Em uma profundidade que ultrapassa os 3.000 metros, em uma área remota do Oceano Pacífico, pesquisadores identificaram um fundo marinho antigo moldado por intensa atividade vulcânica que ganhou o apelido de estrada de tijolos amarelos no fundo do mar, uma formação natural que intriga pela aparência artificial e ajuda a revelar a história geológica oculta do planeta.
O que é a estrada de tijolos amarelos no fundo do mar?
A estrada de tijolos amarelos no fundo do mar descreve um trecho de rocha vulcânica fraturada que lembra um caminho pavimentado. Embora pareça algo construído, trata se de um fenômeno totalmente natural que se formou em um ambiente de completa escuridão e alta pressão.
O registro foi feito em 2022 na cordilheira submarina Liliʻuokalani Ridge, dentro do Papahānaumokuākea Marine National Monument, ao norte do Havaí. A bordo do navio de pesquisa E V Nautilus, a equipe usou um veículo operado remotamente para explorar o relevo e encontrou uma faixa clara de rocha cortada por fraturas quase retangulares, lembrando uma estrada pavimentada. Para ver o momento exato em que a equipe se depara com essa formação única, assista ao vídeo do canal @descobertasdomundo9619, que registrou toda a exploração submarina em alta resolução:
Como surgiu a comparação com a Estrada de Tijolos Amarelos de Oz?
A ideia da Estrada de Tijolos Amarelos veio do romance de L. Frank Baum, O Maravilhoso Mágico de Oz, de 1900, que mostra um caminho dourado levando à Cidade das Esmeraldas e simbolizando uma jornada de descoberta pessoal. Na adaptação cinematográfica de 1939, o uso pioneiro do Technicolor transformou esse caminho em um ícone visual, com o amarelo vibrante contrastando com o verde intenso da cidade.
Quando os cientistas viram a formação submarina, logo associaram a imagem ao caminho do filme, falando em “caminho para Atlântida” e em uma estrada mágica nas profundezas. Desde então, a expressão estrada de tijolos amarelos no fundo do mar passou a ser usada como metáfora para essa paisagem geológica impressionante, capaz de despertar curiosidade científica e popular.
Como a estrada de tijolos amarelos no fundo do mar se forma geologicamente?
No caso do Pacífico, a “estrada” é formada por um tipo de rocha vulcânica chamado hialoclastita, que surge quando a lava entra em contato direto com a água e esfria muito rápido. Esse choque térmico fragmenta o magma em pedaços vítreos que se acumulam e, com o tempo, são compactados e cimentados, podendo lembrar um piso de pedras.
Para entender melhor esse processo, é útil observar as etapas que geram a hialoclastita e o padrão de fraturas que imita um calçamento:
- Erupção submarina com magma extravasando no fundo do mar em cordilheiras ou montes isolados
- Resfriamento rápido em contato com a água fria, formando vidro vulcânico e fragmentos irregulares
- Acúmulo de detritos de lava quebrada em camadas que constroem o depósito de hialoclastita
- Cimentação e compactação dos fragmentos, criando um corpo rochoso mais coeso
- Fraturamento térmico por ciclos de aquecimento e resfriamento, gerando fissuras geométricas quase retangulares
Formações de hialoclastita também aparecem em erupções subglaciais, quando o magma interage com gelo ou calotas glaciares, além de sucessões antigas no fundo do mar com composições basálticas, andesíticas ou riolíticas. A alteração do vidro vulcânico pode gerar palagonita, de cor amarelada, reforçando a semelhança com uma estrada de tijolos.

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Por que essa descoberta é importante para a exploração do oceano profundo?
O episódio da suposta estrada de tijolos amarelos no fundo do mar mostra o quanto o oceano profundo ainda é pouco conhecido, já que apenas uma pequena fração do leito oceânico foi examinada por câmeras até hoje. Cada nova missão com submersíveis e veículos operados remotamente tem potencial para revelar formações geológicas raras e organismos pouco documentados, como o curioso “monstro galinha sem cabeça” filmado na mesma região.
Durante a expedição Luʻuaeaahikiikekumu, no topo do Monte Submarino Nootka, além da “estrada” foram coletadas amostras de crostas de ferromanganês, ricas em óxidos de ferro e manganês. Essas estruturas ajudam a entender processos eruptivos subaquáticos, a evolução tectônica e até possíveis recursos minerais, ao mesmo tempo em que levantam questões sobre a conservação de ambientes marinhos profundos, um campo em que cada descoberta traz novas perguntas e amplia o interesse pela exploração responsável dos oceanos.






