Entre os desafios enfrentados por mulheres em idade reprodutiva, a infertilidade associada aos miomas uterinos é um tema que desperta atenção crescente. Os miomas, tumores benignos que se desenvolvem no útero, podem afetar a fertilidade dependendo de sua localização e tamanho. Segundo o ginecologista Rafael Alves – (CRM 24008 RQE 12449) compreender como essas alterações influenciam a capacidade de engravidar é fundamental para orientar decisões e tratamentos adequados. Os miomas uterinos apresentam diferentes classificações, sendo que alguns tipos têm impacto direto sobre o endométrio, camada interna do útero essencial para a implantação do embrião. A relação entre esses tumores e a dificuldade para engravidar depende de fatores como o tipo de mioma, sintomas apresentados e planos reprodutivos da mulher.
O que são miomas uterinos e como eles se classificam?
Os miomas uterinos são formações benignas compostas por tecido muscular e fibroso, surgindo com frequência em mulheres entre 30 e 50 anos. Existem três principais tipos de miomas, classificados conforme sua localização:
- Submucosos: crescem em direção à cavidade interna do útero, podendo alterar o endométrio.
- Intramurais: localizam-se na parede muscular do útero.
- Subserosos: projetam-se para fora do útero, em direção à cavidade abdominal.
É importante destacar que os miomas submucosos podem estar associados à infertilidade em 5% a 10% dos casos, conferindo ainda mais relevância ao diagnóstico preciso e ao acompanhamento médico dessas pacientes.
A identificação do tipo de mioma é essencial para determinar a melhor abordagem terapêutica, especialmente quando a fertilidade é uma preocupação.
Infertilidade e miomas: qual é a relação?
Os miomas submucosos, por influenciarem diretamente o endométrio, podem dificultar a implantação do embrião e, consequentemente, a gravidez. Alterações na superfície endometrial provocadas por esses tumores podem impedir que o embrião se fixe adequadamente, resultando em falhas de implantação ou abortos precoces.
Já os miomas intramurais e subserosos tendem a impactar menos a fertilidade, a menos que atinjam grandes dimensões e causem deformidades na cavidade uterina. Nesses casos, o aumento do volume uterino pode interferir no ambiente necessário para o desenvolvimento embrionário, exigindo avaliação médica detalhada.
Quando é necessário tratar miomas para preservar a fertilidade?
A decisão sobre o tratamento em mulheres que desejam engravidar depende de diversos fatores. Em geral, recomenda-se a remoção dos miomas submucosos, principalmente quando associados a sintomas como sangramento intenso ou dificuldades para engravidar. Especificamente, a histeroscopia cirúrgica é indicada para miomas submucosos de até 5 cm, pois esse critério garante maior segurança e eficácia do procedimento. O procedimento mais utilizado é a histeroscopia, técnica minimamente invasiva que permite a retirada do tumor sem grandes cortes.
Para miomas intramurais ou subserosos, a intervenção costuma ser indicada apenas quando o tamanho do tumor compromete a anatomia uterina ou causa sintomas relevantes. A cirurgia pode ser realizada por via laparoscópica ou convencional, de acordo com a avaliação médica e as características do caso.
A miomectomia, que é a cirurgia para a retirada dos miomas preservando o útero, pode ser realizada de diferentes formas, dependendo do tipo, tamanho e localização dos miomas, bem como das condições clínicas da paciente. As principais vias cirúrgicas são laparotomia (cirurgia aberta), laparoscopia (cirurgia minimamente invasiva com auxílio de câmera) e cirurgia robótica. A escolha da via mais adequada deve ser individualizada e discutida entre paciente e equipe médica, levando em conta a experiência do cirurgião, os recursos disponíveis e o melhor prognóstico reprodutivo possível.
Quais exames auxiliam no diagnóstico e acompanhamento dos miomas?
