Entre os muitos temas que circulam em estudos de personalidade, um deles chama atenção do público: a possível relação entre o mês de nascimento e o desenvolvimento da empatia, explorando como fatores biológicos e ambientais presentes durante a gestação e nos primeiros meses de vida podem influenciar a forma como cada pessoa percebe e reage às emoções alheias, sem definir um “destino” pelo calendário, mas sugerindo tendências estatísticas que ganharam espaço em redes sociais e reportagens.
Quais meses de nascimento são mais associados à empatia?
Em levantamentos que cruzam dados de comportamento, clima e período gestacional, aparecem com frequência quatro meses ligados a maior tendência empática: março, abril, setembro e outubro. Esses períodos marcam a transição entre verão e outono e entre inverno e primavera, com leve maior incidência de altos escores em sensibilidade emocional, cooperação e capacidade de se colocar no lugar do outro.
Nessas análises, indivíduos nascidos em março e abril costumam ter a gestação atravessando meses de temperaturas mais elevadas e maior exposição solar. Já quem nasce em setembro e outubro passa boa parte da gestação no inverno, com variações na imunidade, incidência de infecções respiratórias e diferenças na rotina alimentar e de sono das gestantes, fatores que podem repercutir no desenvolvimento neurológico ligado à empatia.

O que os estudos de psicologia indicam sobre esse assunto?
A psicologia, em diálogo com a psiquiatria e a neurociência, utiliza escalas padronizadas de empatia para avaliar grandes amostras populacionais. Alguns trabalhos observam leve concentração de maiores índices empáticos entre pessoas nascidas nesses quatro meses, mesmo após controle de fatores como nível socioeconômico, gênero e escolaridade, sempre descrita como tendência estatística, não como regra individual.
Os estudos sugerem que o mês de nascimento funciona como um indicador indireto de um conjunto de experiências: exposição a determinadas doenças infecciosas, variações sazonais de humor nas gestantes e mudanças no padrão de luz e temperatura. Nesse cenário, a empatia resulta de múltiplos fatores ao longo da vida, e o calendário é apenas um entre muitos elementos que influenciam o desenvolvimento emocional.
- Empatia cognitiva: compreensão racional do que o outro sente.
- Empatia emocional: ressonância afetiva com o estado do outro.
- Comportamentos pró-sociais: atitudes concretas de ajuda e cooperação.

Como a gestação e o ambiente influenciam o desenvolvimento da empatia?
Pesquisas sobre desenvolvimento pré-natal indicam que o ambiente uterino é sensível a mudanças sazonais e pode modular circuitos cerebrais ligados à empatia. Entre os fatores mais citados está a exposição à luz solar, que interfere na produção de vitamina D e na regulação de hormônios como melatonina e serotonina, substâncias que participam da maturação de regiões envolvidas no controle emocional.
Outro ponto recorrente é a influência de infecções sazonais e do estresse materno, mais comuns em determinados períodos do ano. Inflamações, alterações de sono, alimentação reduzida a certos grupos de alimentos e mudanças de rotina podem afetar, ainda que de forma sutil, a formação dos circuitos neurais responsáveis por perceber e responder às emoções de outras pessoas.
- Clima e temperatura: alterações no conforto térmico da gestante.
- Vitamina D e luz solar: influência na maturação do sistema nervoso.
- Estado emocional materno: variações de humor associadas a estações.
- Exposição a infecções: respostas inflamatórias que podem alcançar o feto.
- Rotina e estilo de vida: mudanças alimentares e de atividade física ao longo do ano.
Confira as informações do psiquiatra Fernando Fernandes, no canal “Psiquiatra Fernando Fernandes” no YouTube, explicando sobre empatia:
Por que a relação entre empatia e mês de nascimento viraliza nas redes sociais?
A combinação entre mês de nascimento e empatia ganhou grande repercussão nas redes sociais por oferecer uma narrativa simples para questões emocionais complexas. Ao se deparar com listas que apontam março, abril, setembro e outubro como “meses de pessoas empáticas”, muitos usuários comparam essas informações com suas próprias experiências e com características de amigos e familiares, o que estimula engajamento.

Do ponto de vista comunicacional, o assunto reúne curiosidade sobre a própria personalidade, menções a dados científicos e linguagem acessível, favorecendo o compartilhamento. Especialistas alertam que esses achados não devem ser usados para rotular indivíduos: a empatia é moldada por educação, vínculos afetivos, experiências sociais e contextos culturais, e o calendário é apenas um fator sutil em um quadro muito mais amplo.





