A 551 metros de altitude, no Planalto da Borborema, há uma cidade que vive duas vidas em perfeita sincronia. Em junho, Campina Grande recebe mais de três milhões de pessoas em 38 dias de festa, e durante o ano inteiro abriga a universidade que mais registra patentes entre todas as instituições de ensino do Brasil.
Como o agreste paraibano virou referência em tecnologia?
A história da inovação local começa no fim da década de 1960. O primeiro computador do Norte e Nordeste foi implementado em 1968, em Campina Grande, segundo registros do Governo da Paraíba.
O salto seguinte veio em 1984, quando a cidade ganhou um dos quatro primeiros parques tecnológicos do Brasil, ao lado do de São Carlos, em São Paulo. Conforme a Agência Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), esses dois são os parques mais antigos ainda em operação no país, criados há mais de 40 anos.
O resultado aparece nos rankings atuais. A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) ocupou o 2º lugar geral no ranking de patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2023, com 101 depósitos, atrás apenas da Petrobras. Foi a primeira entre todas as instituições de ensino do país.

A 3ª cidade mais inovadora do Brasil
Os indicadores são consistentes. No Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) 2023, da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Campina Grande aparece em 3º lugar nacional no determinante Inovação, atrás apenas de Florianópolis e Limeira, conforme divulgação do Governo da Paraíba.
A cidade também desponta na proporção de mestres e doutores formados em ciência e tecnologia, um dos cinco indicadores avaliados pela metodologia. Esse ecossistema explica por que a Rainha da Borborema atrai parcerias com gigantes globais e participa do desenvolvimento da rede 5G no Brasil, segundo informações da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior.

O Maior São João do Mundo: 38 dias e mais de 3 milhões de pessoas
De um lado, laboratórios. Do outro, sanfona. A edição 2025 d’O Maior São João do Mundo reuniu 3.233.548 visitantes ao longo de 38 dias, segundo dados oficiais divulgados pela Prefeitura de Campina Grande.
O centro da festa é o Parque do Povo, espaço que somado ao Parque Evaldo Cruz chega a 80 mil m² de área pública dedicada ao forró, à dança e à culinária regional. A movimentação econômica passou de R$ 742 milhões na edição passada, com mais de 500 apresentações artísticas distribuídas entre quatro palcos principais.
A edição 2026 acontece de 3 de junho a 5 de julho, totalizando 33 dias de programação, conforme a Prefeitura. A expectativa é superar o público de 3,2 milhões registrado em 2025, com transmissões dos jogos da Copa do Mundo no palco principal.
O contraste que define a Rainha da Borborema
Pouco mais de 400 mil habitantes vivem no município, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O perfil da população é moldado pelas três universidades públicas locais: a UFCG, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e o Instituto Federal da Paraíba (IFPB).
A combinação de instituições de ensino, parque tecnológico e ecossistema de startups posicionou Campina Grande como referência rara no interior do Nordeste. Engenheiros formados na UFCG já foram recrutados por gigantes como Sony, HP e Microsoft, segundo registros divulgados pela imprensa especializada.
O mesmo lugar que abriga laboratórios de biomateriais e desenvolve pesquisas com substâncias da Caatinga é o que recebe trios de forró pé de serra durante o ciclo junino. A cidade simplesmente acomoda os dois ritmos.
Quer saber o que acontece quando se vai para Campo Grande sem saber o que esperar? Vai curtir esse vídeo:
O que visitar fora do mês junino?
O turismo em Campina Grande não se resume a junho. O cotidiano da cidade gira em torno do Açude Velho, do centro histórico e da feira mais tradicional da região. Entre os pontos imperdíveis para conhecer, destacam-se:
- Açude Velho: cartão-postal da cidade, com calçadão arborizado, Monumento aos Pioneiros e vista do centro histórico iluminado, segundo a Prefeitura de Campina Grande.
- Feira Central: um dos maiores mercados populares do Brasil, com 75 mil m² distribuídos em nove ruas. Funciona diariamente.
- Museu de Arte Popular da Paraíba: acervo dedicado ao artesanato em couro, barro e bordado típico da região.
- Vila do Artesão: complexo de lojas regionais na Avenida Almeida Barreto, ideal para levar lembranças autênticas.
- Memorial do Maior São João do Mundo: espaço permanente que conta a história da festa e fica aberto fora da temporada junina.
- Parque do Povo: mesmo fora de junho vale a visita, já que recebe shows e eventos culturais ao longo do ano.
Quando o assunto é gastronomia, a Rainha da Borborema vive de ingredientes do agreste e do sertão paraibano. Entre os pratos típicos para provar na cidade, vale destacar:
- Rubacão: prato-símbolo da Paraíba, feito com arroz, feijão verde, queijo coalho, carne de sol e nata.
- Buchada de bode: receita tradicional com vísceras temperadas, servida em restaurantes especializados em comida sertaneja.
- Baião de dois: combinação de arroz e feijão verde com queijo coalho e carne seca, comum nos almoços campinenses.
- Carne de sol com macaxeira: combinação clássica do agreste, servida com manteiga de garrafa e queijo coalho.
- Mungunzá doce: sobremesa de milho branco com leite de coco, presença certa nas barracas da Feira Central.
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Quando o clima favorece a viagem ao Planalto da Borborema?
A altitude de 551 metros faz de Campina Grande uma das cidades mais frescas do Nordeste. As noites de inverno chegam a marcar mínimas próximas de 15°C, o que ajuda a explicar por que a festa de São João, em junho, ganhou apelido de mais aconchegante do país.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Rainha da Borborema?
Campina Grande fica a aproximadamente 130 km de João Pessoa, com acesso pela BR-230. O trajeto de carro leva entre 1h40 e 2 horas dependendo do trânsito, e ônibus partem da capital paraibana ao longo de todo o dia.
Para quem vem de outras capitais, o Aeroporto Presidente João Suassuna recebe voos diretos de cidades como Recife, Guarulhos e Brasília, com tempo médio de viagem entre 2 e 3 horas.
Conheça a cidade que pensa alto e dança ainda mais forte
Campina Grande prova que inovação e tradição podem dividir a mesma esquina. Entre um laboratório da UFCG e um trio de sanfona no Parque do Povo, o agreste paraibano construiu uma identidade que poucos lugares no mundo conseguem replicar.
Você precisa subir ao Planalto da Borborema e conhecer Campina Grande, a cidade onde o Brasil pesquisa alto, patenteia mais que muita capital e ainda dança forró até o sol nascer.








