A neblina cobre as avenidas largas pela manhã, o nome carrega o eco da capital britânica e um lago projetado pelo paisagista mais famoso do país corta o coração urbano. Segunda maior cidade do Paraná, Londrina nasceu de um projeto inglês em 1929 e hoje ostenta um dos maiores índices de arborização urbana do Brasil.
Por que a cidade do norte paranaense recebeu o nome da capital inglesa?
A homenagem foi direta. Em 1924, o nobre escocês Lord Lovat percorreu o norte paranaense atrás de terras para o cultivo de algodão e ficou impressionado com a fertilidade da chamada terra roxa. O empreendimento de algodão fracassou, mas levou à criação, em Londres, da Paraná Plantations Ltd., e de sua subsidiária brasileira, a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), segundo o portal oficial da prefeitura.
Na tarde de 21 de agosto de 1929, o engenheiro Alexandre Razgulaeff fincou o primeiro marco no Patrimônio Três Bocas. O nome foi sugerido por João Domingues Sampaio, um dos primeiros diretores da companhia, em alusão às “filhas de Londres”. A neblina matinal frequente sobre a mata original reforçou a comparação com o nevoeiro inglês e o apelido de Pequena Londres pegou entre os colonos.
O município foi oficialmente fundado em 10 de dezembro de 1934. O traçado urbano seguiu o conceito britânico de cidade-jardim, projetado pelo engenheiro Jorge de Macedo Vieira, com avenidas amplas e áreas verdes generosas que existem até hoje.

Vale a pena viver na Pequena Londres do Paraná?
Os indicadores apontam que sim. A cidade aparece em rankings de qualidade de vida que rivalizam com capitais brasileiras. Segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), a Pequena Londres voltou ao grupo das 100 cidades mais desenvolvidas do país em 2025, na 92ª posição nacional, com destaque para o indicador de emprego e renda.
O destino também figura entre as cidades mais sustentáveis do Brasil. Foi a primeira do Paraná e a 9ª do país no ranking Cidades Sustentáveis 2023, segundo a prefeitura municipal. O Censo 2022 registrou que cerca de 96,8% das vias urbanas têm arborização, número raro entre cidades brasileiras de grande porte.
Os pilares que sustentam a reputação da segunda maior cidade do estado:
- Educação: a Universidade Estadual de Londrina (UEL) é uma das mais respeitadas do interior do Sul, ao lado da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
- Saúde: referência nacional em tratamento de câncer e queimaduras, atrai pacientes de várias regiões.
- Inovação: em 2019, o Senai escolheu a cidade para receber o primeiro Hub de Inteligência Artificial do Brasil.
- Custo de vida: aluguéis e alimentação costumam ser mais acessíveis que em Curitiba e capitais do Sudeste.

O que fazer na cidade que mistura herança britânica e Mata Atlântica?
O destino combina parques urbanos, reservas de Mata Atlântica e arquitetura modernista. Confira os principais pontos de interesse:
- Lago Igapó: cartão-postal com mais de 4,5 km de extensão e jardim assinado pelo paisagista Roberto Burle Marx. Tem ciclovia, pista de caminhada e esportes náuticos como caiaque e stand-up paddle.
- Catedral Metropolitana de Londrina: marco modernista no centro, com vitrais imponentes e torre que se destaca na paisagem urbana.
- Parque Municipal Arthur Thomas: reserva de Mata Atlântica com trilhas, cachoeiras e a antiga Usina Cambé restaurada.
- Parque Estadual Mata dos Godoy: uma das últimas reservas de mata nativa da região, com trilhas ecológicas e rica biodiversidade.
- Museu Histórico Padre Carlos Weiss: instalado na antiga estação ferroviária, conta a saga dos pioneiros e do ciclo do café.
- Jardim Botânico de Londrina: trilhas suspensas, viveiros de plantas nativas e mirante com vista panorâmica.
A culinária reflete a diversidade de imigrantes que ergueram o município, com forte presença japonesa, italiana, alemã e árabe. Os pratos mais procurados:
- Carne de onça: prato típico paranaense com carne bovina crua temperada, servida sobre torradas com cebolinha.
- Comida japonesa: a comunidade nipo-brasileira tornou a cidade referência em sushi, sashimi e culinária oriental.
- Cafés especiais: roteiros temáticos exploram a tradição do “ouro verde” em cafeterias e fazendas históricas.
- Pastel de feira: tradição da Feira da Lua, evento noturno realizado no Calçadão central.
- Mercado Municipal Shangri-lá: ponto de encontro para gastronomia regional, com salgados, doces coloniais e produtos da agricultura familiar.
Quem sonha em descobrir por que a cidade é a “Pequena Londres”, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Araujos por aí, que conta com mais de 3 mil visualizações, onde Araujos por aí mostra um rolê gastronômico e cultural em Londrina:
O capital britânico que virou Capital Mundial do Café
Nos anos 1950, a cidade chegou a responder por parte expressiva da produção mundial de café e ganhou o título de Capital Mundial do Café. A Rota do Café, roteiro turístico que percorre fazendas históricas e cafeterias com degustação de grãos especiais, foi premiada pelo Ministério do Turismo em 2011.
Esse passado cafeeiro também explica a vocação para grandes eventos do agronegócio. A ExpoLondrina, realizada todo mês de abril no Parque de Exposições Governador Ney Braga, é uma das maiores feiras agropecuárias da América Latina e atrai milhares de visitantes a cada edição. A cidade ainda sedia o Festival Internacional de Londrina (FILO), considerado um dos mais importantes eventos de teatro do continente.
Como o clima de Londrina define a melhor época para visitar?
A Pequena Londres tem clima subtropical úmido, com altitude de cerca de 610 metros que garante noites frescas mesmo no verão. O inverno traz geadas ocasionais nos vales, e os meses entre maio e setembro costumam ser os mais secos. Veja como as estações se comportam ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Abril é o mês imperdível para quem gosta de feiras e eventos rurais por causa da ExpoLondrina. Junho e julho concentram a programação cultural mais forte, com o FILO e festivais de música. Para curtir o lago e os parques sem chuva, os melhores meses vão de junho a agosto.
Como chegar à segunda maior cidade do Paraná
O município fica a cerca de 388 km de Curitiba, com acesso pela BR-369. De carro, a viagem leva em torno de 5 horas. Quem vem de Maringá percorre cerca de 100 km pela PR-445.
O Aeroporto Governador José Richa recebe voos regulares de capitais como São Paulo, Curitiba e Brasília, operados por Gol, Latam e Azul. Linhas rodoviárias ligam o destino a praticamente todas as regiões do Sul e do Sudeste, com terminais bem estruturados na área central.
Conheça a cidade que carrega Londres no nome
Poucos lugares no Brasil conseguiram crescer tanto sem perder o planejamento original. A combinação de avenidas arborizadas, cultura cafeeira, gastronomia diversa e qualidade de vida coloca a cidade entre os destinos mais completos do interior do Sul.
Você precisa caminhar ao redor do Lago Igapó ao entardecer e entender por que tanta gente escolheu trocar a capital pelo charme inglês do norte paranaense.









