O estudo recente realizado na caldeira de Kikai, no Japão, chamou a atenção da comunidade científica ao indicar que o reservatório magmático do supervulcão está voltando a se encher milhares de anos após uma erupção antiga, tornando a caldeira de Kikai um dos exemplos mais citados quando se fala em monitoramento de supervulcões e em estratégias globais de mitigação de riscos vulcânicos.
O que é o supervulcão da caldeira de Kikai?
A caldeira de Kikai é o resultado de uma erupção explosiva de grande escala durante o Holoceno, período geológico em que a humanidade se desenvolveu. Esse tipo de estrutura se forma quando a câmara magmática esvazia rapidamente, o teto perde sustentação e a superfície afunda, criando um grande cratérico geralmente associado a forte liberação de cinzas.
No caso de Kikai, o evento alterou de forma duradoura a paisagem e deixou um sistema vulcânico ainda ativo em profundidade, com domos de lava e fontes de calor que continuam sendo investigados. Pesquisas recentes mostram que esses elementos fazem de Kikai um importante laboratório natural para entender como grandes sistemas vulcânicos evoluem ao longo de milhares de anos.

Como os cientistas estudam o reservatório magmático da caldeira de Kikai?
O foco desta análise recai sobre o reservatório magmático — a região da crosta onde o magma se armazena antes de irromper na superfície. No caso de Kikai, cientistas utilizam um conjunto de técnicas geofísicas e geoquímicas para monitorar a evolução desse sistema e detectar mudanças graduais ocorrendo a grandes profundidades.
Entre as principais estratégias usadas para estudar a caldeira de Kikai e outros grandes sistemas estão métodos que ajudam a “enxergar” o interior da Terra e a composição do magma:
- Sismologia ativa e passiva uso de terremotos naturais e de pulsos sísmicos gerados por equipamentos para mapear estruturas internas
- Imagem sísmica 3D reconstrução do interior da crosta a partir da velocidade das ondas para diferenciar rocha sólida de zonas parcialmente fundidas
- Geoquímica de rochas e gases estudo da composição de lavas, cinzas e emissões gasosas para inferir origem e evolução do magma
- Medidas de deformação do solo monitoramento por GPS e satélites de levantamentos e rebaixamentos do terreno
- Magnetotelúrica e gravimetria análise de variações de campos magnéticos e gravitacionais associadas a estruturas subterrâneas
Leia também: Eles perfuraram 523 metros de gelo na Antártida com água quente para alcançar uma rocha de 23 milhões de anos.
Por que o reservatório magmático da caldeira de Kikai é considerado um supervulcão?
A erupção que originou a caldeira de Kikai ocorreu há cerca de 7.300 anos e foi tão volumosa que provocou o colapso do solo, deixando um enorme cratérico hoje submerso. Essa erupção é classificada com Índice de Explosividade Vulcânica VEI 7, o que a coloca entre as maiores do Holoceno, em uma categoria comparável a eventos como Tambora e Toba.
Para compreender a escala monumental desta explosão e como ela se compara a outros marcos geológicos da história, o canal @恐竜ミステリー研究所 apresenta uma análise detalhada sobre a ‘supererupção’ de Kikai. O vídeo explora o Índice de Explosividade Vulcânica (VEI) 7 e as consequências globais que um evento deste volume acarreta:
Quais sinais podem indicar futuras grandes erupções na caldeira de Kikai?
Os cientistas que acompanham o reservatório magmático da caldeira de Kikai apontam que a recarga de magma, por si só, não significa que uma erupção de grande porte seja iminente. Em sistemas desse tipo, o intervalo entre eventos gigantescos costuma ser muito longo, mas a identificação de magma novo em um reservatório antigo oferece pistas importantes sobre o estágio atual do vulcão.
Para que as equipes de monitoramento no Japão e ao redor do mundo identifiquem uma maior atividade no sistema, elas observam um conjunto de sinais integrados: o aumento de tremores locais e a deformação acelerada da superfície evidenciam a movimentação e a pressurização do magma, enquanto mudanças na composição química dos gases, variações térmicas e instabilidades estruturais no domo de lava confirmam que o vulcão está em processo de ajuste interno e exige atenção especial.









