UE proíbe importação de produtos procedentes de áreas desmatadas

Medida, que ainda precisa ser votada, inclui dezenas de produtos na mira da fiscalização, como cacau, café e soja
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Acordo foi anunciado nesta terça-feira, 6 | Foto: Reprodução/Flickr
Acordo foi anunciado nesta terça-feira, 6 | Foto: Reprodução/Flickr

Deputados da União Europeia (UE) e representantes dos países que integram o bloco anunciaram nesta terça-feira, 6, ter chegado a um acordo para proibir a importação de produtos adquiridos de áreas desmatadas.

A medida inclui bovinos e outros produtos, como cacau, café, óleo de palma, soja, madeira, borracha, carvão vegetal e papel. Esses produtos não poderão ser comprados pelos países da UE caso sejam procedentes de terras desmatadas depois de dezembro de 2020.

No perfil oficial no Twitter, o Parlamento Europeu afirma que, “para combater as mudanças climáticas, produtos de áreas desmatadas não poderão mais ser vendidos na UE” e que o “acordo do Parlamento e do Conselho ainda precisará ser formalmente adotado antes que possa entrar na legislação”.

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De acordo com um comunicado do Parlamento Europeu, a proibição abrange não apenas o desmatamento das florestas primárias, mas de todos os tipos de florestas. As empresas importadoras serão responsáveis por suas cadeias de abastecimento e terão de comprovar a rastreabilidade por meio de dados de geolocalização dos cultivos.

“É o café da manhã, o chocolate que comemos, o carvão dos churrascos, o papel dos nossos livros. É radical”, comemorou Pascal Canfin, presidente da comissão de Meio Ambiente do Parlamento Europeu.

Segundo a ONG WWF, a UE é responsável por 16% do desmatamento mundial, por meio de suas importações, e a segunda maior destruidora de florestas tropicais, atrás da China,

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13 comentários Ver comentários

  1. Ah sim! Em 2014, depois da invasão à Criméia também proibiram a venda de armas para Rússia. No entanto …. (todos sabem o que ocorreu)

  2. A UE teima em jogar no cólo dos chineses o comércio mundial com os países emergentes. Como o ministro Paulo Guedes, já havia falado,…são os europeus que devem se alinhar ao comércio bilateral, principalmente com o Brasil, pois se continuarem com as pautas ecochatas, vão se tornar irrelevantes.

  3. É uma decisão sem grande efeito prático já que proíbe importar itens que foram produzidos em áreas desmatadas após 2020, ou seja muito pouco. Porém pode representar um freio no desmatamento daqui para frente.

  4. Como Larry Fink, da Blackrock, criou a crise global de energia
    Por F. William Engdahl 15 de novembro de 2022

    A maioria das pessoas está perplexa com o que é uma crise global de energia, com os preços do petróleo, gás e carvão subindo simultaneamente e até forçando o fechamento de grandes plantas industriais, como produtos químicos, alumínio ou aço. A administração Biden e a UE insistiram que tudo se deve às ações militares de Putin e da Rússia na Ucrânia. Este não é o caso. A crise energética é uma estratégia há muito planejada pelos círculos corporativos e políticos ocidentais para desmantelar as economias industriais em nome de uma Agenda Verde distópica. Isso tem suas raízes no período de anos antes de fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou sua ação militar na Ucrânia.

    BlackRock empurra ESG – (Environmental, social and Governance)

    Em janeiro de 2020, na véspera dos bloqueios cobiçosos econômica e socialmente devastadores, o CEO do maior fundo de investimento do mundo, Larry Fink, da Blackrock, emitiu uma carta aos colegas de Wall Street e CEOs corporativos sobre o futuro dos fluxos de investimento. No documento, modestamente intitulado “A Fundamental Reshaping of Finance”, Fink, que administra o maior fundo de investimento do mundo com cerca de US$ 7 trilhões sob gestão, anunciou uma mudança radical para o investimento corporativo. O dinheiro “ficaria verde”. Em sua carta de 2020, que se seguiu de perto, Fink declarou: “No futuro próximo – e mais cedo do que a maioria antecipa – haverá uma realocação significativa de capital… Risco climático é risco de investimento”. Além disso, ele afirmou: “Todo governo, empresa e acionista deve enfrentar a mudança climática”.

