Em 2024, os termômetros de Corumbá ultrapassaram 40°C em 150 dias. A “Cidade Branca” do Mato Grosso do Sul aparece com frequência no topo do ranking de calor do Brasil, já marcou 43,3°C no INMET e mesmo assim mantém uma população que aprendeu a conviver com o sol intenso. É que essa cidade de fronteira com a Bolívia guarda 60% do Pantanal sul-mato-grossense, casarões do século XIX e uma festa onde o santo padroeiro toma banho de rio.
O calor que virou rotina e moldou um jeito de viver
Corumbá é frequentemente a cidade mais quente do Brasil. Em novembro de 2023, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) registrou 43,3°C no município. Em outubro de 2024, a marca foi de 42,7°C, considerada recorde histórico local. Um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que Corumbá enfrentou 150 dias de calor extremo em 2024.
O corumbaense aprendeu a organizar a rotina em torno do sol. As atividades ao ar livre concentram-se no início da manhã e no fim da tarde. O comércio tem ritmo próprio e o rio Paraguai vira refúgio natural nos meses mais quentes. A umidade relativa do ar pode cair abaixo de 20% no auge da seca, exigindo hidratação constante. Apesar do calor, moradores destacam a segurança, o custo de vida acessível e a relação direta com a natureza como razões para permanecer na cidade.

O que faz alguém escolher morar sob esse sol?
Corumbá oferece o que poucas cidades brasileiras conseguem: a porta de entrada para o maior santuário ecológico das Américas, na esquina de casa. A cidade foi fundada em 1778 como posto militar e chegou a ter o 3º maior porto fluvial da América Latina, atrás apenas de Buenos Aires e Montevidéu. Imigrantes europeus e sul-americanos construíram casarões neoclássicos na encosta, e o Casario do Porto Geral, tombado pelo IPHAN em 1993, preserva essa memória.
A fronteira seca com a Bolívia tempera o cotidiano. É comum ouvir espanhol misturado ao português nas ruas, comprar saltenhas no café da manhã e cruzar para Puerto Quijarro para fazer compras na zona franca. A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul classifica Corumbá como um dos principais destinos turísticos do estado. A região também é reconhecida pela UNESCO como Reserva da Biosfera do Pantanal.

O santo que toma banho de rio e a festa que para a cidade
Todo dia 23 de junho, milhares de pessoas descem a Ladeira Cunha e Cruz carregando a imagem de São João até as margens do Rio Paraguai. O Banho de São João é o ritual de mergulhar o santo nas águas, renovando forças para um novo ciclo. A celebração mistura cururu, viola de cocho, fogueiras e influências de religiões africanas. Em 2021, o IPHAN inscreveu o Banho de São João no Livro de Registro das Celebrações como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Corumbá também abriga o maior carnaval do Mato Grosso do Sul e o Festival América do Sul Pantanal, encontro de arte e música que reúne artistas de países vizinhos. A cidade detém a segunda maior jazida de ferro e manganês do país, representada pelo Maciço de Urucum, e foi uma das primeiras do Centro-Oeste a ter atividade industrial, na década de 1940.
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O que conhecer na capital do Pantanal?
Corumbá distribui atrações entre o centro histórico, o rio e a planície alagável. A Estrada Parque funciona como um zoológico a céu aberto. Os programas essenciais:
- Casario do Porto Geral: conjunto de casarões neoclássicos tombados pelo IPHAN à beira do Rio Paraguai. Pôr do sol inesquecível.
- Estrada Parque Pantanal: rota de terra para safári fotográfico com jacarés, tuiuiús, capivaras e araras-azuis.
- Cristo Rei do Pantanal: estátua no Morro do Cruzeiro com vista de 360° da cidade e da planície alagada.
- Muhpan (Museu de História do Pantanal): acervo interativo sobre a ocupação humana e a biologia da região, instalado em construção de 1876.
- Forte Coimbra: construído em 1775 às margens do Rio Paraguai, tombado pelo IPHAN, palco de batalhas na Guerra do Paraguai.
Quem sonha em desbravar o Pantanal, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 53 mil visualizações, onde Deva e João mostram a história, os casarões do porto e o pôr do sol inesquecível de Corumbá, no Mato Grosso do Sul:
Quando o calor dá trégua e a fauna aparece?
O clima é tropical semiúmido com calor intenso na maior parte do ano. O ciclo das águas define a paisagem: a cheia verde e a seca que concentra a fauna. Cada período tem sua experiência:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à fronteira do Pantanal?
O Aeroporto Internacional de Corumbá (CMG) recebe voos diretos de Campinas (Viracopos) e conexões via Campo Grande. De carro, a cidade fica a 420 km de Campo Grande pela BR-262, trajeto longo, mas cênico, que já cruza trechos do Pantanal. Dentro da região, barcos e voadeiras são o principal transporte para pousadas pantaneiras.
A cidade que convive com o extremo e não reclama do sol
Corumbá faz calor como poucas cidades no Brasil. Mas o mesmo sol que castiga o asfalto ilumina o pôr do sol mais bonito do Rio Paraguai, aquece as águas que alimentam o Pantanal e embala uma cultura de fronteira que mistura cururu, saltenha e viola de cocho. O corumbaense aprendeu que o calor é parte do endereço, e o endereço é a porta do maior santuário ecológico do continente.
Você precisa ver o sol se pôr no Porto Geral, com os casarões iluminados de um lado e a planície infinita do outro, para entender por que 110 mil pessoas escolheram morar sob esse céu que nunca deixa de brilhar.








