Quando uma espécie desaparece de um ecossistema por quase dois séculos, o caminho de volta parece impossível. No caso das tartarugas-gigantes de Galápagos, a solução veio de uma descoberta genética inesperada em 2000 e de um programa de 26 anos que culminou no retorno histórico de 158 animais à Ilha Floreana em 2026.
Por que as tartarugas-gigantes desapareceram de Floreana?
A subespécie Chelonoidis niger niger foi extinta da Ilha Floreana por volta de 1840, vítima da caça intensiva por marinheiros e piratas, além da introdução de espécies invasoras que destruíam seus ninhos e competiam por alimento. Durante 180 anos, a ilha ficou sem seu principal “engenheiro ecológico”.
De acordo com a Wikipédia, a espécie das Galápagos pode chegar a 400 kg e viver mais de 170 anos. Sua lentidão e tamanho as tornavam alvo fácil para os navegantes que as usavam como alimento vivo nos porões dos navios.

Como foi possível trazer de volta uma espécie extinta?
Em 2000, uma descoberta surpreendente mudou o rumo da história. Cientistas encontraram no Vulcão Wolf, na Ilha Isabela (a 70 km de Floreana), tartarugas com características de casco semelhantes às extintas. Testes genéticos confirmaram: eram híbridos descendentes da linhagem original de Floreana, provavelmente levados por navios no passado.
A partir de 2017, um programa de retro-hibridização começou a cruzar seletivamente esses indivíduos para aumentar a pureza genética da subespécie perdida. O trabalho, liderado pelo Parque Nacional Galápagos em parceria com a Galápagos Conservancy, produziu os 158 filhotes que agora retornaram ao lar ancestral.

Onde e como aconteceu a soltura das tartarugas?
A soltura histórica ocorreu em 20 de fevereiro de 2026, na Ilha Floreana. Os animais, com idades entre 10 e 13 anos, foram criados em cativeiro e preparados para a vida selvagem. Cada um recebeu microchips de identificação e alguns foram equipados com transmissores de rastreamento.
A revista Scientific American acompanhou o evento e ouviu James Gibbs, vice-presidente de ciência da Galápagos Conservancy: “Assistir às tartarugas pisarem em Floreana e começarem a explorar foi incrivelmente emocionante. Parecia o fim de um esforço de 26 anos, mas ao mesmo tempo, um começo”.
O perfil conexaoplaneta_, que tem mais de 104 mil seguidores, publicou um vídeo mostrando o momento exato da reintrodução. A legenda destaca que a soltura faz parte do maior projeto de restauração ecológica já realizado no arquipélago, que prevê a reintrodução de 12 espécies nativas.
Qual a importância ecológica desse retorno?
As tartarugas-gigantes são consideradas espécies-chave (engenheiras do ecossistema). Ao se alimentarem e se deslocarem, elas dispersam sementes, controlam a vegetação invasora e ajudam a regenerar florestas. Sua presença restaura processos ecológicos que estavam interrompidos há quase dois séculos.
Rick Hudson, presidente emérito da Turtle Survival Alliance, compara com experiências anteriores: “Quando tartarugas de Aldabra foram trazidas de volta às Ilhas Maurício, plantas nativas retornaram e a vegetação introduzida diminuiu. Esperamos resultados semelhantes em Floreana”.

Quais são as características das tartarugas-gigantes reintroduzidas?
Os animais soltos têm entre 10 e 13 anos e ainda levarão cerca de 25 anos para atingir a maturidade sexual. A expectativa é que formem uma população autossustentável nas próximas décadas. A tabela abaixo resume as principais informações sobre a espécie e o projeto:
| Item | Informação |
|---|---|
| Espécie | Chelonoidis niger niger (híbridos com linhagem de Floreana) |
| Número de indivíduos | 158 |
| Idade média | 10 a 13 anos |
| Local da soltura | Ilha Floreana, Galápagos |
| Ano da extinção local | Aproximadamente 1840 |
Que desafios ainda precisam ser superados?
Apesar do sucesso inicial, a reintrodução enfrenta obstáculos. Espécies invasoras como ratos, porcos e cabras ainda ameaçam ovos e filhotes. Por isso, o programa inclui o controle contínuo de predadores e o monitoramento intensivo dos animais por meio de rádio-colar.
Além disso, a vegetação da ilha mudou ao longo de dois séculos, e as tartarugas precisarão se adaptar aos recursos atuais. Os cientistas acompanharão de perto a alimentação, o crescimento e a reprodução para intervir se necessário.
O retorno das tartarugas-gigantes a Floreana é mais que uma conquista científica: é um símbolo de esperança para a conservação global. Como disse Gibbs, “o ecossistema e a linhagem evolutiva da ilha estão sendo reiniciados. Os processos biológicos que moldaram Floreana estão voltando”.









