Uma fraqueza oculta sob o gelo da Groenlândia está ajudando a explicar por que as geleiras da ilha estão deslizando mais rapidamente para o oceano e elevando o nível do mar. Um espesso tapete de sedimentos macios, em vez de rocha dura, funciona como uma esteira escorregadia na base da camada de gelo, reduzindo o atrito e alterando projeções de aumento do nível do mar.
- Sedimentos fracos sob o gelo permitem que as geleiras deslizem muito mais rápido do que sobre rocha sólida
- Ondas sísmicas de terremotos foram usadas para mapear essa camada oculta sem perfurar quilômetros de gelo
- Modelos de aumento do nível do mar podem estar subestimando a velocidade de perda de gelo na Groenlândia
O que a nova pesquisa revela sobre o derretimento acelerado na Groenlândia?
A nova pesquisa sobre a camada de gelo da Groenlândia mostra que grandes áreas do manto não estão apoiadas em rocha firme, mas em sedimentos com até 200 metros de espessura. Esses sedimentos saturados de água reduzem o atrito na base e facilitam o deslizamento do gelo em direção ao mar. Para os climatologistas, isso altera a forma de projetar o aumento do nível do mar nas próximas décadas. Quanto menor o atrito basal, mais rapidamente o gelo do interior alcança a costa e se transforma em água oceânica, antecipando impactos costeiros.

Como os sedimentos sob o gelo aceleram o movimento das geleiras?
A velocidade das geleiras na Groenlândia depende da temperatura, da quantidade de gelo e do tipo de substrato. Quando a base está em rocha dura, o atrito é maior e o gelo encontra resistência ao escoamento. Quando a base está apoiada em sedimentos macios e úmidos, o material se deforma facilmente e funciona como um colchão deslizante. O deslizamento basal aumenta e faz com que mais gelo alcance o oceano com rapidez.
Como os cientistas usaram terremotos para enxergar sob a camada de gelo?
Para mapear o que há sob o gelo da Groenlândia, os pesquisadores aproveitaram ondas sísmicas de grandes terremotos, que viajam pelo interior da Terra e atravessam o gelo. Sismômetros sensíveis instalados sobre o manto de gelo registraram variações na chegada dessas ondas. Ao comparar o tempo de chegada esperado para gelo sobre rocha dura com o que foi medido, os cientistas identificaram atrasos típicos de uma camada mais lenta. Esses sinais são compatíveis com sedimentos macios e porosos, ricos em água.
Onde os sedimentos aparecem na base da Groenlândia?
Ao analisar registros de 373 estações sísmicas, os pesquisadores encontraram atrasos consistentes com a presença de sedimentos em muitos pontos. Os dados indicam um mosaico complexo, com regiões de sedimentos espessos e áreas apoiadas em rocha rígida. Esse padrão fragmentado é crucial, porque áreas aparentemente estáveis no interior podem alimentar canais de gelo mais rápidos na periferia. Regiões que hoje parecem seguras podem se tornar fontes importantes de perda de gelo.
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Como a temperatura de base e a água de degelo enfraquecem o sedimento?
Nem toda a base da Groenlândia está à mesma temperatura, o que controla se os sedimentos permanecem rígidos ou extremamente fracos. Zonas descongeladas tendem a abrigar camadas de sedimentos mais espessas e macias, sensíveis a pequenos aumentos de calor. No verão, parte da água de derretimento na superfície cai por poços verticais chamados moulins até a base do gelo. Essa água aumenta a pressão na interface gelo-solo, reduz o atrito efetivo e facilita a deformação dos sedimentos.
O que essa descoberta muda nas projeções do nível do mar?
Muitos modelos de camadas de gelo ainda assumem uma base simples e homogênea, ignorando manchas de sedimento fraco. A nova evidência mostra que esses bolsões podem acelerar surtos de fluxo de gelo e alterar estimativas futuras. Entre 1992 e 2018, a Groenlândia contribuiu com cerca de 0,43 polegada para o aumento global do nível do mar. Estudos recentes indicam que, entre 2006 e 2018, o manto de gelo adicionou em média 0,8 a 1,0 milímetro por ano ao nível médio global, intensificando riscos costeiros.

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Por que se tornou urgente densificar medições na Groenlândia?
Os dados atuais sobre sedimentos sob o gelo vêm de redes sísmicas permanentes e campanhas temporárias, cada uma cobrindo pontos limitados. Variações rápidas de espessura de sedimento entre estações podem passar despercebidas e gerar incertezas.
Para enfrentar essa limitação, os pesquisadores defendem uma malha mais densa de instrumentos, capaz de detalhar transições bruscas na base. A seguir, estão algumas ações consideradas prioritárias para melhorar esse monitoramento:
- Instalar mais sismômetros em regiões pouco amostradas do interior da Groenlândia
- Repetir medições ao longo das estações para registrar mudanças na rota da água de degelo
- Integrar dados sísmicos com radar de penetração no gelo e medições por satélite
Como conectar sedimentos ocultos à velocidade do gelo na superfície?
Para transformar esse conhecimento em previsões práticas, é necessário integrar mapas de sedimento com medições de velocidade do gelo feitas por satélites. Equipes científicas já combinam essas velocidades superficiais com a topografia de base de projetos como o BedMachine.Levantamentos no oeste da Groenlândia haviam indicado sedimentos espessos na zona de ablação, onde o gelo perde massa. A nova pesquisa amplia esse quadro, sugerindo que a influência dos sedimentos fracos se estende para áreas interiores consideradas estáveis.

Que novos mapas da base a Groenlândia e o nível do mar exigem?
- Sedimentos espessos e fracos sob a camada de gelo da Groenlândia funcionam como uma pista de deslizamento que acelera o fluxo de gelo rumo ao oceano
- Métodos sísmicos usando sinais de terremotos permitiram mapear essa camada oculta sem perfurações profundas, revelando um mosaico complexo de sedimentos e rocha
- Modelos de elevação do nível do mar precisam incorporar melhor o tipo de material da base e a interação com água de degelo para produzir projeções mais seguras para comunidades costeiras