O diagnóstico é feito principalmente por meio de exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética. Esses métodos permitem avaliar o número, tamanho e localização dos tumores, informações essenciais para o planejamento do tratamento. Em situações específicas, a histeroscopia diagnóstica pode ser utilizada para visualizar diretamente a cavidade uterina e identificar alterações no endométrio.
O acompanhamento regular é fundamental para monitorar o crescimento dos miomas e identificar possíveis complicações, como aumento do sangramento ou dor pélvica. Mulheres que planejam engravidar devem manter o acompanhamento ginecológico para garantir que o útero esteja em condições adequadas para a gestação.
Quais são as opções de tratamento para miomas em mulheres que desejam engravidar?
O tratamento dos miomas uterinos pode variar conforme o tipo, tamanho e sintomas apresentados. Entre as opções disponíveis, destacam-se:
- Histeroscopia cirúrgica: indicada para remoção de miomas submucosos de até 5 cm.
- Miomectomia: cirurgia para retirada de miomas intramurais ou subserosos de maior volume. A miomectomia pode ser realizada por laparotomia (cirurgia aberta), laparoscopia (videocirurgia) ou cirurgia robótica, dependendo das características do caso e disponibilidade.
- Tratamento medicamentoso: utilizado em casos selecionados para reduzir o tamanho dos miomas antes da cirurgia.
Importante: A embolização das artérias uterinas não é recomendada para mulheres que desejam engravidar, pois esse procedimento pode comprometer a fertilidade futura. A escolha do tratamento deve ser individualizada, levando em consideração o desejo reprodutivo, idade da paciente e possíveis riscos associados a cada procedimento.
O acompanhamento médico especializado é indispensável para mulheres com essa condição que enfrentam dificuldades para engravidar. Com diagnóstico preciso e tratamento adequado, é possível superar os obstáculos impostos pelos miomas e planejar a maternidade de forma segura e saudável. Vale reforçar que, na prática clínica, a histeroscopia cirúrgica é indicada para miomas submucosos de até 5 cm, sendo este um parâmetro amplamente considerado para otimizar os resultados e a segurança da paciente. Por esse motivo, a embolização das artérias uterinas não é recomendada para mulheres que desejam manter a fertilidade e engravidar no futuro.

O que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre miomas uterinos e fertilidade?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece-os como uma das causas mais comuns de morbidade ginecológica, incluindo impacto na fertilidade feminina. De acordo com as orientações da OMS, recomenda-se que o manejo dos miomas seja centrado na mulher, levando em consideração seus sintomas, idade, desejo reprodutivo e expectativas em relação à fertilidade.
A OMS aconselha que tratamentos invasivos, como a miomectomia, sejam cogitados principalmente quando há sintomas significativos, incluindo infertilidade associada a miomas que distorcem a cavidade uterina, especialmente submucosos. Procedimentos minimamente invasivos, como a histeroscopia, são recomendados para os miomas submucosos menores, sendo alinhados com as diretrizes internacionais de saúde reprodutiva.
Adicionalmente, a OMS destaca que a avaliação e acompanhamento periódico por imagem são essenciais para o controle dos miomas, visando garantir melhores condições uterinas para mulheres que desejam engravidar. Ressalta-se também que, salvo em casos excepcionais, métodos como a embolização arterial uterina devem ser evitados em mulheres que pretendem manter a fertilidade.
Portanto, de acordo com recomendações da OMS, é fundamental individualizar o tratamento, priorizando terapias que preservem as funções reprodutivas sempre que possível, e orientando as pacientes sobre riscos, benefícios e expectativas quanto à fertilidade após o manejo.
Fontes Oficiais
- Miomas Uterinos – Portal Drauzio Varella
- Saiba mais sobre miomas uterinos – Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia)
- Mioma uterino: conheça sintomas, diagnóstico e tratamento – HCor
- Mioma uterino – Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE)
- Mioma uterino – Hospital Israelita Albert Einstein
- Mioma Uterino – Fiocruz









