Ao longo das últimas décadas, diferentes pesquisas têm buscado entender se o mês de nascimento pode influenciar características de personalidade e desempenho profissional. Entre esses estudos, um trabalho amplamente citado indica que os líderes mais bem-sucedidos costumam nascer em três meses específicos do ano: janeiro, fevereiro e março, o que leva especialistas a analisar possíveis relações entre data de nascimento, ambiente escolar, oportunidades iniciais e desenvolvimento de habilidades de liderança, sem que isso seja tratado como determinismo.
O que o estudo sobre líderes e meses de nascimento revela?
A pesquisa associa o mês de nascimento à maior probabilidade de ocupar cargos de chefia, direção ou alta gestão em empresas e instituições. Ao mapear biografias de executivos, empreendedores e dirigentes, os autores identificaram uma presença mais recorrente de profissionais nascidos no início do ano, especialmente em janeiro, fevereiro e março, em diferentes segmentos como finanças, tecnologia, esporte profissional e administração pública.
O estudo não afirma que nascer nesses meses garante sucesso, mas indica uma sobrerrepresentação de líderes nascidos nesse período. Em muitos sistemas educacionais, crianças nascidas no começo do ano costumam ser as mais velhas da turma, o que pode oferecer vantagens em termos de maturidade física e emocional, impactando desempenho escolar, participação em atividades de destaque e a forma como professores e treinadores percebem o potencial de cada aluno.

Por que janeiro, fevereiro e março aparecem com maior frequência?
Uma das hipóteses mais discutidas é o chamado efeito da idade relativa, segundo o qual crianças mais velhas na mesma turma tendem a ter algumas vantagens iniciais. Em escolas que utilizam o ano civil como referência, alunos nascidos em janeiro, fevereiro e março podem ser até quase um ano mais velhos que colegas nascidos no fim do ano, o que amplifica diferenças de desempenho principalmente na infância.
Essa diferença etária pode influenciar desempenho acadêmico inicial, visibilidade em atividades extracurriculares e participação em esportes competitivos. Nesses contextos, os nascidos no começo do ano são mais frequentemente vistos como “maduros” e “prontos” para assumir responsabilidades, o que ajuda a explicar seu maior acesso a situações práticas de liderança desde cedo.

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Quais fatores explicam a vantagem inicial dos nascidos no começo do ano?
Com o passar do tempo, pequenas vantagens ligadas à idade relativa podem se transformar em mais oportunidades de prática de liderança. Representação de turma, cargos como capitão de equipe, monitorias e participação em programas de destaque criam um ciclo de reforço de autoconfiança, visibilidade e reconhecimento social, geralmente associado a perfis de comando.
Ao chegar na vida adulta, quem acumulou essas experiências tende a se sentir mais preparado para assumir cargos de gestão, o que ajudaria a explicar a maior presença de líderes nascidos em janeiro, fevereiro e março. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que esses efeitos são médios e estatísticos, e não garantias individuais de que alguém será ou não um líder de alto desempenho.
Quais caminhos alternativos favorecem o desenvolvimento de líderes?
Entre os profissionais que não tiveram tantas oportunidades de destaque na infância, o crescimento em liderança costuma estar ligado a decisões conscientes de desenvolvimento. A seguir, alguns fatores frequentemente associados à ascensão de líderes nascidos em qualquer mês do ano:
- Formação continuada, como cursos, especializações e programas de desenvolvimento de liderança.
- Experiências de trabalho diversificadas, em áreas que exigem negociação, gestão de equipes e tomada de decisão.
- Mentorias e redes de contato, que abrem portas para posições estratégicas, independentemente do mês de nascimento.
Confira as informações do arquiteto de sistemas de liderança Murilo Manzano, no canal “Murilo Manzano” no YouTube, explicando como se tornar um líder de sucesso:
Como as empresas podem usar essas informações sem criar rótulos?
Organizações que acompanham estudos sobre liderança e meses de nascimento costumam utilizar esses dados com cautela, evitando qualquer forma de viés ou discriminação. Em vez de vincular sucesso profissional a janeiro, fevereiro e março, a recomendação é analisar como diferenças de trajetória podem impactar a formação de líderes internos e orientar políticas de desenvolvimento mais inclusivas.

Na prática, muitas empresas adotam iniciativas que ampliam o acesso a experiências de liderança ao longo da carreira, buscando equilibrar oportunidades entre profissionais com históricos distintos. Entre as ações mais citadas estão treinamentos formais, rotação de funções e projetos em equipe que permitam a alternância de papéis de coordenação, mantendo o foco no desempenho, no potencial e nas competências comportamentais, e não no mês de nascimento.








