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Início Curiosidades Históricas

Em um antigo sítio arqueológico, pesquisadores encontraram algo que pode reescrever a história da evolução humana

Gessika Julia Por Gessika Julia
15 março 2026 19:05
Em Curiosidades Históricas
Em um antigo sítio arqueológico, pesquisadores encontraram algo que pode reescrever a história da evolução humana

Estudos sugerem que linhagem humana pode ter raízes ancestrais nos Bálcãs

Imagine caminhar por uma antiga planície, há mais de 7 milhões de anos, e descobrir que os primeiros passos da nossa história talvez não tenham acontecido na África, mas sim nos Bálcãs. Foi isso que um osso de fêmur encontrado na Bulgária sugeriu aos cientistas, ao reacender a discussão sobre onde, afinal, começou a trajetória que levaria ao ser humano moderno.

O que é um hominíneo e por que Graecopithecus é tão importante?

Hominíneo é o nome dado ao grupo de espécies que faz parte da nossa linhagem, incluindo o Homo sapiens e seus ancestrais mais próximos, mas deixando de fora chimpanzés e gorilas. A grande marca desse grupo é a capacidade de andar em duas pernas, o bipedismo, que nos diferencia de outros primatas que vivem mais nas árvores.

Durante muito tempo, pensava-se que a África concentrava os primeiros candidatos a hominíneos, como Orrorin tugenensis, do Quênia, com cerca de 7 milhões de anos. A entrada de Graecopithecus freybergi nesse debate, com fósseis encontrados na Grécia e na Bulgária de aproximadamente 7,2 milhões de anos, fez muitos pesquisadores olharem com mais atenção para o sudeste europeu, levantando a hipótese de que a nossa linhagem possa ter raízes mais amplas do que se imaginava.

origem dos hominíneos
Hominíneo é o nome dado ao grupo de espécies que faz parte da nossa linhagem. – Créditos: depositphotos.com / pustosh

A origem dos hominíneos aconteceu apenas na África?

A análise detalhada do fêmur encontrado no sítio de Azmaka, na Bulgária, mostrou um colo femoral alongado, algo ligado à postura ereta e à locomoção bípede. Em primatas que andam sobre quatro membros ou vivem mais nas árvores, essa região do fêmur costuma ter outra forma e proporção, como se vê em chimpanzés e gorilas atuais, que mantêm um centro de gravidade diferente do dos hominíneos.

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Essas evidências levaram alguns cientistas a propor que populações bípedes podem ter surgido primeiro na Europa Oriental, antes de se espalharem para a África. Mudanças climáticas no Mioceno teriam transformado florestas em áreas mais abertas, o que favoreceria a caminhada pelo solo e, depois, migrações em direção ao continente africano. Outros pesquisadores, porém, defendem que esses fósseis podem representar apenas um ramo colateral, próximo à nossa linhagem, mas não necessariamente um ancestral direto.

origem dos hominíneos
A análise detalhada do fêmur encontrado no sítio de Azmaka, na Bulgária, mostrou um colo femoral alongado. – Créditos: depositphotos.com / microgen

Como o bipedismo transformou o corpo humano?

Quando nossos ancestrais passaram a caminhar em duas pernas, não foi só o jeito de andar que mudou: praticamente todo o corpo precisou se adaptar. Ao comparar fósseis antigos com chimpanzés atuais, os pesquisadores identificam várias alterações ligadas ao bipedismo.

  • Coluna vertebral: a curvatura em “S” ajuda a equilibrar o peso do corpo e a absorver impactos durante a caminhada.
  • Bacia: um quadril mais largo e em formato de tigela favorece o equilíbrio em pé e a gestação, permitindo o suporte de órgãos internos.
  • Crânio: o forame magno mais central mantém a cabeça alinhada sobre a coluna, o que é essencial para caminhar ereto sem sobrecarregar a nuca.
  • Pés: o arco plantar e o dedão voltado para a frente impulsionam cada passo e distribuem melhor o peso do corpo.
  • Mãos: dedos mais curtos e polegar alongado ajudam a manipular objetos com precisão, abrindo caminho para o uso de ferramentas.

Leia também: A surpreendente história dos óculos e sua evolução ao longo dos séculos

De que forma o clima e as migrações dos hominíneos influenciaram essa história?

No fim do Mioceno, partes da Eurásia teriam passado por um clima mais seco e aberto, parecido com savanas, o que mudou profundamente a rotina dos antigos primatas. Nesses ambientes, ficar em pé e caminhar sobre duas pernas poderia facilitar ver predadores à distância e encontrar água e alimento mais espalhados pela paisagem.

Espécies como Graecopithecus teriam sido empurradas para fora das florestas densas, adaptando-se cada vez mais ao solo. Ao longo de milhões de anos, sucessivas migrações em direção à África podem explicar por que tantos fósseis posteriores aparecem em países como Etiópia, Quênia e Tanzânia. Estudos recentes de paleoclima e de fauna sugerem que essas rotas migratórias eram complexas, com idas e vindas entre regiões hoje separadas por mares e cadeias de montanhas.

Se você quer saber mais, separamos o vídeo do canal “Origens Da Humanidade” falando sobre essa curiosidade:

O que esse novo achado muda sobre a origem humana?

O fêmur encontrado na Bulgária não resolve o mistério da origem dos hominíneos, mas amplia o mapa dessa busca. Em vez de um único “berço” fixo, ganha força a ideia de uma história espalhada entre a África e a Europa Oriental, com várias populações se adaptando em diferentes paisagens ao longo do tempo.

Entre as próximas etapas, cientistas pretendem buscar mais fósseis de Graecopithecus, refinar a datação dos sítios nos Bálcãs e na África e integrar dados de clima, fauna e genética. Com novas tecnologias de imagem e análise, esse primata pode ser visto no futuro como um ancestral direto ou um parente bem próximo da nossa linhagem, reforçando que nossa origem foi um processo longo, feito de muitos passos, muitos cenários e muitos caminhos evolutivos que se cruzaram antes do surgimento do Homo sapiens.

Tags: Áfricacuriosidades históricasdescoberta arqueológicahominíneo

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