O sol bate forte no asfalto, mas quase não chega ao chão. As copas das árvores se fecham sobre as avenidas e formam túneis de sombra em Maringá, no noroeste do Paraná, a única cidade do Brasil com 98,6% das ruas arborizadas e quatro vezes eleita a melhor cidade do país para se viver.
A cidade desenhada na prancheta por um urbanista que nunca pisou nela
Maringá nasceu de um plano. Em 1943, o engenheiro paulistano Jorge de Macedo Vieira recebeu fotos aéreas e mapas topográficos de uma área de mata e desenhou a futura cidade aplicando o conceito de cidade-jardim do urbanista britânico Ebenezer Howard, sem jamais ter pisado no terreno.
O traçado seguiu o relevo com avenidas largas, canteiros centrais arborizados e três reservas de mata nativa dentro do perímetro urbano. A fundação oficial veio em 10 de maio de 1947, e o nome surgiu antes do primeiro tijolo, da canção composta por Joubert de Carvalho em 1931 sobre uma retirante chamada Maria do Ingá.
Oito décadas depois, o desenho continua sustentando a cidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Maringá é a metrópole brasileira com mais de 100 mil habitantes que registra o maior índice de moradores vivendo em ruas com presença de árvores no Censo 2022.

Vale a pena viver em Maringá segundo os rankings de qualidade de vida?
Os dados oficiais respondem com consistência rara entre as cidades brasileiras. Em 2024, Maringá conquistou o primeiro lugar no Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), produzido pela consultoria Macroplan, com nota 0,765 entre as 100 maiores cidades brasileiras, a melhor marca histórica do levantamento.
A pesquisa avalia quatro áreas essenciais para o bem-estar urbano: educação, saúde, segurança e saneamento. Foi a quarta vez em cinco edições que a Cidade Canção liderou o ranking, com primeiro lugar nos critérios de saúde e saneamento. As outras vitórias vieram em 2017, 2018 e 2021.
O reconhecimento internacional veio em 2022, quando a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Fundação Arbor Day concederam à cidade o selo Tree Cities of the World, segundo o Portal da Prefeitura de Maringá. O selo coloca a Cidade Canção ao lado de metrópoles como Paris, Madri, Nova York e Toronto.

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O que fazer em Maringá durante uma visita à Cidade Canção?
O roteiro maringaense gira em torno de monumentos, parques urbanos e bosques nativos preservados. A maior parte das atrações cabe em dois dias. Veja o que merece entrar na visita:
- Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória: monumento religioso mais alto da América do Sul, com 124 metros entre o cone de concreto e a cruz, inspirado nos foguetes da era espacial.
- Parque do Ingá: 47 hectares de mata nativa em pleno centro da cidade, com lago, pista de caminhada e área de Mata Atlântica preservada.
- Parque do Japão: complexo cultural que celebra a colônia japonesa de Maringá, com lago de carpas, jardim japonês tradicional e museu da imigração.
- Bosque das Grevíleas: parque urbano sombreado por árvores centenárias, ponto de caminhada favorito dos moradores.
- Museu Dinâmico Interdisciplinar: instalado no campus da Universidade Estadual de Maringá, com exposições interativas de ciência e entrada gratuita.
- Eixo Monumental: avenida que conecta a Catedral à Praça da Catedral em linha reta, ponto fotográfico mais conhecido da cidade.
A culinária local reflete a mistura de colônias que formou a cidade, com forte presença italiana, japonesa, árabe e portuguesa. Entre os pratos e experiências gastronômicas mais lembradas estão:
- Massas italianas: tradição vinda dos imigrantes italianos que chegaram nos anos 1940, servidas em cantinas espalhadas pelo centro.
- Comida japonesa: Maringá tem uma das maiores colônias japonesas do interior do Brasil, com restaurantes de sushi e yakisoba na região do Parque do Japão.
- Esfihas e quibes árabes: herança da colônia árabe que se instalou na cidade, com casas tradicionais perto da Avenida Brasil.
- Feira Gastronômica da Avenida Paraná: aos domingos, reúne food trucks, comidas regionais e música ao vivo no centro da cidade.
Quem planeja visitar Maringá, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Araujos por aí, que conta com mais de 9.300 visualizações, onde Thaago e Babi mostram os lugares mais incríveis para conhecer no Paraná:
Qual a melhor época para visitar Maringá?
O clima é subtropical úmido, com estações bem definidas. Cada época oferece um tipo diferente de experiência:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Entre agosto e setembro, a floração dos ipês transforma os corredores verdes em faixas amarelas e roxas, criando uma das imagens mais marcantes da cidade. É a melhor época para o cicloturismo nas avenidas arborizadas.
Como chegar a Maringá saindo de Curitiba ou São Paulo?
O Aeroporto Regional Silvio Name Júnior recebe voos diretos de São Paulo, Curitiba, Campinas e outras capitais brasileiras. É o acesso mais rápido para quem vem de longe.
De carro, a cidade fica a cerca de 425 km de Curitiba, com acesso pela BR-376, em um trajeto de aproximadamente 5 horas. Vinda de São Paulo, a distância é de cerca de 670 km pela BR-116 e BR-376. Londrina fica a apenas 100 km por rodovia duplicada, alternativa útil para quem encontra passagens aéreas mais baratas para o aeroporto vizinho.
Conheça a metrópole verde que virou referência de qualidade de vida
Poucas cidades brasileiras entregam no cotidiano o que prometem nos folhetos. Maringá combina arborização exemplar, indicadores sociais altos e um planejamento urbano que sobreviveu a quase 80 anos sem perder o sentido original.
Você precisa caminhar pelas avenidas sombreadas da Cidade Canção e entender por que tantos brasileiros escolhem o noroeste do Paraná como referência de bem-estar urbano.









