Imagine um animal que já estava vivo quando o Brasil ainda era colônia portuguesa e continua nadando hoje nas profundezas do oceano. O tubarão-dorminhoco foi registrado pela primeira vez nas águas quase congeladas da Antártida, a 490 metros de profundidade, desafiando tudo o que a ciência acreditava sobre os limites da vida marinha nos polos.
Como o tubarão-dorminhoco foi flagrado nas profundezas da Antártida?
A descoberta ocorreu nas proximidades das Ilhas Shetland do Sul, onde câmeras submarinas registraram um exemplar com cerca de 4 metros de comprimento. Até então, a ciência considerava o continente antártico hostil demais para qualquer espécie de tubarão devido às temperaturas extremas.
O professor Alan Jamieson, diretor do Centro de Investigação Oceânica Minderoo-UWA, relatou que a observação foi feita em águas a 1,27 °C, próximas do ponto de congelamento. O animal estava em uma camada ligeiramente mais quente, o que pode indicar a existência de corredores térmicos que permitem sua penetração mais ao sul.

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Quais são os superpoderes de sobrevivência do tubarão-dorminhoco em águas congeladas?
Segundo a National Geographic, as imagens publicadas em fevereiro de 2026 confirmam que esses animais são autênticos tubarões polares. A resistência deles reside em uma constituição biológica única, desenvolvida para economizar energia em condições severas.
Diferente de predadores velozes, o tubarão-dorminhoco adota um estilo de vida lento, crescendo menos de 1 centímetro por ano e nadando em velocidades reduzidas. Essa rotina pausada permite que o corpo conserve o calor necessário para manter as funções vitais em funcionamento constante.

Por que o tubarão-dorminhoco pode viver até 392 anos?
O grupo do gênero Somniosus inclui o famoso tubarão-da-groenlândia, reconhecido como o vertebrado com a vida mais longa do planeta. Estudos realizados em 2016 indicaram que indivíduos dessa linhagem podem atingir 392 anos, estabelecendo recordes absolutos de longevidade na natureza.
Pesquisas genéticas recentes revelaram os mecanismos por trás dessa longevidade extrema. Os fatores genéticos que sustentam essa sobrevivência incluem:
- 81 genes específicos voltados para a reparação constante do DNA celular
- Versão alterada do gene TP53, responsável por suprimir tumores e proteger o genoma
- Via de sinalização NF-κB duplicada para fortalecer o sistema imunitário
- Altas dosagens de TMAO para estabilizar enzimas em ambientes de frio intenso
Como a ureia e o TMAO funcionam como anticongelante no corpo do tubarão-dorminhoco?
Para evitar o congelamento interno, os tecidos desses animais carregam altas concentrações de dois compostos químicos que trabalham em conjunto. É uma solução biológica de precisão que a evolução levou milhões de anos para desenvolver:
- Ureia: auxilia no equilíbrio osmótico com a água salgada, permitindo a vida em ambientes de alta salinidade, mas desestabiliza as proteínas do corpo como efeito colateral
- TMAO (N-óxido de trimetilamina): age como estabilizador químico que contrabalança o efeito da ureia, permitindo o funcionamento enzimático em temperaturas próximas ao ponto de congelamento
A presença simultânea dos dois compostos em alta concentração é o que permite ao tubarão-dorminhoco manter a saúde celular em águas a 1,27 °C, onde qualquer outro vertebrado simplesmente não sobreviveria.
Para aprofundar essa descoberta histórica nas profundezas, selecionamos o conteúdo do canal Firstpost, com mais de 9,36 milhões de inscritos. No vídeo a seguir, as imagens capturadas mostram o exemplar de 4 metros nadando calmamente em temperaturas próximas do congelamento:
O que a presença desse animal revela sobre o futuro dos oceanos polares?
De acordo com a oceanógrafa Jessica Kolbusz, este é o primeiro registro in situ de um elasmobrânquio no oceano Austral. A possibilidade de existir um corredor de água quente permitindo essa migração para o sul levanta novas questões sobre o impacto ambiental e a movimentação das espécies.
O registro reforça a necessidade de novos estudos para mapear se o tubarão-dorminhoco é um residente permanente ou um visitante ocasional da Antártida. Entender como esses predadores operam nas sombras do gelo ajuda a proteger ecossistemas sob constante pressão climática.

Uma criatura de séculos que reescreve os limites da vida nos oceanos
Um animal que cresce menos de 1 centímetro por ano, carrega um arsenal genético contra o envelhecimento e sobrevive em águas a 1,27 °C não é apenas uma raridade biológica. É a prova de que os oceanos ainda guardam formas de vida que desafiam qualquer limite que a ciência julgava definitivo.
Cada nova imagem capturada nas profundezas polares amplia o mapa do que é possível na natureza. O tubarão-dorminhoco da Antártida não é um visitante improvável do fundo do mar, é um lembrete de que o planeta ainda tem muito mais a revelar do que já foi registrado.









