Expressões populares carregam histórias curiosas, e poucas são tão intrigantes quanto “lágrimas de crocodilo”. Usada até hoje para descrever um choro falso ou manipulador, essa frase tem raízes em um imaginário medieval repleto de exageros e narrativas fantásticas que moldaram a comunicação ao longo dos séculos.
Como surgiu a expressão lágrimas de crocodilo?
A origem da expressão remonta ao século XIV, com a obra The Travels of Sir John Mandeville, um relato de viagens repleto de descrições exóticas e, muitas vezes, fantasiosas. Nesse texto, crocodilos eram retratados como criaturas que choravam enquanto devoravam suas presas.
Essa imagem contraditória, de um predador que aparenta tristeza ao mesmo tempo em que ataca, chamou a atenção dos leitores da época. Mesmo sendo cientificamente incorreta, a ideia se espalhou e passou a simbolizar a falsidade emocional.

Por que essa história medieval ganhou tanta força?
No contexto medieval, relatos de viagem misturavam observação com imaginação. A ausência de conhecimento científico detalhado permitia que histórias como essa fossem aceitas e replicadas sem grandes questionamentos.
Alguns fatores explicam a popularização dessa narrativa:
- Fascínio por criaturas exóticas e desconhecidas
- Falta de comprovação científica na época
- Interesse por histórias que misturavam moralidade e fantasia
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Como Shakespeare ajudou a popularizar o termo?
Foi no período renascentista que a expressão ganhou força definitiva. O dramaturgo William Shakespeare incorporou a ideia em suas obras, ajudando a consolidar o significado simbólico da expressão.
Na peça Othello, o termo aparece associado à falsidade emocional e manipulação. A partir desse momento, “lágrimas de crocodilo” passou a ser amplamente reconhecida como uma metáfora para sentimentos fingidos.
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O que a ciência diz sobre os crocodilos chorarem?
Embora crocodilos realmente possam produzir lágrimas, isso não está ligado a emoções como tristeza ou arrependimento. Trata-se de um processo fisiológico relacionado à lubrificação dos olhos e à eliminação de substâncias.
Essa diferença entre mito e realidade pode ser resumida em alguns pontos importantes:
- Crocodilos possuem glândulas lacrimais funcionais
- As lágrimas têm função biológica, não emocional
- O comportamento descrito na Idade Média é um equívoco interpretativo

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Por que a expressão continua sendo usada até hoje?
A força dessa expressão está na sua capacidade de transmitir uma ideia complexa de forma simples e visual. A imagem de alguém chorando sem sentir de fato cria uma metáfora poderosa, facilmente compreendida em diferentes contextos.
Mesmo séculos depois, “lágrimas de crocodilo” permanece relevante, mostrando como narrativas antigas podem moldar a linguagem moderna. É um exemplo claro de como mitos e literatura influenciam a forma como interpretamos comportamentos humanos.









