No coração de Minas Gerais, abraçada pela Serra do Curral, fica a segunda capital planejada do Brasil. Belo Horizonte nasceu em 12 de dezembro de 1897 com avenidas largas inspiradas em Paris e Washington, e hoje funciona como a porta para destinos como Ouro Preto, Inhotim e a Serra do Cipó, sem abrir mão da vida urbana com botecos, parques e arquitetura assinada por Oscar Niemeyer.
Como uma cidade nasceu desenhada na prancheta em 1897
A primeira tentativa de tirar a capital de Ouro Preto data de 1789, com a Inconfidência Mineira, mas só com a Proclamação da República, em 1889, a mudança ganhou força. Conforme registra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o antigo arraial de Curral del Rei foi escolhido para abrigar a nova capital, e o engenheiro Aarão Reis (1853-1936) chefiou a Comissão Construtora.
O traçado urbano foi inovador para a época. As ruas largas formam ângulos retos, cortadas por avenidas diagonais batizadas com nomes de estados e povos indígenas. A obra foi concluída em três anos. A cidade foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897 com o nome de Cidade de Minas e só passou a se chamar Belo Horizonte em 1901. Foi a segunda capital planejada do Brasil, depois de Teresina, e serviu de referência para o projeto de Brasília quase 60 anos depois.

Por que a Pampulha virou Patrimônio Mundial da Humanidade?
Por unir num só lugar quatro nomes da arquitetura e das artes brasileiras. O Conjunto Moderno da Pampulha foi tombado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 16 de julho de 2016, durante a 40ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em Istambul. Tornou-se o 20º bem brasileiro inscrito na lista, conforme registra a Agência Brasil.
O conjunto foi encomendado nos anos 1940 pelo então prefeito Juscelino Kubitschek, futuro presidente, ao arquiteto Oscar Niemeyer. O paisagismo é assinado por Roberto Burle Marx e o painel de azulejos da Igreja de São Francisco de Assis foi pintado por Cândido Portinari. A orla da lagoa tem 18 km e abriga, segundo o Portal Oficial de Belo Horizonte, o Museu de Arte da Pampulha (antigo cassino), a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube.

A porta de entrada para os destinos mais desejados de Minas
Belo Horizonte funciona como base ideal para conhecer os tesouros do estado. A capital fica a 100 km de Ouro Preto, primeira cidade brasileira reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO, em 1980. Em direção ao sul, Tiradentes e São João del-Rei aparecem em pouco mais de três horas. Diamantina, terra natal de Juscelino Kubitschek, fica a 285 km, no Vale do Jequitinhonha.
Para quem busca natureza, a Serra do Cipó está a 100 km da capital, com cachoeiras e o Parque Nacional homônimo. Inhotim, em Brumadinho, é o maior museu de arte contemporânea ao ar livre da América Latina e fica a 60 km. Já o Caraça, com seu santuário do século 19 e os lobos-guarás que aparecem no pátio à noite, está a 120 km. A capital tem dois aeroportos (Confins e Pampulha) que conectam todos esses roteiros à malha aérea nacional.
O que fazer em Belo Horizonte
Apesar do ritmo de metrópole, a capital mineira reúne arte, natureza e cultura de boteco em um só raio urbano. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Conjunto Moderno da Pampulha: lagoa com 18 km de orla e quatro edifícios assinados por Niemeyer, com painéis de Portinari e jardins de Burle Marx.
- Mercado Central: mercado tradicional inaugurado em 1929 com mais de 400 lojas de queijo, cachaça, doces e cozinha mineira.
- Praça da Liberdade: antiga sede do governo estadual, hoje um circuito cultural com museus em prédios históricos.
- Parque das Mangabeiras: maior parque urbano da cidade, com 2,3 milhões de m² aos pés da Serra do Curral.
- Praça do Papa: mirante na entrada do Parque das Mangabeiras com vista de quase toda a capital.
- Mineirão: estádio reformado para a Copa de 2014, com museu do futebol e tour pelos vestiários.
A cozinha mineira é uma das mais celebradas do Brasil, e a capital concentra restaurantes premiados e botecos centenários. Os pratos mais procurados são:
- Frango com quiabo: clássico da cozinha mineira, servido com angu, arroz e couve.
- Feijão tropeiro: feijão refogado com farinha, linguiça, ovos e couve, herança do ciclo do tropeirismo.
- Pão de queijo: o quitute mineiro mais famoso, servido fresquinho em padarias e botecos.
- Queijo canastra: produzido no sul de Minas, vendido em fatias generosas no Mercado Central.
- Doce de leite: corte cremoso ou em barra, fechamento clássico das refeições mineiras.
Quer um roteiro completo do que fazer em Belo Horizonte, a capital mineira? Vai curtir esse vídeo do canal Anderson Sap, onde o apresentador mostra dicas de viagem imperdíveis:
Quando o clima de Belo Horizonte favorece cada passeio?
A cidade fica a cerca de 850 metros de altitude, o que garante clima ameno o ano todo. O inverno é seco e fresco, o verão concentra as chuvas em pancadas curtas no fim da tarde. Veja o que esperar em cada estação:
Estação marcada por pancadas de chuva no fim da tarde. Aproveite a Pampulha pela manhã e a tradicional cultura dos botecos à noite.
Com a diminuição das chuvas, o clima fica extremamente agradável. Excelente janela para realizar bate-voltas até Inhotim e Ouro Preto.
O período seco e fresco garante os melhores dias. Aproveite o tempo firme para realizar trilhas ecológicas na Serra do Cipó e no Caraça.
Os termômetros sobem junto com o retorno de precipitações moderadas. Explore os parques urbanos e saboreie as delícias do Mercado Central.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme a altitude.
Conheça Belo Horizonte e o ritmo da capital mineira
Poucas capitais do Brasil conseguem entregar tanto. Belo Horizonte une o desenho moderno do fim do século 19, o cartão postal de Niemeyer e o portal para os caminhos mais cobiçados de Minas em um único endereço.
Você precisa visitar Belo Horizonte e descer para a Pampulha ao pôr do sol, comer em um boteco do centro e descobrir por que os mineiros costumam dizer que toda viagem por Minas começa nessa serra.









