Pesquisadores identificaram sinais de instabilidade em uma das principais correntes oceânicas do planeta. A corrente conhecida como Giro Subpolar do Atlântico Norte estaria perdendo força de forma acelerada, aproximando-se de um ponto crítico que pode alterar o clima global. Se o processo se confirmar, parte do hemisfério norte poderá enfrentar um período prolongado de resfriamento.
- Estudo da Universidade de Exeter indica que a corrente perdeu estabilidade desde a década de 1950
- O Giro Subpolar regula as temperaturas da Europa e da América do Norte
- O colapso do sistema pode provocar mudanças bruscas no clima global
O que está acontecendo no Atlântico Norte?
Localizado ao sul da Groenlândia, o Giro Subpolar é parte essencial da chamada Circulação Meridional do Atlântico, que distribui calor e nutrientes pelos oceanos. Essa “esteira oceânica” mantém o equilíbrio térmico do planeta ao transportar águas quentes dos trópicos para o norte e devolver águas frias para o sul.
Segundo a Universidade de Exeter, a corrente vem perdendo estabilidade há décadas e pode estar prestes a atingir um ponto de inflexão. O estudo, conduzido por cientistas do Reino Unido, aponta que essa desaceleração está ligada ao aumento das temperaturas globais e ao derretimento de geleiras na Groenlândia, que alteram a salinidade e a densidade das águas oceânicas.
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Como o estudo identificou o risco de colapso?
Os pesquisadores analisaram conchas de moluscos do Atlântico Norte, como o quahog e o berbigão-americano, que registram em seu crescimento anual as condições químicas da água em que vivem. Essa técnica, semelhante ao uso dos anéis de árvores na climatologia, permitiu reconstruir as variações de temperatura e salinidade do oceano nos últimos 100 anos.
O artigo publicado na revista Science Advances mostra que o Giro Subpolar começou a perder estabilidade ainda na metade do século XX. As alterações detectadas nas conchas indicam mudanças consistentes na composição da água, sinalizando que o sistema pode estar se aproximando de um colapso.
Se essa tendência continuar, a corrente poderá reduzir drasticamente o transporte de calor para o norte, provocando invernos mais rigorosos na Europa e na costa leste dos Estados Unidos. Especialistas comparam o possível cenário a uma nova Pequena Era do Gelo, semelhante à registrada entre os séculos XIV e XIX.
Quais seriam os impactos globais de um colapso?
O Giro Subpolar faz parte de uma engrenagem maior conhecida como Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), responsável por equilibrar o clima global. O colapso desse sistema afetaria diretamente ecossistemas marinhos, regimes de chuva e padrões agrícolas em diversas partes do planeta. A mudança também teria reflexos sobre a economia e a segurança alimentar, principalmente em países do hemisfério norte.
Os cientistas alertam que o fenômeno pode ocorrer de forma repentina, sem tempo hábil para adaptação. Mesmo pequenas alterações na densidade das águas polares podem desencadear uma reorganização total das correntes oceânicas, algo que, segundo os autores, já começou a ser observado nas últimas décadas.
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O que a descoberta representa para a ciência?
O alerta dos pesquisadores é mais um sinal de como os oceanos estão respondendo às mudanças climáticas globais. A análise do Giro Subpolar mostra que os efeitos do aquecimento não se limitam à atmosfera, mas atingem também as correntes que regulam o equilíbrio térmico do planeta.
Para a ciência, o estudo reforça a necessidade de monitorar continuamente os sistemas oceânicos e de compreender como pequenas alterações químicas podem gerar impactos em escala global. O possível colapso do Giro Subpolar é um lembrete de que o clima da Terra depende de interações complexas e delicadas que ainda estão sendo decifradas.
- O Giro Subpolar ajuda a regular as temperaturas globais
- Seu enfraquecimento pode levar a um resfriamento intenso no hemisfério norte
- O estudo reforça o papel dos oceanos na estabilidade climática do planeta