    Em uma carta separada aos clientes investidores da Blackrock, Fink apresentou a nova agenda para investimento de capital. Ele declarou que a Blackrock abandonará certos investimentos de alto carbono, como o carvão, a maior fonte de eletricidade dos EUA e de muitos outros países. Ele acrescentou que a Blackrock examinaria novos investimentos em petróleo, gás e carvão para determinar sua adesão à “sustentabilidade” da Agenda 2030 da ONU.

    Fink deixou claro que o maior fundo do mundo começaria a desinvestir em petróleo, gás e carvão. “Com o tempo”, escreveu Fink, “empresas e governos que não respondem às partes interessadas e abordam os riscos de sustentabilidade enfrentarão um ceticismo crescente dos mercados e, por sua vez, um custo de capital mais alto”. Ele acrescentou que “as mudanças climáticas se tornaram um fator decisivo nas perspectivas de longo prazo das empresas… estamos à beira de uma reformulação fundamental das finanças”.

    A partir daí, o chamado investimento ESG, penalizando empresas emissoras de CO2 como a ExxonMobil, tornou-se moda entre fundos de hedge e bancos de Wall Street e fundos de investimento, incluindo State Street e Vanguard. Tal é o poder de Blackrock. Fink também conseguiu que quatro novos membros do conselho da ExxonMobil se comprometessem a encerrar os negócios de petróleo e gás da empresa.

    A carta Fink de janeiro de 2020 foi uma declaração de guerra das grandes finanças contra a indústria de energia convencional. A BlackRock foi membro fundador da Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD) e é signatária do UN PRI—Princípios para o Investimento Responsável, uma rede apoiada pela ONU de investidores que promovem o investimento em carbono zero usando — os critérios ESG altamente corruptos —Fatores ambientais, sociais e de governança nas decisões de investimento. Não há controle objetivo sobre dados falsificados para o ESG de uma empresa. Além disso, Blackrock assinou a declaração do Vaticano em 2019 defendendo os regimes de precificação do carbono. A BlackRock em 2020 também se juntou à Climate Action 100, uma coalizão de quase 400 gerentes de investimentos que gerenciam US$ 40 trilhões.

    Com aquela fatídica carta do CEO de janeiro de 2020, Larry Fink iniciou um desinvestimento colossal no setor global de petróleo e gás de trilhões de dólares. Notavelmente, naquele mesmo ano, Fink da BlackRock foi nomeado para o Conselho de Administração do distópico Fórum Econômico Mundial de Klaus Schwab, o vínculo corporativo e político da Agenda 2030 da ONU de Carbono Zero. Em junho de 2019, o Fórum Econômico Mundial e as Nações Unidas assinaram um acordo estratégico quadro de parceria para acelerar a implementação da Agenda 2030. O WEF possui uma plataforma de Inteligência Estratégica que inclui os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

    Em sua carta ao CEO de 2021, Fink dobrou o ataque ao petróleo, gás e carvão. “Dada a importância da transição energética para as perspectivas de crescimento de todas as empresas, pedimos às empresas que divulguem um plano de como seu modelo de negócios será compatível com uma economia líquida zero”, escreveu Fink. Outro oficial da BlackRock disse em uma recente conferência sobre energia: “para onde a BlackRock for, outros a seguirão”.

    Em apenas dois anos, até 2022, cerca de US$ 1 trilhão saiu do investimento em exploração e desenvolvimento de petróleo e gás globalmente. A extração de petróleo é um negócio caro e o corte de investimentos externos da BlackRock e de outros investidores de Wall Street significa a morte lenta da indústria.

    Biden – um presidente da BlackRock?

