As cavernas calcárias do Camboja tornaram-se um dos cenários mais importantes para o estudo da biodiversidade em 2026. Em meio a formações rochosas pouco exploradas, equipas de biólogos e especialistas locais vêm identificando espécies inéditas para a ciência, desde cobras raras até pequenos invertebrados microscópicos, revelando como esses ambientes isolados funcionam como refúgios naturais para formas de vida extremamente especializadas.
Como é a biodiversidade nas cavernas calcárias do Camboja?
A biodiversidade das cavernas calcárias do Camboja é marcada por alto grau de endemismo, com muitas espécies que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta. Entre os registros mais recentes estão uma víbora-de-fosseta turquesa, uma cobra-voadora, novas espécies de lagartixas, microcaracóis e milípedes ainda em processo de descrição formal.
As paisagens cársticas funcionam como um arquipélago em terra firme, em que cada colina e cada caverna atuam como “laboratórios isolados”. Populações de lagartixas de dedos curvos, por exemplo, já exibem variações genéticas e morfológicas que indicam especiação em curso, tornando a região ideal para estudos de evolução e adaptação.
Por que a província de Battambang se tornou foco das pesquisas?
A província de Battambang, no noroeste do país, desponta como um dos principais focos de investigação científica. Colinas cársticas e redes de cavernas se estendem por milhares de quilômetros, formando um mosaico de habitats únicos que abrigam tanto espécies recém-descobertas quanto animais globalmente ameaçados.
Entre 2023 e 2025, um levantamento intensivo percorreu dezenas de cavernas, resultando na descrição de novas espécies e na confirmação da presença de pangolins, pavões-verdes e diferentes espécies de macacos. Os dados também revelaram o estado de conservação dessas áreas e os riscos crescentes que elas enfrentam.
Como é feito o levantamento de espécies nas cavernas?
O trabalho científico nas cavernas calcárias do Camboja segue uma rotina planejada, combinando mapeamento diurno e buscas noturnas por fauna ativa após o pôr do sol. Durante o dia, as equipas registram acessos, características geológicas e dialogam com comunidades locais para localizar cavidades ainda não catalogadas.
À noite, grupos percorrem terrenos rochosos e irregulares, iluminando fendas com lanternas para documentar répteis, anfíbios, invertebrados e outros organismos que usam as cavernas como abrigo. Algumas cavidades com grandes colónias de morcegos são evitadas por questões de saúde e segurança, preservando também sua importância ecológica.
Confira as informações do canal “Wild World TV“ no YouTube, mostrando as espécies encontradas na caverna do Camboja:
Quais são as etapas do trabalho científico nas cavernas?
O processo de estudo da fauna cavernícola envolve uma sequência estruturada de etapas, da coleta criteriosa em campo até a aplicação dos resultados em ações de conservação. Essa abordagem sistemática garante que cada registro contribua para o conhecimento científico e para a gestão das áreas cársticas.
- Etapa de campo: observação direta, registro fotográfico e coleta criteriosa de amostras.
- Análises em laboratório: estudo de ADN, morfologia e comparação com espécies já descritas.
- Registro oficial: publicação de relatórios e artigos científicos que formalizam novas espécies.
- Planejamento de conservação: uso dos dados para propor proteção de áreas-chave.
Qual é a dimensão do esforço recente de exploração de cavernas?
Entre 2023 e 2025, essa abordagem sistemática permitiu a exploração de 64 cavernas em 10 colinas cársticas, incluindo 14 cavidades ainda não mapeadas. Esse esforço ampliou significativamente o inventário de espécies conhecidas, inclusive para grupos pouco estudados, como microcaracóis e milípedes troglóbios.
Para os especialistas, contudo, essa amostragem representa apenas uma fração do potencial da região, já que grande parte das paisagens cársticas do país permanece sem estudos detalhados. Novas expedições são planejadas para áreas remotas, onde se espera encontrar linhagens evolutivas ainda desconhecidas.

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Quais ameaças colocam em risco as cavernas calcárias do Camboja?
Apesar de sua riqueza biológica, as cavernas calcárias do Camboja enfrentam pressão crescente de atividades humanas. A extração de calcário para produção de cimento é uma das principais ameaças, pois pode destruir colinas inteiras e eliminar habitats de espécies restritas a poucas cavidades.
Outros fatores de risco incluem turismo desordenado, caça de animais silvestres, desmatamento no entorno das colinas e incêndios florestais. Em cavernas usadas como santuários e locais de meditação, o pisoteio, o lixo e a iluminação artificial alteram a dinâmica ambiental e afetam espécies adaptadas a baixa luz e estabilidade climática.
Quais são as principais fontes de impacto sobre os ambientes cársticos?
Para compreender melhor os desafios à conservação, pesquisadores e autoridades ambientais identificam as principais fontes de impacto sobre as paisagens cársticas. Esses fatores afetam não apenas a fauna subterrânea, mas também os fluxos hídricos e a vegetação que sustenta as cadeias alimentares locais.
- Mineração de calcário: remoção direta de habitats cársticos.
- Turismo excessivo: degradação de formações e perturbação da fauna.
- Caça e captura: redução de populações de mamíferos, aves e répteis.
- Desmatamento e fogo: alteração do entorno das cavidades e dos fluxos hídricos.

Como a proteção das paisagens cársticas pode ser ampliada?
Diante desse cenário, organizações de conservação e autoridades ambientais discutem formas de fortalecer a proteção das paisagens cársticas. Entre as medidas em análise estão estatutos específicos de proteção, ordenamento do turismo em cavernas muito visitadas e diálogo com a indústria de cimento para evitar a exploração de áreas críticas à biodiversidade.
Espera-se que o conhecimento científico gerado até agora sirva de base para decisões de longo prazo, integrando gestão pública, ciência e práticas locais. Em 2026, a percepção de que ainda se conhece apenas uma fração da biodiversidade das cavernas do Camboja impulsiona novos projetos e reforça a ideia de que cada colina cárstica representa um capítulo único da história natural e cultural do país.









