Após 1.600 anos submersos no porto de Alexandria, no Egito, fragmentos do lendário Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, estão sendo retirados do fundo do Mar Mediterrâneo por uma equipe internacional de arqueólogos. A operação integra o Projeto PHAROS, uma iniciativa franco-egípcia com o objetivo de criar um gêmeo digital completo da estrutura milenar.
Quais blocos do Farol de Alexandria foram recuperados e quanto pesam?
A operação, realizada em julho de 2025 e liderada pela arqueóloga francesa Isabelle Hairy, resultou na extração de 22 blocos monumentais do fundo do mar. Entre os elementos recuperados há dinteis, ombreiras, umbrais e lajes de pavimento, peças que integravam a entrada monumental do Farol de Alexandria, com pesos individuais que variam entre 70 e 80 toneladas.
A arquitetura das peças revela uma combinação de técnicas de construção egípcias e gregas, reflexo do período helenístico em que a estrutura foi erguida. Cada bloco carrega marcas de encaixe e acabamento que permitem aos arqueólogos identificar a posição original de cada peça na estrutura.

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Como o Farol de Alexandria foi ao fundo do Mediterrâneo?
O Farol de Alexandria foi construído entre 280 e 247 a.C., durante o reinado de Ptolomeu II, na ilha de Faros, na entrada do porto de Alexandria. Durante séculos, foi o edifício mais alto do mundo depois das Pirâmides de Gizé, estimado em cerca de 120 a 140 metros de altura, o equivalente a um edifício de 40 andares.
Uma série de terremotos, especialmente os de 956, 1303 e 1323 d.C., destruiu progressivamente a estrutura até que ela afundou definitivamente no mar. Parte dos escombros do farol original foi reutilizada no século XV para a construção da Cidadela de Qaitbay, a fortaleza que ainda protege a entrada do porto de Alexandria.

Quando as ruínas do Farol de Alexandria foram descobertas no fundo do mar?
As ruínas submersas eram visíveis desde 1968, mas foi apenas em 1994 que o arqueólogo francês Jean-Yves Empereur conduziu a primeira exploração sistemática em larga escala. A expedição documentou mais de 3.300 objetos, entre esfinges, obeliscos, colunas e blocos de granito, dispersos pelo leito do porto de Alexandria.
O canal Canal History Brasil, com mais de 5,22 milhões de inscritos, registrou o resgate dos 22 blocos do Farol de Alexandria e os detalhes do Projeto PHAROS em primeira mão:
O que é o Projeto PHAROS e qual é o seu objetivo?
Segundo o jornal AS, a missão atual vai além da recuperação física dos blocos. Mais de 100 fragmentos arquitetônicos já foram escaneados digitalmente no fundo do mar ao longo da última década, e os blocos recém-extraídos serão incorporados a esse acervo digital.
Um grupo multidisciplinar composto por historiadores, arqueólogos, numismatas e arquitetos trabalha em paralelo, compilando:
- Descrições antigas do farol deixadas por viajantes e cronistas da Antiguidade
- Moedas e medalhas cunhadas com a imagem do farol durante o período helenístico e romano
- Representações artísticas em mosaicos, relevos e manuscritos medievais que registraram a estrutura antes de seu colapso
O que a reconstrução digital vai permitir pela primeira vez em séculos?
O objetivo final do Projeto PHAROS é permitir que, pela primeira vez em séculos, seja possível “entrar” digitalmente em uma das construções mais imponentes da Antiguidade e compreender sua engenharia com rigor científico. A reconstrução virtual combinará os dados dos blocos físicos com as fontes históricas para criar um modelo tridimensional completo do Farol de Alexandria.
A iniciativa representa uma mudança na forma como a arqueologia lida com patrimônios irrecuperáveis na sua forma original: quando a reconstrução física é impossível, a tecnologia permite que a história seja acessada de uma forma que nenhuma geração anterior teve. O Farol de Alexandria pode nunca mais se erguer sobre o porto egípcio, mas em breve será possível percorrê-lo como se ainda estivesse de pé.