    No início de sua candidatura presidencial sem brilho, Biden teve uma reunião a portas fechadas no final de 2019 com Fink, que teria dito ao candidato que “estou aqui para ajudar”. Após seu fatídico encontro com Fink, da BlackRock, o candidato Biden anunciou: “Vamos nos livrar dos combustíveis fósseis…” Em dezembro de 2020, mesmo antes de Biden tomar posse em janeiro de 2021, ele nomeou o chefe global de investimentos sustentáveis da BlackRock, Brian Deese, para ser Adjunto do Presidente e Diretor do Conselho Econômico Nacional. Aqui, Deese, que desempenhou um papel fundamental para Obama na elaboração do Acordo Climático de Paris em 2015, moldou discretamente a guerra de Biden contra a energia.

    Isso tem sido catastrófico para a indústria de petróleo e gás. O homem de Fink, Deese, foi ativo em fornecer ao novo presidente Biden uma lista de medidas antipetróleo a serem assinadas por ordem executiva a partir do primeiro dia de janeiro de 2021. Isso incluía o fechamento do enorme oleoduto Keystone XL que traria 830.000 barris por dia do Canadá até agora como refinarias do Texas, e interrompendo quaisquer novos arrendamentos no Arctic National Wildlife Refuge (ANWR). Biden também voltou ao Acordo Climático de Paris que Deese negociou para Obama em 2015 e que Trump cancelou.

    No mesmo dia, Biden pôs em marcha uma mudança no chamado “Custo Social do Carbono” que impõe uma multa punitiva de US$ 51 a tonelada de CO2 na indústria de petróleo e gás. Esse movimento, estabelecido sob a autoridade puramente do poder executivo sem o consentimento do Congresso, está lidando com um custo devastador para o investimento em petróleo e gás nos EUA, um país apenas dois anos antes de ser o maior produtor de petróleo do mundo.

    Matando a capacidade da refinaria

    Pior ainda, as regras ambientais agressivas de Biden e os mandatos de investimento ESG da BlackRock estão acabando com a capacidade das refinarias dos EUA. Sem refinarias não importa quantos barris de petróleo você tira da Reserva Estratégica de Petróleo. Nos primeiros dois anos da presidência de Biden, os EUA fecharam cerca de 1 milhão de barris por dia de capacidade de refino de gasolina e diesel, alguns devido ao colapso da demanda, o declínio mais rápido da história dos EUA. As paradas são permanentes. Em 2023, uma capacidade adicional de 1,7 milhão de bpd deve ser fechada como resultado do desinvestimento ESG da BlackRock e Wall Street e dos regulamentos de Biden.

    Citando o pesado desinvestimento de Wall Street em petróleo e as políticas antipetróleo de Biden, o CEO da Chevron em junho de 2022 declarou que não acredita que os EUA jamais construirão outra nova refinaria.

    Larry Fink, membro do Conselho do Fórum Econômico Mundial de Klaus Schwab, é acompanhado pela UE, cuja presidente da Comissão da UE, a notoriamente corrupta Ursula von der Leyen, deixou o Conselho do WEF em 2019 para se tornar chefe da Comissão da UE. Seu primeiro grande ato em Bruxelas foi aprovar a agenda UE Zero Carbon Fit for 55. Isso impôs grandes impostos sobre o carbono e outras restrições ao petróleo, gás e carvão na UE bem antes das ações russas de fevereiro de 2022 na Ucrânia. O impacto combinado da agenda ESG fraudulenta de Fink na administração Biden e a loucura do Carbono Zero da UE está criando a pior crise de energia e inflação da história.

  5. Ótimo! vão conseguir acabar, só em um único exemplo, com a indústria europeia do chocolate! Ponto para a Cacau Show, Kopenhagem, Brasil Cacau, além de todas as pequenas do Rio Grande do Sul (Caracol, Lugano, etc).

  6. A Europa com sua eco-esquisofrenia vai passar fome. Os cidadãos vão cada vez mais depender dos governos para sua mínima sobrevivência . Cenário ideal para a implantação da NOM. Viva a Europa. Nós deu a peste bunonica , duas guerras mundiais o comunismo o nazismo e o fascismo. E gora querem impor a NOM.

    1. O Brasil deveria impor uma lei também, de não exportar nenhum produto para países que não tenham pelo menos 40% de suas florestas preservadas.

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