Uma equipe internacional de astrônomos identificou o quasar cintilante mais antigo já observado, lançando nova luz sobre um dos maiores enigmas da cosmologia moderna. O objeto existia apenas 850 milhões de anos após o Big Bang e apresenta características surpreendentemente maduras para uma época tão inicial da história cósmica. A descoberta oferece pistas importantes sobre a formação dos primeiros buracos negros supermassivos e desafia algumas das expectativas atuais sobre sua evolução.
O que é um quasar e por que ele é tão brilhante?
Quasares são alguns dos objetos mais luminosos do Universo. Eles surgem quando enormes quantidades de gás e poeira são atraídas por um buraco negro supermassivo localizado no centro de uma galáxia.
À medida que esse material gira em alta velocidade antes de ser engolido, forma um disco de acreção extremamente quente. A energia liberada durante esse processo pode superar o brilho combinado de todas as estrelas da galáxia hospedeira.

Por que a descoberta desse quasar é tão importante?
Embora centenas de quasares já tenham sido encontrados no Universo primordial, esta é a primeira vez que os cientistas conseguem observar um deles apresentando variações naturais de brilho, um fenômeno conhecido como cintilação ou flickering.
Essas oscilações fornecem informações valiosas sobre a estrutura interna do sistema. Entre os principais aspectos investigados estão:
- A forma do disco de acreção ao redor do buraco negro.
- A distribuição do material em diferentes temperaturas.
- A intensidade da alimentação do buraco negro.
- O estágio evolutivo do sistema observado.
Esses dados permitem analisar características que normalmente permanecem ocultas em observações de objetos tão distantes.
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Como os astrônomos detectaram essa cintilação?
Observar um quasar tão antigo exige superar enormes desafios técnicos. A expansão do Universo estica a luz emitida por esses objetos, deslocando-a para comprimentos de onda mais avermelhados e tornando suas variações mais lentas quando vistas da Terra.
Para resolver esse problema, os pesquisadores utilizaram dados infravermelhos coletados durante aproximadamente 14 anos pela missão espacial NEOWISE. Essa longa sequência de observações permitiu identificar mudanças aleatórias de brilho semelhantes às oscilações de uma chama de vela.

O que o disco de acreção revelou sobre esse buraco negro?
A análise das variações em diferentes comprimentos de onda permitiu reconstruir a estrutura do disco de acreção. O resultado surpreendeu os cientistas, pois o disco apresentou uma forma extremamente fina e achatada.
Até então, acreditava-se que buracos negros tão jovens deveriam possuir estruturas mais turbulentas e espessas devido ao crescimento acelerado característico dos primeiros estágios do Universo. Em vez disso, o sistema parece já ter atingido um nível avançado de organização.
As principais características identificadas incluem:
- Disco de acreção fino e estável.
- Estrutura semelhante à observada em quasares modernos.
- Brilho equivalente a cerca de 12 trilhões de sóis.
- Variações luminosas de aproximadamente 20% ao longo do tempo.
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O que essa descoberta significa para a compreensão dos buracos negros?
O resultado reforça um dos maiores desafios da astronomia atual: explicar como buracos negros supermassivos conseguiram crescer tão rapidamente após o Big Bang. A presença de um disco já estabilizado sugere que fases intensas de crescimento ocorreram ainda mais cedo do que os modelos atuais preveem.
Os pesquisadores acreditam que futuras observações poderão revelar estágios ainda mais antigos da evolução desses sistemas. Com isso, será possível compreender melhor os mecanismos responsáveis pelo surgimento dos primeiros buracos negros supermassivos e pelo papel que desempenharam na formação das galáxias que observamos hoje.









