Um raro meteorito encontrado no deserto do Saara pode ter revelado evidências da existência de um mundo rochoso perdido que desapareceu nos primórdios do Sistema Solar. A descoberta sugere que nosso sistema planetário foi muito mais complexo do que aparenta atualmente, contendo corpos planetários que se formaram, evoluíram e possivelmente foram destruídos antes mesmo da consolidação dos planetas que conhecemos hoje.
Por que esse meteorito chamou a atenção dos cientistas?
O objeto estudado pertence a uma categoria extremamente rara de meteoritos chamada angrito. Entre mais de 80 mil meteoritos catalogados em coleções científicas, apenas algumas dezenas são classificadas dessa forma, tornando-os valiosas cápsulas do tempo da formação planetária.
Os angritos apresentam uma composição química incomum, com níveis muito baixos de dióxido de silício, característica que já indicava uma origem diferente daquela observada na Terra, em Marte e em outros corpos rochosos conhecidos.

O que foi encontrado dentro do meteorito NWA 12774?
Ao analisar o meteorito Northwest Africa 12774, os pesquisadores identificaram cristais de clinopiroxênio com concentrações extraordinariamente elevadas de alumínio. Esse mineral também é encontrado no manto e na crosta terrestre, mas as condições de sua formação revelaram algo surpreendente.
As evidências apontam para pressões extremamente elevadas durante sua cristalização:
- Pressão estimada de aproximadamente 17,5 quilobares.
- Valores superiores aos encontrados nas maiores profundidades oceânicas da Terra.
- Formação em um corpo planetário de grande porte.
- Condições incompatíveis com pequenos asteroides.
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Qual era o tamanho desse possível planeta perdido?
Os cálculos indicam que o corpo de origem do meteorito precisava possuir dimensões muito maiores do que se imaginava anteriormente. As estimativas mais conservadoras apontam para um objeto com cerca de 2.000 quilômetros de diâmetro.
Outras análises químicas sugerem que esse mundo poderia ter sido ainda maior, alcançando dimensões comparáveis às da Lua ou até se aproximando do tamanho de Marte, tornando-o um verdadeiro protoplaneta do início do Sistema Solar.

O que aconteceu com esse mundo desaparecido?
Até o momento, não existe uma resposta definitiva. Os cientistas acreditam que o objeto pode ter sido destruído durante o período caótico de formação planetária, quando colisões gigantescas eram comuns e moldavam a arquitetura do Sistema Solar.
Entre as hipóteses mais discutidas estão:
- Fragmentação total após impactos catastróficos.
- Incorporação parcial de seus materiais em outros planetas.
- Destruição durante interações gravitacionais violentas.
- Evolução química distinta das demais estruturas planetárias.

O que essa descoberta revela sobre o Sistema Solar primitivo?
Os resultados reforçam a ideia de que muitos protoplanetas podem ter existido durante os primeiros milhões de anos após o nascimento do Sol. Grande parte desses corpos teria desaparecido, restando apenas pequenos fragmentos preservados em meteoritos raros.
Além disso, a composição singular dos angritos sugere que diferentes caminhos de formação planetária coexistiram no início da história do Sistema Solar. Cada novo meteorito analisado pode revelar pistas sobre mundos perdidos que ajudaram a moldar os planetas atuais, oferecendo uma visão mais completa de um passado muito mais dinâmico e turbulento do que se imaginava.









