Imagine a cena, alguém em uma roda de conversa comenta que existiu um papa que, antes de usar a batina branca, teria escrito um romance erótico. A ideia causa espanto, risos nervosos e muita curiosidade, afinal, como uma figura máxima da Igreja Católica poderia ter passado por algo tão ligado ao imaginário sensual e à literatura considerada “mundana”?
Quem foi o primeiro papa que escreveu um romance erótico?
Quando se fala em “primeiro papa autor de obra erótica”, muitos estudiosos apontam para figuras do Renascimento, época em que o clima cultural era mais solto e a literatura amorosa circulava com naturalidade nas cortes europeias. Futuros papas viviam em meio a poetas, artistas e nobres, e nem sempre sua produção escrita combinava com a imagem séria que teriam mais tarde.
Há relatos de textos atribuídos a homens que depois se tornaram papas, com passagens sobre paixão, desejo e encontros íntimos, ainda que nem sempre organizados como um romance moderno. Em muitos casos, a autoria é discutida, há versões diferentes dos manuscritos e a linha entre ficção erótica, poesia amorosa e sátira é bem fina.

Por que um futuro papa teria escrito literatura erótica?
Para entender esse aparente contraste, é preciso lembrar que antes de serem papas, esses homens eram jovens, estudantes e membros de famílias influentes, imersos em um mundo de debates intelectuais e festas de corte. Ler e imitar autores clássicos que falavam de amor e erotismo fazia parte da formação cultural, mais como exercício de estilo do que como declaração de vida.
O que hoje chamamos de “literatura erótica” muitas vezes era visto apenas como narrativa galante ou crítica de costumes. Em certos círculos, um texto com cenas amorosas não significava escândalo imediato, e podia ser lido como jogo literário ou brincadeira entre amigos, muito antes de qualquer pretensão religiosa mais séria.
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Como a Igreja e os historiadores lidam com o tema do papa e o romance erótico?
Quando o assunto surge, historiadores procuram documentos, comparam cópias antigas e tentam entender se o texto foi mesmo escrito pelo futuro papa ou se é fruto de boato. O interesse principal costuma ser compreender o ambiente cultural em que ele vivia, mais do que julgar moralmente o autor do manuscrito.
Já a Igreja tende a falar pouco sobre essa fase, preferindo destacar a caminhada espiritual e o serviço pastoral do papa. Quando a juventude literária é mencionada, muitas vezes aparece como um período de busca e transformação pessoal, reforçando a ideia de mudança de vida ao longo do tempo.

Quais aspectos históricos ajudam a entender esse episódio?
Para enxergar essa história de modo mais amplo, é útil olhar para alguns elementos do contexto em que esses textos surgiram, especialmente no clima vibrante do Renascimento. Isso ajuda a perceber que, para aquelas pessoas, a mistura entre fé, política e literatura era bem mais natural do que imaginamos hoje.
- Ambiente renascentista e humanista: o interesse pela Antiguidade trouxe à tona autores que falavam abertamente de amor e sexualidade.
- Papado como carreira política: muitos papas eram diplomatas e viviam em cortes cheias de festas, jogos de poder e produções literárias.
- Circulação manuscrita: textos de teor sensual muitas vezes circulavam em grupos restritos, o que dificulta a prova de autoria.
- Mudança na moral ao longo dos séculos: o que antes era aceito como diversão elegante pode hoje ser visto como escândalo.
Se você quer saber mais, separamos o vídeo do canal “Vida Nova” falando sobre essa curiosidade:
O que esse caso revela sobre a relação entre fé, poder e literatura?
Essa história do “papa ligado a um romance erótico” lembra que líderes religiosos também são frutos de seu tempo, com juventudes cheias de dúvidas, curiosidades e experiências culturais variadas. Antes de se tornarem símbolos do sagrado, viveram em meios onde escrever sobre amor e desejo podia ser apenas parte da vida intelectual.
Ao mesmo tempo, o modo como lembramos ou escondemos esses episódios mostra como a memória coletiva seleciona o que contar. O fato de o tema ainda gerar reportagens, debates e curiosidade revela que seguimos tentando entender onde termina o sagrado, onde começa o profano e como os dois se misturam na trajetória de quem ocupa tanto poder espiritual e político.









