O jejum intermitente tem ganhado destaque como uma abordagem alimentar voltada para o controle do peso e a melhoria de parâmetros metabólicos. Essa estratégia consiste em alternar períodos de alimentação com intervalos programados de abstinência de calorias, sendo adotada por pessoas que buscam benefícios para a saúde, especialmente em casos de sobrepeso e resistência à insulina. Apesar de sua popularidade, é fundamental compreender para quem essa prática é recomendada e quais são as situações em que pode ser prejudicial. De acordo com a endocrinologista Dra. Karina Santos – (CRMPE14918 RQE3110) nos últimos anos, diversos estudos têm apontado que o jejum intermitente pode contribuir para a redução da gordura corporal, além de melhorar a sensibilidade à insulina e outros indicadores metabólicos. No entanto, nem todos os indivíduos podem adotar esse método com segurança. A avaliação de um profissional de saúde é indispensável para determinar se o jejum intermitente é adequado em cada caso, considerando as particularidades de cada pessoa.
Nota importante:
Praticar o jejum intermitente sem acompanhamento profissional pode trazer riscos à saúde, especialmente para pessoas com condições preexistentes, como problemas cardíacos, diabetes, distúrbios alimentares ou durante períodos especiais da vida, como gestação e lactação. É fundamental que qualquer protocolo de jejum seja iniciado sob supervisão médica e nutricional, pois especialistas alertam que jejuns realizados sem orientação podem resultar em consequências sérias para o organismo.
O que é jejum intermitente e como funciona?
O jejum intermitente é uma estratégia alimentar que alterna períodos de ingestão de alimentos com intervalos de jejum. Existem diferentes protocolos, como o método 16:8, em que a pessoa permanece 16 horas em jejum e se alimenta durante 8 horas, e o protocolo 5:2, que envolve dois dias de restrição calórica na semana. Durante o jejum, o organismo utiliza as reservas energéticas, o que pode favorecer a perda de peso e a melhora de parâmetros metabólicos.
Além da redução calórica, essa abordagem pode influenciar positivamente hormônios relacionados ao metabolismo, como a insulina. Por isso, o jejum intermitente tem sido estudado principalmente em pessoas com resistência insulínica e obesidade, que podem apresentar benefícios significativos ao adotar esse padrão alimentar sob orientação profissional.
Possíveis efeitos colaterais do jejum intermitente
Apesar dos benefícios, é importante destacar que o jejum intermitente pode causar efeitos colaterais em algumas pessoas. Entre os possíveis efeitos adversos estão hipoglicemia (queda dos níveis de açúcar no sangue), desidratação, dor de cabeça, alterações de humor, irritabilidade, tontura, fraqueza, dificuldade de concentração e até constipação. A restrição alimentar prolongada pode também aumentar o risco de episódios de fome excessiva e cansaço. Estudos sugerem que esses efeitos podem ser mais comuns em pessoas sensíveis à redução calorica ou que não estão devidamente acompanhadas por profissionais de saúde. Por isso, todo início de protocolo deve ser acompanhado cuidadosamente, com atenção a esses possíveis sinais de alerta.
Impactos do jejum intermitente na saúde mental
O jejum intermitente pode afetar não apenas o corpo, mas também a saúde mental. Algumas pessoas relatam alterações de humor, como irritabilidade, ansiedade ou sensação de impaciência durante os períodos de jejum, devido à diminuição do açúcar no sangue e à adaptação do organismo. Outros possíveis efeitos incluem dificuldades de concentração, lapsos de memória e até redução da clareza mental temporal, especialmente nos primeiros dias de adaptação. Essa influência sobre o humor e a função cognitiva pode ser mais acentuada em pessoas suscetíveis ou que já apresentam quadros psicológicos prévios. Por isso, é fundamental monitorar como o jejum impacta o bem-estar mental e emocional, e suspender o protocolo caso surjam sintomas psicológicos importantes, buscando sempre orientação de um profissional de saúde. Estudos apontam que, embora alguns relatem melhora na clareza mental com o tempo, outros podem experimentar o efeito oposto, portanto é essencial uma abordagem individualizada.
Riscos do jejum intermitente para pessoas com histórico de transtornos alimentares
Ele exige precaução redobrada por pessoas com histórico de transtornos alimentares, como bulimia, anorexia nervosa e compulsão alimentar periódica. Protocolos de jejum podem, nesses casos, atuar como potencial gatilho para recaídas ou agravar quadros psicológicos preexistentes, já que a restrição alimentar rígida pode intensificar pensamentos obsessivos sobre comida, controle e o próprio corpo. Além disso, o ciclo de restrição seguido de episódios de consumo excessivo pode alimentar comportamentos compulsivos, aumentado o risco de desenvolver ou aprofundar transtornos alimentares. Pesquisas, como destacou reportagem da NSC Total, indicam que a adesão ao jejum intermitente sem acompanhamento em quem já tem tendência a distúrbios pode levar a quadros mais graves e sérias consequências à saúde física e mental. Por isso, a orientação de especialistas é clara: indivíduos com histórico de transtornos alimentares não devem iniciar ou retornar ao jejum intermitente sem avaliação e acompanhamento psicológico e médico adequados, considerando sempre alternativas menos restritivas e mais seguras para o cuidado da saúde.

