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No Ponto

O manifesto sobre a escala 6x1 entregue a Alcolumbre pelo setor produtivo

Documento recebido pelo presidente do Senado alerta para risco de informalidade, alta de preços e perda de competitividade caso redução da jornada avance sem critérios técnicos

Davi Alcolumbre
O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP) | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Uma ampla coalizão de entidades do setor produtivo, por intermédio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), entregou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), um manifesto pedindo que o debate sobre a modernização da jornada de trabalho seja conduzido com base técnica e fora do ambiente de disputas eleitorais. 

O documento, intitulado “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil — Emprego formal, produtividade e qualidade de vida”, reúne mais de 100 entidades empresariais e alerta para os impactos econômicos de mudanças estruturais na legislação trabalhista.

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+ ‘Redução unilateral da jornada vai aumentar desemprego, informalidade e inflação’, alerta economista

Logo na abertura, os signatários reconhecem que o debate do fim da escala 6×1 é legítimo, mas fazem uma ressalva central:

“O debate sobre a modernização da jornada de trabalho é legítimo e relevante para o bem-estar dos trabalhadores e para a dinâmica econômica do país. O objetivo social é claro: saúde e qualidade de vida. Para tanto, é necessário colocar também como aspecto central os impactos em competitividade, produtividade e a precarização dos empregos no Brasil.” 

Emprego formal como “ativo social”

O manifesto coloca o emprego formal no centro da discussão. Segundo o texto, “sob o ponto de vista econômico, o emprego formal é um ativo social que precisa ser preservado”.

As entidades citam dados do IBGE e do Ministério do Trabalho que indicam um contingente de dezenas de milhões de vínculos celetistas que poderiam ser afetados por mudanças abruptas.

+ Fim da escala 6×1 pode fechar até 1,2 milhão de vagas de emprego, afirma estudo

A preocupação expressa pelas entidades é que uma eventual redução da jornada, se implementada sem contrapartida em produtividade, possa resultar em aumento de custos, retração de contratações e repasse de preços ao consumidor.

“Quando a produção por hora trabalhada cresce, a sociedade consegue reduzir o volume de trabalho e preservar renda e preços”, destacou o documento. “Isto torna o processo sustentável. No entanto, quando a mudança ocorre sem esse equilíbrio, o resultado pode ser o aumento de custos, a redução de contratações formais e/ou o repasse de preços para o consumidor.” 

Princípios defendidos

Os setores produtivos elencaram quatro princípios que deveriam nortear qualquer alteração:

  • Preservação do emprego formal e mitigação de incentivos à informalidade — lembrando que “cerca de 40% da população economicamente ativa encontra-se na informalidade”;
  • Produtividade como base para sustentabilidade e desenvolvimento social e econômico;
  • Diferenciação por setor e uso de negociação coletiva, reconhecendo a heterogeneidade do mercado de trabalho;
  • Discussão técnica aprofundada e governança de diálogo social, com construção de consensos entre trabalhadores, empregadores e poder público.

Na parte final, o documento fez um alerta direto ao ambiente político:

“Considera-se recomendável que o aprofundamento desta pauta ocorra fora do ambiente de disputas eleitorais, em momento mais propício à construção de consensos duradouros e de soluções equilibradas. Somente com maturidade social poderemos avançar para construir um futuro de trabalho mais justo, produtivo e equitativo para todos os brasileiros.” 

Entidades que assinaram o manifesto sobre a escala 6×1:

  • Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD);
  • Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG);
  • Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto (ABAG/RP);
  • Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS);
  • Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ);
  • Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (ABERC);
  • Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA);
  • Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC);
  • Associação Brasileira da Indústria do Fumo (ABIFUMO);
  • Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ);
  • Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABIOGÁS);
  • Associação Brasileira das Indústrias Ópticas (ABIÓPTICA);
  • Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE);
  • Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (ABIPESCA);
  • Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR);
  • Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (ABISOLO);
  • Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT);
  • Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings (ABLOS);
  • Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA);
  • Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (ABRABOR);
  • Associação Brasileira de Factoring, Securitização e Empresas Simples de Crédito (ABRAFESC);
  • Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO);
  • Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS);
  • Associação Brasileira dos Produtores de Milho (ABRAMILHO);
  • Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA);
  • Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS);
  • Associação Brasileira das Companhias Abertas (ABRASCA);
  • Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE);
  • Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL);
  • Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM);
  • Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS);
  • Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA);
  • Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP);
  • Associação Brasileira de Academias (ACAD Brasil);
  • Associação dos Criadores de Mato Grosso (ACRIMAT);
  • Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (ADIAL);
  • Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO);
  • Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (AENDA);
  • Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA Brasil);
  • Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (AMPA);
  • Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV);
  • Associação Nacional de Restaurantes (ANR);
  • Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (APROSMAT);
  • Associação Brasileira dos Produtores de Soja (APROSOJA BR);
  • Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (APROSOJA MS);
  • Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (APROSOJA MT);
  • Bioenergia Brasil;
  • Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (BIOSUL);
  • Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB);
  • Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC);
  • Central Brasileira do Setor de Serviços (CEBRASSE);
  • Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CECAFÉ);
  • Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP);
  • Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR);
  • Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA);
  • Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC);
  • Confederação Nacional de Dirigentes Logistas (CNDL);
  • Confederação Nacional da Indústria (CNI);
  • Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg);
  • Confederação Nacional do Transporte (CNT);
  • CropLife Brasil;
  • Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP);
  • Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP);
  • Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL);
  • Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (FAMATO);
  • Federação Brasileira de Hotéis e Alimentação (FBHA);
  • Federação do Comércio de Bens de São Paulo (Fecomercio/SP);
  • Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP);
  • Federação Nacional das Empresas de Refeições Coletivas (FENERC);
  • Federação Nacional de Call Center, Instalações e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e Informática (FENINFRA);
  • Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (FEPLANA);
  • Federação de Indústrias do Estado de Goiás (FIEG);
  • Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT);
  • Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP);
  • Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE);
  • Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS);
  • Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP);
  • Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN);
  • Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB);
  • Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ);
  • Instituto Brasileiro para Inovação e Sustentabilidade do Agronegócio (IBISA);
  • Instituto Brasil Logística (IBL);
  • Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM);
  • Instituto Livre Mercado;
  • Movimento Brasil Competitivo (MCB);
  • Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB);
  • Organização de Associações de Plantadores de Cana do Brasil (ORPLANA);
  • Associação Brasileira dos Refinadores Privados (Refina Brasil);
  • Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado de Minas Gerais (SEAC/MG);
  • Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (SECOVI/SP);
  • Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (SINDAG);
  • Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (SINDAN);
  • Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (SINDEPAT);
  • Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância do Estado de Minas Gerais (SINDESP/MG);
  • Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (SINDIRAÇÕES);
  • Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG);
  • Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring do Estado de São Paulo (SINFAC/SP);
  • Sociedade Rural Brasileira (SRB);
  • Associação Brasileira das Indústrias de Suco Integral (SucosBR);
  • União Nacional do Etanol de Milho (UNEM);
  • União da Indústria de Cana-de-Açúcar (ÚNICA);
  • Viva Lácteos – Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos).

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