos nossos cidadãos, que a UE está ao lado das mulheres”, afirmou a eurodeputada Abir Sahlani, do grupo Renew Europe, segundo a agência Reuters. “A UE defende a igualdade de gênero, e a UE não tem medo de cumprir todos os direitos humanos, inclusive os direitos humanos das mulheres.”

O continente europeu ampliou o acesso ao aborto nos últimos anos, com medidas como a descriminalização no Reino Unido e a inclusão desse “direito” na Constituição da França. Entretanto, tem crescido o apoio popular a partidos de direita, muitos dos quais defendem a vida desde a concepção.
Na votação desta quarta-feira, a oposição à iniciativa também partiu principalmente de representantes da direita. Eles alegaram interferência em legislações nacionais e nos valores cristãos tradicionais.
União Europeia ainda vai decidir sobre facilitação do aborto
O resultado da votação foi de 358 parlamentares favoráveis e 202 contrários. Agora, cabe à Comissão Europeia decidir, em março, se a proposta será implementada. Experiências anteriores mostram que outras iniciativas semelhantes não avançaram completamente.
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