Há cerca de 350 mil anos, uma das maiores erupções vulcânicas da história da Terra mudou para sempre a paisagem da Nova Zelândia. Conhecida como Supererupção de Whakamaru, ela lançou uma quantidade colossal de cinzas, rochas e gases na atmosfera, alterando ecossistemas inteiros e remodelando o centro da Ilha Norte. Agora, um novo estudo conseguiu reconstruir em detalhes como esse evento extraordinário ocorreu, revelando mecanismos que ajudam a explicar algumas das erupções mais poderosas já registradas no planeta.
O que foi a Supererupção de Whakamaru?
A erupção ocorreu na Zona Vulcânica de Taupō, uma das regiões geologicamente mais ativas do mundo. Esse sistema vulcânico existe devido à interação entre a Placa do Pacífico e a Placa Australiana, que gera intensa atividade magmática sob a Nova Zelândia.
Whakamaru é considerada uma supererupção porque atingiu o nível máximo da Escala de Explosividade Vulcânica, o índice 8. Eventos dessa magnitude são extremamente raros e apenas algumas dezenas foram identificados ao longo da história geológica da Terra.

Como os cientistas reconstruíram um evento tão antigo?
Para entender o que aconteceu há centenas de milhares de anos, os pesquisadores analisaram depósitos vulcânicos espalhados pela Nova Zelândia e até por áreas remotas do Oceano Pacífico. Cada fragmento de cinza e vidro vulcânico preserva uma assinatura química única.
Comparando essas assinaturas em mais de 30 locais diferentes, os cientistas conseguiram confirmar que todos os materiais analisados foram produzidos pela mesma erupção. Essa técnica funciona de maneira semelhante a uma investigação forense, permitindo reconstruir a sequência dos acontecimentos com grande precisão.
As principais evidências utilizadas incluíram:
- Camadas de cinzas preservadas em diferentes regiões.
- Depósitos de fluxos piroclásticos extremamente espessos.
- Análises químicas do vidro vulcânico.
- Correlação geológica entre dezenas de sítios estudados.

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Como a supererupção se desenvolveu?
Os dados indicam que o evento começou sob um enorme lago que ocupava parte da Ilha Norte, semelhante ao atual Lago Taupō. Quando o magma atingiu a superfície, entrou em contato direto com a água, provocando explosões extremamente violentas.
À medida que a erupção avançava, o lago foi sendo destruído e preenchido por materiais vulcânicos. Nesse momento, o sistema passou para uma fase mais seca e ainda mais intensa, envolvendo múltiplas câmaras magmáticas que entraram em erupção quase simultaneamente.
Os pesquisadores identificaram que:
- A fase inicial envolveu forte interação entre magma e água.
- Uma única câmara magmática iniciou o processo eruptivo.
- Pelo menos cinco reservatórios de magma participaram da fase principal.
- O sistema tornou-se progressivamente mais complexo e explosivo.
Qual foi o impacto dessa erupção na Nova Zelândia?
As dimensões da erupção foram impressionantes. Grande parte da Ilha Norte ficou coberta por cerca de 30 centímetros de cinzas, enquanto regiões próximas ao vulcão receberam camadas que ultrapassaram 4,5 metros de espessura.
Além disso, fluxos piroclásticos extremamente quentes e rápidos percorreram vastas áreas, depositando centenas de metros de material vulcânico em alguns locais. Esses fenômenos destruíram completamente a vegetação e transformaram a geografia regional.

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Por que essa descoberta é importante hoje?
Os pesquisadores estimam que aproximadamente 2.300 quilômetros cúbicos de material vulcânico foram expelidos durante a supererupção. Para se ter uma ideia da escala, essa quantidade seria suficiente para cobrir toda a Nova Zelândia com uma camada de cerca de nove metros de detritos vulcânicos.
Compreender como eventos dessa magnitude ocorrem é essencial para aprimorar modelos de risco vulcânico e entender a evolução dos grandes sistemas magmáticos da Terra. Embora supererupções sejam raras, a Zona Vulcânica de Taupō continua ativa atualmente, tornando esse conhecimento fundamental para a ciência e para o monitoramento de futuras atividades vulcânicas.









