O som das pedras irregulares sob os pés se mistura ao cheiro de cachaça artesanal e mar. Paraty, no litoral sul fluminense, foi incluída pela revista Forbes entre as 50 vilas mais bonitas do mundo em 2025, na 35ª posição global. A cidade colonial é a única representante brasileira no ranking, ao lado de joias como Bibury, na Inglaterra, em primeiro lugar.
Por que a Forbes elegeu Paraty entre as mais bonitas?
O reconhecimento veio pela combinação rara de natureza preservada, arquitetura colonial intacta e cultura viva. A lista “The World’s 50 Most Beautiful Villages 2025, According to Experts” foi atualizada em setembro de 2025 e ganhou destaque oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em outubro do mesmo ano.
A publicação destacou as ruas de pedra, os casarões caiados e o entorno natural, com mais de 65 ilhas e cerca de 100 praias na baía. Paraty aparece ao lado de vilas como Hallstatt, na Áustria, Reine, na Noruega, e Oia, na Grécia.
A curadoria foi feita pela Unforgettable Travel Company, com critérios que reúnem beleza natural, preservação histórica e relevância cultural. Para o IPHAN, o destaque reforça o papel de Paraty como um dos destinos mais representativos do Brasil.

Reconhecimentos da UNESCO e do IPHAN para a vila colonial
Paraty acumula títulos que poucas cidades brasileiras conseguem reunir. O centro histórico foi tombado pelo IPHAN em 1958 e, desde então, mantém o traçado colonial original.
Em 5 de julho de 2019, o Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu Paraty e Ilha Grande como o primeiro sítio misto do Brasil. O título cobre quase 149 mil hectares de Mata Atlântica preservada e foi oficialmente entregue à cidade em cerimônia na Casa da Cultura.
O sítio é único na América Latina por ser reconhecido como cultura viva. Outros sítios mistos do continente, como Machu Picchu, no Peru, são apenas arqueológicos. Em Paraty, o reconhecimento abrange comunidades caiçaras, quilombolas e indígenas que mantêm tradições ancestrais, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O fenômeno da maré que invade o centro histórico
Existe um detalhe que torna Paraty única no mundo. O traçado urbano colonial foi pensado para receber a maré dentro das ruas, em um sistema de drenagem natural projetado no século XVIII.
As vias foram desenhadas com depressões no meio-fio, e as casas foram erguidas alguns centímetros acima do calçamento para resistir à água. O objetivo era prático: a maré arrastava os dejetos dos cavalos e burros que circulavam pela vila portuária no auge do Caminho do Ouro.
Três séculos depois, o fenômeno continua. Nas luas cheia e nova, a maré de sizígia cobre o calçamento de pé de moleque e cria reflexos entre os casarões caiados de branco. A Prefeitura de Paraty destaca essa coexistência entre o patrimônio histórico e o ambiente natural como marca do destino.
O que fazer em Paraty além do centro histórico?
A cidade combina passeios urbanos com aventuras na baía e nas trilhas da serra. O centro fechado a carros é o ponto de partida, mas grande parte do roteiro acontece em barco ou em caminhadas pela Mata Atlântica.
- Centro Histórico: ruas de pedra fechadas para carros, com igrejas do século XVIII e casarões caiados.
- Passeio de escuna pelas ilhas: rota tradicional que percorre praias e piscinas naturais na baía.
- Saco do Mamanguá: única ria tropical do Brasil, acessível por barco, com trilha até o Pico do Pão de Açúcar local.
- Cachoeira do Tobogã: pedra natural escorregadia em meio à mata, em Penha, popular para banho.
- Trindade: vila de pescadores com piscinas naturais, a cerca de 25 km do centro.
- Caminho do Ouro: trilha histórica de pedras originais por onde escoava o ouro de Minas Gerais até o porto.
A cozinha caiçara é parte da experiência e tem reconhecimento próprio. Em 2017, Paraty entrou para a Rede de Cidades Criativas da Gastronomia da UNESCO.
- Peixe na banana da terra: prato típico caiçara, com peixe local envolto em folha de bananeira e molho de leite de coco.
- Camarão casadinho: receita tradicional servida com pirão e arroz nos restaurantes do centro histórico.
- Cachaça artesanal: a região tem alambiques centenários e é considerada um dos berços da cachaça brasileira.
- Doces caseiros: encontrados nas quitandas do centro, feitos com banana, abóbora e leite condensado caseiro.
Quem sonha em conhecer Paraty, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 341 mil visualizações, onde Lígia e Ulisses mostram as praias e o centro histórico do Rio de Janeiro:
Quando é a melhor época para visitar a vila colonial?
Paraty fica em uma região de chuvas abundantes o ano inteiro, mas o inverno costuma ser mais seco e estável. As estações definem o tipo de programa que vale a pena.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Paraty saindo do Rio ou de São Paulo?
Paraty fica praticamente no meio do caminho entre as duas maiores capitais do país. A distância para o Rio de Janeiro é de cerca de 240 km pela BR-101, conhecida como Rodovia Rio-Santos, em uma viagem de aproximadamente quatro horas de carro.
De São Paulo, o trajeto tem cerca de 270 km e o caminho mais comum passa pela Rodovia dos Tamoios até Caraguatatuba, seguindo pela Rio-Santos. Ônibus saem diariamente das rodoviárias Novo Rio e Tietê para a cidade colonial.
Conheça a vila brasileira eleita pela Forbes
Paraty reúne em poucos quilômetros tudo o que faz uma vila ser inesquecível: arquitetura colonial intacta, mar com dezenas de ilhas, cultura viva e três séculos de história gravados nas pedras das ruas. O reconhecimento da Forbes apenas confirma o que viajantes do mundo inteiro já sabem.
Você precisa pisar nas pedras irregulares de Paraty numa tarde de maré alta, quando o mar invade as ruas e transforma a vila num cenário que nenhuma outra cidade do mundo consegue reproduzir.