Riscos para a saúde cardiovascular
Além dos efeitos colaterais já mencionados, recentes evidências científicas apontam que o jejum intermitente pode apresentar riscos cardiovasculares em determinadas populações. De acordo com estudo divulgado na Epidemiology and Prevention | Lifestyle and Cardiometabolic Scientific Sessions 2024, da American Heart Association, indivíduos que praticavam jejum intermitente apresentaram aumento do risco de morte por doença cardiovascular. Especialistas destacam que a redução drástica de refeições e períodos prolongados sem alimentação podem afetar negativamente o funcionamento do coração, principalmente em pessoas com predisposição ou histórico de problemas cardiovasculares.
O consumo insuficiente de nutrientes em jejum prolongado pode impactar o equilíbrio metabólico, interferir na regulação da pressão arterial e contribuir para descompensações cardíacas. Assim, a avaliação rigorosa de um profissional de saúde torna-se ainda mais necessária antes de iniciar qualquer protocolo de jejum, principalmente para quem já apresenta fatores de risco cardíaco ou doenças associadas. Portanto, indivíduos com problemas cardíacos ou histórico familiar de doenças cardiovasculares devem redobrar a atenção quanto à adoção do jejum intermitente.
O que diz a OMS sobre o jejum intermitente?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) não emitiu recomendações específicas para a prática do jejum intermitente em suas diretrizes oficiais até o momento. No entanto, a OMS reforça em diversos materiais a importância de abordagens alimentares baseadas em evidências científicas, personalizadas às necessidades de cada indivíduo e que priorizem a manutenção do equilíbrio nutricional e a saúde global. Segundo a OMS, quaisquer estratégias para controle de peso e prevenção de doenças crônicas, incluindo restrições alimentares ou jejum intermitente, devem ser sempre acompanhadas por profissionais de saúde qualificados e levar em conta possíveis riscos para grupos vulneráveis, como gestantes, crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas ou transtornos alimentares.
A OMS enfatiza ainda que mudanças bruscas de padrão alimentar, sem avaliação prévia, podem levar a consequências negativas à saúde física e mental. Por isso, recomenda-se optar por uma alimentação equilibrada, composta por uma variedade de alimentos naturais e minimamente processados, além da prática regular de atividade física. Até que novas diretrizes baseadas em estudos de longo prazo estejam disponíveis, a OMS sugere cautela quanto à adoção generalizada do jejum intermitente, priorizando sempre a orientação individualizada de médicos e nutricionistas.
Quem não deve fazer?
Apesar dos possíveis benefícios, o jejum intermitente não é indicado para todos. Gestantes, mulheres em fase de amamentação, crianças, adolescentes em crescimento, diabéticos em uso de insulina e pessoas com transtornos alimentares estão entre os grupos para os quais o jejum intermitente é contraindicado. Nesses casos, a restrição alimentar pode representar riscos à saúde, como hipoglicemia, prejuízo ao desenvolvimento e agravamento de quadros psicológicos.
- Gestantes e lactantes necessitam de aporte nutricional adequado para garantir o desenvolvimento do bebê e a produção de leite.
- Crianças e adolescentes estão em fase de crescimento e precisam de energia constante ao longo do dia.
- Pessoas com diabetes em uso de insulina têm maior risco de episódios de hipoglicemia durante o jejum.
- Indivíduos com histórico de transtornos alimentares podem ter agravamento dos sintomas ao adotar restrições alimentares rígidas.
Quais cuidados são necessários antes de iniciar o jejum intermitente?
Antes de adotar, é fundamental buscar orientação de um endocrinologista ou nutricionista. Somente um profissional de saúde pode avaliar o histórico clínico, as necessidades nutricionais e os objetivos de cada pessoa, indicando se o jejum intermitente é uma opção segura e eficaz. O acompanhamento especializado permite a individualização do plano alimentar, prevenindo possíveis complicações e garantindo a adequação dos nutrientes essenciais. Além disso, é fundamental estar atento aos sintomas de efeitos colaterais, como hipoglicemia, desidratação e alterações no humor, especialmente nos primeiros dias de jejum. O monitoramento constante ajuda a identificar qualquer sinal de alerta precocemente e a ajustar o protocolo de acordo com a resposta do organismo.
- Realizar exames laboratoriais para avaliar o estado de saúde geral.
- Discutir com o profissional as expectativas e possíveis limitações.
- Monitorar sinais de alerta, como tontura, fraqueza ou alterações no humor.
- Ajustar o protocolo de jejum conforme a resposta do organismo.
O jejum intermitente é indicado para qualquer pessoa?
O jejum intermitente não é indicado para todas as pessoas e deve ser considerado apenas após avaliação individualizada. A decisão de adotar essa estratégia alimentar deve levar em conta fatores como idade, condições de saúde, uso de medicamentos e histórico de distúrbios alimentares. O acompanhamento médico e nutricional é indispensável para garantir que a prática seja realizada de forma segura e adequada às necessidades de cada indivíduo.
Em 2025, o método continua sendo tema de pesquisas e debates na área da saúde. A recomendação permanece clara: qualquer mudança significativa na alimentação deve ser feita com orientação profissional, respeitando as particularidades de cada pessoa e priorizando sempre o bem-estar e a segurança.
Fontes Oficiais
- Ministério da Saúde – Jejum Intermitente: o que é, benefícios e riscos
- Drauzio Varella – Jejum intermitente: vantagens, riscos e indicações
- UOL VivaBem – Jejum intermitente: veja os riscos alertados por novas pesquisas
- Hospital Alemão Oswaldo Cruz – Jejum intermitente: prática promissora ou risco à saúde?
- Associação Brasileira de Nutrologia – Jejum Intermitente: benefícios e riscos









